Como você pode dizer que você está no amor

Eu não tenho vontade de viver.

2020.11.25 09:05 Ryuukazi_01 Eu não tenho vontade de viver.

Oi, tudo bem?
Enquanto estou escrevendo isso, estou calmo agora. Mas notei que muitas vezes eu tenho medo de mim mesmo, em ter algumas recaídas de falta de vontade. Sim, falta de vontade. Não sei bem como iniciar o assunto… Então, sendo direto? Eu não tenho vontade de viver. Não sei como explicar bem em motivos, mas é como se nada fizesse sentido. Nada tem significado, nada tem um porquê, nada tem nada. E isso faz com que o esforço seja muito maior que as possíveis recompensas. E o que acontece se o esforço for muito maior do que a recompensa? Exato. Não há vontade. E é isso o que acontece comigo. Como eu não tenho significado em nada (ou seja, recompensa), tudo para mim é um pesar enorme, com a qual eu faço as coisas por fazer. Das mais básicas às mais complexas. Por isso pergunto tantos por quês (nada tem porquê para mim), por isso sou tão indeciso (sem significado, nada faz diferença), e por isso acabo tendo algumas crises de identidade (no final, eu me sinto culpado por ser assim. Porque eu não quero ser assim!).
Pra não perder a linha, vou começar assim; de trás pra frente. É por isso que sai de todas as redes sociais (Whatsapp, Facebook, Twitter, Instagram). Eu já nao postava nada, nadinha. Mas satisfazia as psssoas, e assim ninguém perguntava porque não tinha. Mas era como se os aplicativos fossem a minha caixa de pandora; Onde todos os meus monstros ganhavam vida – social, pessoal, profissional. Quando eu abro algum aplicativo, e vejo as pessoas felizes, realizadas, e etc... Eu me sinto um completo desajustado. Perguntas ficam se debatendo na minha cabeça, como: “Por que sou assim? Por que não posso ser como todo mundo? Qual meu problema? Será que sou amaldiçoado? Deus me odeia? Por que faria isso comigo?” E é então que vem a culpa: “Eu não quero ser assim... Eu me odeio... Odeio minha vida... Odeio minha aparência, minha mente, odeio quem eu sou. Tudo que eu quero e ser ou pessoa”. E bem, esse é o início de toda a crise de existência, e, porque eu sai de todas as redes socias. Elas me fazem mal. E sempre me lembram do que eu NÃO sou; mas deveria ser: Bonito, com vários amigos, vários planos de vida, e o mais importante; Feliz.
Também é por isso que não procuro relacionamentos. Quem, em sã consciência, iria se interessar por alguém assim? Depois de tudo que listei, acho que dispensa explicações. Mas ficar ao lado de alguém sem objetivos, sem ânimo. Um “de fora”, como se não fosse daqui (o que me lembra da minha vontade de ir embora – metaforicamente ou literalmente –, só quero sair por ai, rasgar meus documentos, e recomeçar tudo. Mesmo que signifique morrer (Sim, já pensei em suicídio. Mas nada muito sério. Afinal, se já está uma merda, que diferença vai fazer?). Mas voltando ao assunto. É como as pessoas costumam dizer: “Como que você espera gostar de alguém, se tu não gostar de si mesmo antes?”
Enfim, é isso. Não sei porque sou assim. Só sou. Desde criança, me lembro de nunca ter gostado de aglomerações (aniversários, gincanas, festas, etc...). Se ia um palhaço na escolinha, eu era o único que não achava graça. Se tinha festa junina eu odiava. Meu aniversário, até hoje não gosto. Mas nunca liguei muito também. Sempre considerei ser algo de criança. Crianças normalmente são tímidas as vezes.
Porém acho que o que seria um simples traço de personalidade, se agravou com uma má sorte da vida. Desde os meus 10 anos, ate os meus 14 anos, todo ano alguém morria. Primeiro, a minha avó materna de câncer. No ano seguinte, não morreu, mas minha mãe teve câncer, e passou o ano inteiro em hospitais. Mas no próximo, meu avô paterno, de câncer. No próximo, minha avó paterna, de câncer. No próximo, meu avô materno, pela idade. E no ano seguinte, pra finalizar, meus pais se divorciaram.
Esses 4~5 anos pegaram justamente a minha adolescência, então justamente, eu nao tive uma. Por conta de tantas pessoas sempre doentes, quem cuidava era minha mãe. Sempre indo em hospitais pra tomar conta. E meu pai trabalhava o dia todo pra nos sustentar. A questão é que eu ficava na casa de um amigo. E isso me fez sentir, o que seria ter tido uma família normal.
Eu sempre dormia na casa dele. Portanto, íamos sempre à igreja no domingo de manhã. Fazíamos churrascos. Íamos ao clube. Viajavamos para parentes deles, e etc. Lá tinha TV a cabo, então o pai dele assistia filme com a gente, jogos de futebol, e séries. Ele tinha um video-game, e vários vizinhos. Então jogávamos após a escola, chamávamos todos da rua, para fazer campeonatos. Jogávamos bola na rua, e outras brincadeiras. Eles foi o irmão que eu nunca tive; E a eles foram a família que eu nunca tive.
Várias vezes eu me pegava chamando a mãe dele de mãe, por engano. Ou pai dele de pai. Todas as vezes que eu voltava pra casa, era como "voltar pra realidade". Nós somos relativamente pobres. Não passamos fome, nem nada. Mas também não temos pra gastar. Então nunca tive TV a cabo, vídeo-game, e viagens apenas em datas comemorativas (tipo casamento de parente). Meus vizinhos eram todos idosos. E meu irmão de sangue tem o dobro da minha idade (Logo sempre morou fora e nunca conversava comigo). Minha mãe estava sempre trabalhando, ou cuidando dos enfermos da família. E meu pai trabalhado 12 horas por dia, todos os dias. Logo nunca pôde estar tão presente (Como pra ver filmes, jogar algo, me levar para esportes, ou simplesmente para conversar). E toda família tão ocupada assim... quem dera se se juntassem para churrascos ou igreja.
Com o passar da adolescência, minha auto-imagem também não foi das melhores. Eu tenho muitos pelos. Nada de anormal, apenas coisa de homem. Mas a moda hoje nao é essa nem de perto. E começou cedo em mim. Eu era obrigado a ir de blusa e calça na escola, mesmo apesar do imenso calor, para que nao chamasse a atenção. Eu nunca fui zuado, coisa de bullyin e tals. Mas porque nunca deixei nem sequer que notassem. Isso fazia com que eu nunca participasse de jogos de interclasse, pra nao ir de shorts. E nem que fosse ao clube (que era o prêmio), pra não tirar a camisa. Sempre usei cabelo grande. Mas para esconder a orelha (hoje já fiz cirurgia). E sempre usei aparelho nos dentes. Espinhas? Óbvio. Roupas e tenis? As velhas ganhadas de primos e irmão mais velho.
E essa é a questão: Eu cresci sozinho, em uma família humilde, sem grandes instruções de como se virar na vida. Minha mãe nao terminou o fundamental, e meu pai o colegial com supletivo. Logo, educação financeira, trabalho, universidade, intercâmbio, leituras... São coisas abstratas nas cabeças deles. Como que passariam algo para mim?
Hoje eu vejo o pessoal mais jovem saindo pra festas, tendo namoradas, famílias legais, e sempre estudando; Isso me gera uma mega sensação de uma vida que fora arrancada de mim. Mas que eu poderia tentar ainda... Porém estou sempre com um senso de urgência, que o tempo está passando, e tenho que fazer planos, estudar, juntar dinheiro, investir... Outrora ninguém me ensinará ou fara por mim. Mas ao mesmo tempo... não sei se quero.
Depois de muito reflexão, e juntando as peças para entender o porque das coisas que deram errado na minha vida, consegui tirar lissões muito valiosas. Hoje, já não me importo mais com muitas dessas coisas. Porém, hoje é isso: justamente, já não me importo mais. Não tenho uma religião. Não tenho uma família. Não tenho amigos. Não tenho vontade de nada. Não ligo pra mais nada. Parece que a energia que eu tinha na juventude se foi, e hoje estou cansado apesar de ainda novo [20]. E agora, não sei o que eu faço. O que vai me motivar? O que vai me fazer acordar de manhã e levantar da cama? O que vai me fazer querer viver?
Enfim, é isso. Se lá quem for você que leu isso, espero que esteja bem, e feliz. O Natal está chegando, então de valor aos seus bens, como família, estudos, juventude, e etc. Mas não se mate caso não às tenha, e seja gentil com as pessoas que podem não ter – a vida delas já é dura demais, e um pouco de gentileza pode fazer bem a elas. Bem, eu gostaria de finalizar com alguma citação ou um lição, como um presente valioso a que se tirar de todo esse drama que é a vida; Mas nao tenho. Mas, com muito amor e carinho, lhe desejo toda sorte do mundo!
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2020.11.24 13:26 SopaDeMolhoShoyu Relembrar é viver! Por isso, vou postar aqui a história de um clássico da Internet brasileira, a lenda de Leonam e seu Dreamcast!

Seguinte...vou fazer a defesa do meu mestrado hoje à tarde, e tô me cagando de medo. Por isso, tô procurando atividades para me distrair...como, por exemplo, ler a incrível história do rapaz que gozou em seu Dreamcast. Li essa história pela primeira vez no longíquo 2003, em um off topic da Seventh Page, um antigo fórum do Iron Maiden, e fiquei uma semana inteira rindo dessa merda. Ainda hoje, leio esse tão emocionante texto, que se tornou um clássico da Internetcha, e dou muita risada da situação pela qual o nosso amigo Leonam passou.
QUEBREI MEU DREAMCAST - PARTE 1
"Quebrei meu dreamcast de bobeira, meu nome é Leonan tenho 13 anos,parece brincadeira mas é a pura verdade, tudo começou quando estava jogando Craxy Taxi pirata passou um tempo fui trocar o cd então desliguei o dreamcast tirei o crazy taxi e deixei a tampa aberta(meu erro) para colocar o cd de boot, mas aí o pessoal de casa resolveu sair então fiquei sozinho em casa, pintou aquela vontade de tocar sonfona, o meu dreamcast fica na mesma mesa do computador, então liguei o micro acessei uma página (que vi neste forum...) e to lá, em frente ao micro vcs sabem né...então chegou aquela pressão não pude segurar mas como eu tava na frente do computador para não sujar o monitor e o teclado meu reflexo foi de virar para a esquerda justamente onde tava meu dreamcast com a tampa aberta(**** falta de sorte)...isso mesmo galera ...EJACULEI NO MEU DREAMCAST... riam deste cara sem sorte,não sei se rio ou choro, a lente sujou toda, limpei o quanto pude mas em cima da lente a gosma secou Agora o que é que eu faço? fiz de tudo para ganhar este dreamcast não tem um mês direito e já estragou minha mãe vai me matar quando descobrir que ela pagou 750 reias e eu já quebrei, tá na garantia ainda mas o que eu falo pro cara da loja? Como faço para limpar a lente agora? me ajudem por favor ! Nunca mais me masturbo na minha vida!"
QUEBREI MEU DREAMCAST - PARTE 2
Recapitulando : Depois de acidentalmente gozar em cima da lente de seu dreamcast não conseguir limpá-la , nosso amiguinho punheteiro volta de escola decidido a novamente tentar ligar para a tectoy(representante da sega no Brasil) para tentar saber se seu dreamcast ainda tem salvação ... "Cheguei em casa depois da escola hoje de manhã...vim correndo quando abri a porta até ofegante..adivinhem com quem encontro de cara "MINHA MÃE"(parece um general) com meu dreamcast no colo sentada no sofá da sala me esperando com cara de querer me matar...gelei do pé até a cabeça na hora,então a 1ª COISA QUE DISSE FOI: LEONAM...O QUE FOI QUE VOCÊ DERRAMOU NESTE VIDEOGAME? quase cai pra trás Aí eu perguntei...POR QUE MÃE... ELA DISSE GRITANDO: POR QUE EU LEVEI O VIDEOGAME NA LOCADORA ONDE EU COMPREI E O VENDEDOR ABRIU ! TINHA MANCHA DE ALGUMA COISA LÁ DENTRO...VAI FALANDO AGORA...(SUEI FRIO ATÉ GAGUEJEI), VOCÊ DERRAMOU CAFÉ COM LEITE NESTE VIDEOGAME LEONAM? NÃO ACREDITO QUE TE DOU UM BRINQUEDO CARO DESTES E VOCÊ JÁ QUEBROU! Aí eu falei NÃO DERRAMEI NADA AÍ NÃO, então ela falou: QUE CHEIRO DE QUEIJO É ESSE AQUI DENTRO!ALGUMA COISA VOCÊ DEIXOU CAIR AQUI? A GARANTIA NÃO COBRE ISSO SABIA LEONAM...(sabem como é tremer as pernas pois é tô assim até agora)Corri e me tranquei no quarto tô aqui até agora, com uma **** fome, peguei o telefone e liguei pra tectoy, antes de falar com o cara prometi que não era um trote até jurei, VOCÊS ACREDITAM QUE O CARA DO ATENDIMENTO RIU DE MIN! PARECE INGRAÇADO MAS EU TÔ NO SAL! VÔ LEVAR A MAIOR COSSA! A PROPOSITO ELE DISSE PARA NÃO RASPAR A LENTE E LEVAR MEU DREAMCAST NA ASSISTENCIA TÉCNICA, E FALAR A VERDADE PRO CARA DA ASSITENCIA PRA ELE NÃO MEXER ONDE DEVE, MAS COMO EU CONTO AQUILO NO BALCÃO(algo como...ô moço gozei no meu dreamcast!) Acho que minha mãe já sacou,o que eu faço? Claro que ela sabe que cheiro é aquele...toda terça e quinta ela e meu pai mandam ver a noite toda! Ela só quer que eu fale para poder ter um motivo para quebrar minha cara! Eu acho que vou contar pro meu pai...se eu tivesse irmão menor eu colocava a culpa nele mas não tenho...fazer o que? tô ficando maluco! MINHA ULTIMA CHANCE SÃO VOCÊS...OU EU MESMO LIMPO A LENTE COM ALCOL OU AGUA OU MINHA MÃE VAI ACABAR COMIGO! ME AJUDEM AMIGOS COMO TIRAR ESPERMA DA LENTE SEM ESTRAGAR MEU DREMCAST?" E agora , o que irá acontecer ? Conseguirá nosso amiguinho punheteiro salvar-se dessa situação constrangedora ? Sua mãe já está desconfiada, é uma corrida contra o tempo !
QUEBREI MEU DREAMCAST - PARTE 3
Recapitulando : após estragar e lente de leitura do seu dreamcast com seu esperma , nosso herói leonam falhou duas vezes em conseguir socorro no telefone de ajuda da tectoy , mais tarde sua mãe descobriu que o filho estragara o DC , e é possível que ela já desconfie de de que líquido é aquele no Dreamcast ... o que será do herói punheteiro ? Ao pedir amparo e vários fóruns , Leonam consegue ajuda de dois seres , Erik e Francisco . porém , ao entrar no quarto ... "Olha Erik e Francisco obrigado por estarem me ajudando isto tudo é verdade eu juro! Tenho uma coisa a dizer... primeiramente já que estão sendo gente boa comigo, Quebrei minha promessa, é mais forte que eu, parece vicio, toquei uma hoje enquanto tava trancado dentro do quarto...desculpem....desta vez mirei direto e não acertei nada! pelo menos isso! Nando já que você não pode ajudar não piore as coisas tente fazer você [quanto mais idiota melhor 3] ou [ejaculacao precose o retorno],até parece que você nunca passou aperto por causa da "pomba branca"... e Francisco lopez o cara da TECTOY disse para min que para limpar lentes existe um CD LIMPADOR aqui em casa tem, sabe...aquele que tem uma músicas em várias linguas com uma micro escovinha...enquanto se ouve a música ele limpa a lente... mas o problema é o seguinte o CD LIMPADOR limpa só poeira, sujeiras leves, não "gosmas" que já secaram! Eu tentei passar mas não deu , o console tá seguinho não lê nada ! Lestat não tentei comer meu dreamcast e tambem não comecei a gozar agora não já é a 5ª vez é o que isso tem a ver? Francisco prefiro não dizer o bairro onde moro por que as coisas podem piorar, tem um cara até querendo colocar isto tudo em uma página imagina se descobrem onde eu moro...vou sofrer pro resto da vida! (nunca pensei que uma punheta fosse acabar comigo!), contei isso que tá acontecendo comigo pros meus colegas e na minha classe já me colocaram até apelido "GONZAGUINHA" sabem por que né!?...aquele sanfoneiro! Quem poder me ajudar, respondam esta mensagem neste forum, eu agradeço, e quanto a minha mãe para vocês terem idéia eu tenho de apagar o histórico do meu computador por que ela checa tudo, já pensou se ela entra neste site e descobre tudo? que vergonha e que cossa que eu vou tomar...vocês podem até me achar infantil mas só tenho 13 anos tô descobrindo as coisas agora! É errando que se aprende, vocês acham que ia fazer isso logo no meu dreamcast !Ajuda é só isso que tô precisando." E agora , só falta uma parte e Leonam ainda não conseguiu resolver seu problema com o dreamcast ! Conseguirá ele consertar se dreamcast e fazer com que sua mãe não descubra toda a verdade ? Pior ainda , conseguirá ele se conter e parar de bater punheta , prevenindo que estrague ainda mais seu dreamcast ou otra coisa de seu quarto ?
QUEBREI MEU DREAMCAST - PARTE 4
Sem mais rodeio, devaneios e reacapitulações, assistam agora ao final da mini-série "QUEBREI O MEU DREAMCAST" protagonizada pelo galã do momento(o primeiro galã da história que é reconhecido como punheteiro!) , Leonam ! "Galera finalmente meu terror chegou ao fim...graças a Deus...não apanhei mas foi muito mais pior eu juro!Passei pela situação mais embaraçante da minha vida Como eu tava vendo que o trem ia ficar pro meu lado... abri o jogo com o meu pai...foi assim depois que cheguei da escola chamei meu pai no quarto encostei a porta e contei tudo(minha cara rachou de tanta vergonha...)falei "PAI PELO AMOR DE DEUS, O SENHOR JURA QUE SE EU TE CONTAR UMA COISA O SENHOR NÃO CONTA PRA MAIS NINGUEM" ele concordou...(eu acreditei...)então fechei os olhos e contei:PAI FOI EU QUE QUEBREI O VIDEOGAME MAS FOI SEM QUERER, EU ESPORREI NELE! Ele riu, riu de chorar, aí eu falei: FOI SEM QUERER TÔ MORRENDO DE VERGONHA MAS FOI ISSO QUE ACONTECEU, até aí tudo bem, ele disse que ia dar um jeito de concertar,me deu uma bronca por ter acessado o site XXX,nunca mais entro em site de sexo eu prometo !, voltamos para mesa almoçamos e eu tava já até um pouco ali*****...vocês sabem pai sempre da um jeito em tudo,MAS NÃO PENSEI QUE ELE FOSSE FAZER DESTE JEITO! SABEM O QUE ELE FEZ...CONTOU PRA MINHA MÃE...eu tava lá no quarto deitado na cama jogando meu gameboy(STREET FIGHTER2 ADORO !) quando entra minha mãe COM UM SORRIZINHO SACANA de mão dada com meu pai então ela disse: LEO EU E SEU PAI PRECISAMOS CONVERSAR COM VOCÊ(acho que minha alma saiu do corpo naquela hora,tô sem jeito de olhar para minha mãe até agora!),AÍ COMEÇOU A SEÇÃO DE EDUCAÇÃO SEXUAL... (olha que palhaçada): VOCÊ LEO AGORA TÁ VIRANDO RAPAZINHO(minhas orelhas ficaram pegando fogo de vergonha) TÁ DEIXANDO DE SER CRIANÇA...SEU CORPO AGORA VAI COMEÇAR TER MUDANÇAS SUA VOZ JÁ TÁ COMEÇANDO A MUDAR,VÃO CRESCER PELOS NO SEU CORPO(eu só olhei pra cara do meu pai) SABE LEO VOCÊ TÁ VIRANDO UM ADOLESCENTE(como eu não soubesse na escola já passaram aquela fita dos coelhos TICO E TICA sabem aquela baboseira dois coelhos mongoloides que crescem e transam na maior pureza..."olha a TICA tá crescendo seios e menstrua" "olha o TICO tá ficando com a voz grossa e com pêlos por todo o corpo... ô meu Deus o que é aquilo que o TICO está fazendo professora pergunta TICA ele está se MASTURBANDO TINA...mas o que é masturbação...e por aí vai...") Minha mãe ainda disse: QUANDO DER VONTADE DE FAZER AQUILO...VAI NO BANHEIRO FILHO ASSIM VOCÊ NÃO CORRE O RISCO DE SUJAR COISAS QUE NÃO DEVE,(minha vontade era de explodir),DEPOIS QUE VOCÊ FAZER AQUILO LAVE AS MÃOS PARA NÃO SUJAR AS COISAS DE ESPERMA(vocês podem imaginar como estou agora ) o pior ainda está por vir... Vocês não acreditam o que minha mãe fez: ...LIGOU PARA TODAS MINHAS TIAS(6) E CONTOU QUE JÁ ME MASTURBO(meu DEUS o que ela queria com isso?)ATÉ PARA MINHA VÓ QUE MORA NO RIO ELA LIGOU,CONTOU ATÉ PRA MOÇA QUE TRABALHA AQUI EM CASA(que é gatinha!)....(agora mais ou menos as 16:45 minha vó me ligou para me encher dizendo que isso é feio pra min parar de fazer isto ESTOU SEM MORAL COM MINHA FAMILIA, minha mãe me expos ao ridiculo! Minhas tias do jeito que são já devem ter contado pros meus primos...tô ferrado, CONCLUSÃO DESSE ROLO: MEU PAI DEPOIS DO SERVIÇO PASSOU NA LOCADORA E DEIXOU MEU DREAMCAST PARA CONCERTO,MAS OLHEM QUE ABSURDO, O CARA DISSE QUE A LENTE JÁ ERA E UMA NOVA ADVINHEM QUANTO CUSTA...450 REIAS SEM A MÃO DE OBRA DO LADRÃO DO TÉCNICO(mas ele deixou para concertar acho que é para não me desapontar,vou dar a idéia de comprar um console Japonês acho que tá nesse preço..é bem melhor né?),MAS MESMO ASSIM ME PASSOU UM SABÃO PARA TER MAIS CUIDADO QUANDO FOR FAZER AQUILO(eu tô com complexo de masturbação... toda hora que pinta vontade...fico na maior paranoia de estragar alguma coisa de sujar alguma coisa...acho que isso marcou minha vida pra sempre!)" PARA TODAS AS PESSOAS DESTE FORUM QUE TENTARAM ME AJUDAR "OBRIGADO" NÃO SE MASTURBEM PERTO DE VIDEOGAME PODE QUEBRAR (isto tinha que vir no manual do aparelho) Valeu amigos!" E assim termina a saga ... É só !
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2020.11.23 17:02 BlindEyeBill724 A teodiceia e o problema do mal e o sofrimento

A teodiceia e o problema do mal e o sofrimento

Necro recentemente postou uma tradução dessa entrevista com Stephen Fry, o tópico subjacente é aquele que chamamos de teodiceia, a defesa da bondade e perfeição divina quanto ao fato do mal e do sofrimento no mundo, primeiramente preciso agradecer ao Necro pela tradução. Espero que consiga trazer alguma luz sobre a perspectiva cristã a respeito, isso é, segundo meu parco entendimento.
Foi postado originalmente em ->
https://www.reddit.com/ateismo_bcomments/jz7a6stephen_fry_sobre_deus_transcrição_e_tradução_nos/?utm_source=share&utm_medium=web2x&context=3
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Tradução (de Necro):
Entrevistador: Suponha que seja tudo verdade, e você caminha até os Portões Perolados e é confrontado por Deus. O que Stephen Fry diria a ele, a ela ou aquilo?
Stephen Fry: Eu basicamente - isso é teodicee - eu acho que diria; "Câncer ósseo em crianças? Do que se trata? Como você ousa? Como você ousa criar um mundo em que haja tanta miséria que não é nossa culpa? Não é certo, é totalmente, totalmente mal. Por que eu deveria respeitar um caprichoso, mesquinho Deus estúpido e mesquinho que criou um mundo tão cheio de injustiça e dor? É o que eu diria.
Entrevistador: E você acha que você iria entrar?
Stephen Fry: Não, mas eu não gostaria. Eu não gostaria de entrar em seus termos. Eles estão errados. Agora se eu morresse e fosse Plutão, Hades e fossem os 12 deuses gregos, então eu teria mais trabalho porque os gregos eram ..., eles não fingiam não ser humanos em seus apetites, em seus caprichos e em sua irracionalidade. Eles não se apresentavam como sendo oniscientes, sábios, gentis, benéficos. Porque o deus que criou este universo - se foi criado por um deus - é claramente um maníaco, um maníaco absoluto, totalmente egoísta, total. Temos que passar nossa vida de joelhos agradecendo a ele? Que tipo de deus faria isso? Sim, o mundo é muito esplêndido, mas também contém insetos cujo ciclo de vida é para penetrar nos olhos das crianças e torná-las cegas. Eles comem para fora dos olhos. Por quê? Por que você fez isso conosco? Você poderia facilmente ter feito uma criação na qual isso não existisse. Simplesmente não é aceitável.
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Ainda que não consiga fazer por hora uma exposição sistemática da Teodiceia, que é um tema, aliás, muito difícil, não só intelectualmente, mas existencialmente, pois o sofrimento humano merece muito respeito, pondero, porém, o seguinte:
1-Quantos às representações:
1.1- As descrições são simbólicas, servem de facilitador à inteligência, o literalismo não é uma posição aceita e defensável em todos os casos. A vida no post-mortem (os ateus deverão perdoar-me a expressão) é um problema seríssimo, não tanto quanto a sua possibilidade, mas à sua natureza. As expressões simbólicas, portões, cidades, ilhas, são imagens que tentam apreender algo dessa existência, o raciocínio é mais ou menos o seguinte: -As explicações surgem da apreensão de uma unidade subjacente à multiplicidade, isso também servia no plano das qualidades, dos conteúdos da consciência (que são negados por princípio pela cosmovisão moderna-científica como meramente subjetivos, só o quantitativo seria real propriamente, os antigos consideravam o belo e o bom como conteúdos objetivos), ora, logo chegaram à uma intuição de um Princípio, uma unidade última. Isso conjuntamente acontecia com uma apreensão simbólica do real (a inteligência não consegue prosseguir claramente sem o auxílio de imagens), da mesma forma que a luz do Sol ilumina todas as coisas esse Princípio dá inteligibilidade (analogicamente visibilidade) à todo o real (todo o mundo, como Sol faz), o oceano, por exemplo, possui a insinuação do infinito, etc. Ora, são formas de se aproximar imageticamente de uma apreensão confusa que só adquire um desenvolvimento mais claro na filosofia (pensemos primeiramente aqui na filosofia grega), três processos devem ser aplicados para se ganhar inteligibilidade aqui, uma "desantropomorfização" (ou seja, mostrar que o Princípio se diferencia do humano, essa confusão é fácil de se fazer porque o ser humano é bastante peculiar no kosmos), e uma "desimagetização", distanciar o Princípio das formas simbólicas usadas para apreende-lo confusamente, é o método apofático que em Aristóteles se encontra na teoria da abstração e em Platão no método aferético, essa conquista na inteligibilidade do Princípio é incorporado no Cristianismo, por absorção histórica, e pela própria Bíblia, igualmente houve um esclarecimento quanto às consequências lógicas do Princípio, não tenho palavras, criarei uma, "principiação", ficou claro que o Princípio tinha de ser único, é o Uno de Plotino, o Bem de Platão e o Motor Imóvel de Aristóteles (a réplica, o que causou a causa primeira? seria recebida com uma risada por todos esses filósofos), essa tensão politeísmo x monoteísmo estava implícita mesmo dentro de politeísmo, como se vê na própria mitologia grega, com alguns mitos, para não entrar em mitos específicos fiquemos com o fato da Hierarquia do Olimpo e o próprio fato simbólico de existir uma Teogonia, uma história dos surgimento dos deuses, fato que aponta à um Princípio. Ora, a forma literal não pode ser usada, assim, como argumento contra a inteligibilidade do afirmado, pois o que se busca apreender não é uma semelhança literal que as palavras não sejam semelhantes não se significa muito, é claro que haverá variáveis culturais, a questão é que o discurso nunca esgotaria, por definição, o assunto qual se trata, todos estão quase na mesma pindaíba quando o assunto é se tratar do Princípio (claro que isso tudo é absurdo se se parte de prima da cosmovisão moderna, mas isso é tópico de metafísica, por hora, só estou dando uma introdução). A dificuldade de inteligir o Princípio é tema famoso da filosofia, não só antiga, mas moderna (vide algumas reflexões de Wittgenstein), vejam porque, se um mesmo princípio explica os aspectos quantitativos e qualitativos do real, é claro que não pode ser nem completamente quantitativo nem completamente qualitativo. Todo meu intuito aqui é mostrar por onde se vê o quão baixo é o buraco, pois a questão é esta, o "buraco é mais embaixo", os antigos também distinguiam entre intellectus e ratio, a inteligência enquanto articulação discursiva e inteligência enquanto apreensão intuitiva, o moderno acaba pensando muito na ratio, a intuição não é a mesma coisa que a ratio, meio que é a diferença entre “demonstração” e “mostração”. Coisas simples se encontram aqui, por exemplo, árvores sagradas, vacas, a questão é que um simbolismo é aceito como sagrado em determinada comunidade por uma semelhança analógica com o Princípio, dá para se dizer que tudo tem um certo aspecto analógico, é algo que se deriva de uma postura social quanto ao sagrado e sua expressão simbólica, nada aqui de absurdo a não ser, é claro, que se analise a coisa por uma perspectiva completamente diversa da clássica (todas as coisas terem alguma forma de analogia é o que São Tomás de Aquino chamava de Analogia Entis)
1.2- Faço essa crítica das representações porque me parece um pouco de retórica tirar sarro das expressões religiosas, o que não me parece muito produtivo (é claro, os religiosos cometem os mesmos equívocos muitas vezes, não to aqui para dizer quem é concretamente o melhor), por exemplo, falar “e fosse Plutão, Hades e fossem os 12 deuses gregos”, acaba caindo numa confusão que eu penso ter esclarecido um pouco no parágrafo anterior, mas pelo menos é algo mais próximo da verdade, e isso um cristão pode facilmente admitir. Outro equívoco um pouco maior de representação é confundir a ideia de “Deus”, “deuses” com seres imaginários como unicórnios e dragões, ainda que exista algo de analogia sempre possível, pensar em “Deus”, “deuses” como categorias puramente imaginárias é um tanto confuso, a imaginação pura não tem nada a ver com toda essa discussão acerca do Princípio, do simbolismo, etc, nossa consciência tem uma certa “intencionalidade”, o que uma pessoa intenciona ao falar dos deuses não tem nada a ver com a intenção subjacente à uma pessoa que cria imagens arbitrárias em sua mente, claro, nenhum dos dois tem meios de prova empírica de acordo com o método científico, e por tomarem ambos nesse aspecto que partem do pressuposto que são iguais, mas isso é um pressuposto que na cosmovisão clássica soaria muito frágil.
1.3- Outro tópico paralelo é o da complexidade da Bíblia (me parece que isso pode ser levantado) , porque o discurso não é mais claro? Ora, não seria pretensioso crer que a Bíblia tenha que ser um livro escrito segundo uma cosmovisão que só viria a existir mais de mil e quinhentos anos depois? Ela não parece contraditória simplesmente pela perspectiva qual adotamos? A filosofia clássica , por exemplo, tem em seus textos um princípio não de informação, mas de formação da alma (isso foi percebido justamente a partir da percepção das contradições do pensamento clássico), a ideia não era transmitir uma doutrina, mas realizar a elevação do aluno ao bem, a Bíblia não pode um princípio semelhante? Ela tem de ter uma linguagem simples e simbólica, ademais, sua contradições podem ser remetidas à complexidade mesma do Princípio, é claro, muita das alegadas contradições podem ser resolvidas com o uso da razão, pela meditação no Princípio e pela análise do mundo natural (o que não significa necessariamente a análise científica, falo da análise a partir da razão natural, que é basicamente toda inteligência do homem sem necessidade de uma Revelação), o mundo natural é uma espécie de outro livro, pois também escrito analogicamente por Deus. Na própria filosofia grega se vê que muitas vezes é mais o Princípio que se revela do que nós que o alcançamos (penso em Plotino principalmente, mas se vê antes), a ideia não era absurda na cosmovisão clássica justamente pela consciência que tinham disso. É claro, não estou nem arranhando a questão, eu só to dando os primeiros lampejos necessários à inteligibilidade do problema. Ver por exemplo a ideia de “portões perolados” com a ideia bíblica de que ninguém viu o que espera a alma no paraíso, são contraditórios, mas se apreende algo quando se considera a tensão entre simbolismo (portões perolados, algo belo que simboliza a passagem) e ninguém jamais viu (precisão inteligível, pois quebra o vício representacional comum).
2.Quanto à questão mesma, o mal e o sofrimento;
Nunca me estenderia o suficiente nesse tópico, o que eu posso oferecer são lampejos da visão comum somados às minhas próprias perspectivas, fundadas no que eu sei de Teodiceia. Me concentrarei num breve trecho, e devo dizer que esse tópico é bem mais complexo do que o anterior:
“Porque o deus que criou este universo - se foi criado por um deus - é claramente um maníaco, um maníaco absoluto, totalmente egoísta, total. Temos que passar nossa vida de joelhos agradecendo a ele?”
Fry esta, sem dúvida, no caminho certo, esta realizando, quer queira quer não, um esclarecimento, pois reconhece uma contradição na natureza de Deus, está fazendo uma crítica, ainda que errada, a partir de um conceito correto de Deus, Deus se existir tem que ser perfeito, pois é Princípio, mas o mundo não é perfeito, é mal, o criador (na filosofia clássica diriam o demiurgo) deve ser mal, logo, Deus não existe, pois não pode ser perfeito, nem ao menos bom. É verdade que se Deus é um maníaco ele não é Deus, a não ser que estivéssemos num mundo fictício onde tudo esteja invertido, como nas histórias de terror de Lovecraft, os nos desvarios gnósticos. E se o mundo for realmente mal temos um problema. Existem algumas coisas que devem ser ditas:
-O mundo ser perfeito não implica que picanhas assadas deem em árvore, que tenhamos uma vida eterna sem nenhum risco, estaríamos agindo assim como crianças mimadas, e isso seria uma corrupção à nossa própria existência, a situação do mundo atual jamais fez com que os filósofos clássicos deixassem de cantar elogios ao Logos de todo o universo, por que?
-Para que o ser e não o nada, por que o Princípio engendraria o kosmos? É um ato de expansão (digo, é claro, num sentido muito limitado, o discurso Teológico não é a mesma coisa que a Lógica de Theos, que escapa por definição de toda criatura), transbordamento, não é um ato de fechamento egóico (é um ato de amor, eis a analogia suprema de Cristo), se fosse egoísta não teria criado nada, querer um mundo perfeito para nossos desejos é simplesmente realizar um fechamento, na perspectiva cristã e do pensamento clássico o que temos que fazer é abandonar a ilusão de querer que o universo se dobre à nossa vontade (isso não é uma crítica à ciência, não enquanto ela seja um desejo de compreensão autêntico, na modernidade há, de fato, um interesse na dominação, conhecimento é poder, como disse, se não me falha a memória, Francis Bacon). Mas para que abandonar o prazer? Por uma alegria maior que se encontra próxima do Princípio, origem de toda alegria e bem e prazer, para alcançá-la temos que realizar uma espécie de Imitatio Dei, imitação de Deus, do Princípio, em seu transbordamento amoroso. Que prazer e que alegria são esses, são ilusões post-mortem? Promessas vazias? Esse aqui é outro ponto da experiência religiosa, um tópico que eu preferia abordar numa exposição mais avançada, de um lado a experiência é simbólica-lógica (por simbolismo e aproximação noética do Princípio) por outra ela é de certa forma unitiva e extática, essa experiência é como se fosse uma “amostra”, mas ela não se insere nas experiências tidas como válidas nos experimentos científicos. Por exemplo, da mesma forma que o avanço e a comprovação de alguns aspectos da física quântica exigem laboratórios milionários, que realizam experiências de ponta e conhecimentos matemáticos avançados por parte dos físicos para serem interpretadas, existem experiências espirituais extraordinárias, que se dão em situações extraordinárias (p.ex, em mosteiros, com santos, etc), da mesma forma é construída uma relação de confiança com os dados obtidos pelos laboratórios e pelos membros dessa tradição (o físico quântico se aproxima da verdade da matéria, o místico do Princípio, de forma que a comum das pessoas não conseguem alcançar), relação de confiança entre esses membros e demais pessoas que assentem à essas tradições, nestes termos sociológicos-analógicos, são o mesmo, mas nem toda experiência desse tipo se dá numa “elite espiritual”, existem experiências extáticas em situações extremamente prosaicas, elas estão muito próximos das experiências estéticas (da arte), mas esse tópico é muito complexo.
-Então, da mesma forma que crianças mimadas acabam se tornando pessoas infelizes e superficiais, um mundo sem sofrimento nos levaria à superficialidade e ao desespero (aqui podemos pensar na narrativa simbólica do Éden, podem querer conversar sobre a árvore do conhecimento, mas por hora escapa ao tópico). O sofrimento não é, igualmente, a mesma coisa que desespero, que não raro está vinculado ao fechamento da consciência à um sentido que ultrapassa toda nossa miséria, Viktor Frankl, criador da logoterapia, teve grande parte de seu insight quando se tornou prisioneiro num campo de concentração alemão, ele se perguntou o por que algumas pessoas ficavam depressivas enquanto outras permaneciam sãs e, em certa medida, eram felizes? Elas encontraram um sentido (a logoterapia enfoca a questão do sentido e sua relação com a psiquê). O sofrimento serve para ser aliviado, pela Imitatio Dei e o sofrimento em nós mesmos tem um sentido também espiritual. Isso tem tantas analogias e semelhanças com a cosmovisão clássica que eu me estenderia demais se as deslindasse.
-Agora, o sentido espiritual do sofrimento não significa que devemos chicotear nossas costas e que eu to dizendo que compreendo o porque crianças nascem mortas e tanta desgraça há no mundo! Longe disso. Agora, se sabemos que a morte e essas coisas são um mal deve-se ao fato de que reconhecemos pela própria inteligência que a existência é um bem, é daí que se dá o próprio absurdo de sua perda, sem isso a apreensão do que dizemos se torna ela mesma absurda. Obviamente não sou um otimista num sentido ingênuo como satirizou Voltaire na famosa sátira (Cândido), o que possuo é uma espécie de otimismo ontológico, a aceitação do argumento pressupõe uma distinção entre nossa experiência psicológica e a estrutura do real, e que deve existir, por ser bom, um esforço consciente de adaptação da realidade psicológica à realidade mesma.
-E aqui repetirei uma reflexão que compartilhei anteriormente e ecoa a posição clássica sobre a prioridade ontológica do bem sobre o mal. Se só pode o mal existir como sombra de um bem, de forma que só podemos sentir fome pelo fato primeiro de termos o bem maior de existirmos e termos, primeiramente, uma barriga, devemos dizer mais, com Dickens, que “a dor de partir não é nada em comparação com a alegria do reencontro”, que a dor da fome é infinitamente menor do que o prazer de comer, que a própria morte pertence à dialética de nosso encontro conosco, que a própria privação não existe per se. O que devemos admitir, então, é uma terrível verdade, a que o próprio sofrimento é não tanto uma ausência da felicidade, mas é a própria felicidade de existir, e que somos nós que não compreendemos o verdadeiro significado da felicidade intrínseca à toda existência qual incluí, em si mesma, o que convencionamos chamar de sofrimento. Dizer que a vida é sofrimento seria o mesmo que dizer que quando jogamos um feixe de sombras criamos a luz por consequência. Tudo que se vê no fim é a própria luz. Se o abismo parecesse estender-se ao infinito, ainda assim seria a gotícula de luz que traria a ele visibilidade , e sobre ela jamais o veríamos triunfar.
-A justiça desse mundo depende do post-mortem, da questão da imortalidade da alma que, para os antigos e os cristão, é algo que se intui, ainda que confusamente, da seguinte forma, a ordem no kosmos é imaterial, pode-se pensar nas leis da natureza, como a compreenderíamos se não tivéssemos uma parte imaterial? Não é absurdo crer que perdure tendo em vista a duração dos fenômenos naturais. É claro, longe de mim discutir isso agora, e nem estou argumentando, estou citando um ponto en passant.
Por fim, dizer “temos que passar nossa vida de joelhos agradecendo a ele?” é realmente absurdo, tendo-se em vista que ele é o Principio por detrás do andar das próprias pernas. Próprio Princípio da inteligibilidade e da criatura mesma que, intelectual, espanta-se com o mal e busca remediar as moléstias deste mundo.

É isso, qualquer consideração, opinião, acréscimo, correção, é só mandar. Abraços a todos.
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2020.11.20 15:15 BlindEyeBill724 Praeambula Fidei, artigo do Prof.Edward Feser

Praeambula Fidei, artigo do Prof.Edward Feser


Segue a tradução do artigo do Prof.Edward Feser em torno do Praeambula Fidei (por que isso é importante à apologética cristã, ver o post introdutório deste subrredit¹), encontrado originalmente em → http://edwardfeser.blogspot.com/2012/01/point-of-contact.html, com alguns outras traduções contextuais para que o leitor tenha acesso facilitado. Também realizarei alguns comentários quando julgar pertinente, espero que aproveitem algo (os comentários seram precedidos de CT, comentário do tradutor).
PONTO DE CONTATO
Bruce Charlton identifica seis problemas para os apologistas cristãos modernos² e propõe uma solução. Suas observações são todas interessantes, mas eu quero me concentrar no primeiro e mais fundamental dos problemas que ele identifica, que é que o conhecimento metafísico e moral que mesmo os pagãos tinham no mundo antigo não pode mais ser tomado por certo:
O cristianismo é um salto muito maior da modernidade secular do que do paganismo. O cristianismo parecia a conclusão do paganismo - um ou dois passos adiante na mesma direção e construindo sobre o que já estava lá (na cosmovisão clássica, CT): as almas e sua sobrevivência além da morte, a natureza intrínseca do pecado, as atividades de poderes invisíveis e assim por diante. Com os modernos, não há nada sobre o que construir (exceto talvez memórias de infância ou realidades alternativas vislumbradas através da arte e da literatura).
Desse problema seguem-se muitos outros, continua Bruce:
O Cristianismo moderno, conforme experimentado pelos convertidos, tende a ser incompleto - precisamente porque o Cristianismo moderno não tem nada sobre o que construir. Isso significa que o Cristianismo incompleto moderno carece de poder explicativo, parece ter pouco ou nada a dizer sobre o que parecem ser os principais problemas da vida. Por exemplo, o Cristianismo moderno parece não ter nada a ver com política, direito, arte, filosofia ou ciência; habitar um reino minúsculo e cada vez menor, isolado das preocupações diárias. O cristianismo moderno frequentemente exclui milagres; pecado original; o nascimento virginal, a encarnação e a natureza dual de Cristo; A morte, ressurreição e expiação de Cristo; a Santa Trindade; anjos, demônios e guerra espiritual invisível e assim por diante - mas sem esses e outros elementos, o cristianismo não se mantém unido nem satisfaz o anseio humano.
E
O Cristianismo moderno muitas vezes parece superficial - parece confiar demais no ditame das Escrituras e da Igreja - isso porque os modernos carecem de uma base nas percepções espontâneas da Lei Natural, do animismo, do senso de poder sobrenatural ativo na vida cotidiana. O Cristianismo moderno (após a primeira onda de experiência de conversão), portanto, parece seco, abstrato, legalista, proibitivo, não envolvente, sem propósito.
Como se costuma dizer, leia tudo. Acredito que haja muita verdade no que Bruce tem a dizer. Para ter certeza, nem por um momento penso (e presumo que Bruce não pense) que o Cristianismo realmente é "superficial", "incompleto", "seco", "sem propósito", desprovido de “Poder explicativo”, com “nada para construir” por meio de um terreno comum com a modernidade secular, etc. Muito pelo contrário. Mas concordo que pode parecer assim para muitas pessoas modernas. (Parecia mais ou menos assim para mim em meus dias ateus, antes de descobrir o que o Cristianismo, e em particular o Catolicismo, realmente disse - isto é, o que seus maiores representantes realmente sustentaram historicamente, em contraste com as distorções do cristianismo, seja liberal ou fundamentalista, que o substituiu em grande parte da opinião pública.)
O problema, em parte, é de circunstâncias históricas e culturais. Veja um exemplo simples, a descrição cristã de Jesus Cristo como Senhor e Salvador. Para as pessoas modernas, esse tipo de conversa pode soar insuportavelmente piegas; na verdade, às vezes acho isso insuportavelmente piegas, a menos que o contexto seja capaz de neutralizar as terríveis associações culturais que passaram a cercá-lo. Portanto, se estou ouvindo uma referência a Jesus como Senhor ou Salvador no contexto da Missa (seja a forma extraordinária ou a forma ordinária celebrada de forma digna), isso não me incomoda de forma alguma; mas se o ouço proferido por um televangelista, sinto (talvez como um Dawkins ou um Hitchens sentiriam) uma necessidade irresistível de mudar de canal.
Pense, porém, nas associações que uma palavra como “Senhor” teria para alguém no mundo antigo ou medieval - faria lembrar um imperador ou um aristocrata. Pense no que "Salvador" significaria em um contexto cultural onde antigas comunidades locais estavam sendo engolidas por impérios implacáveis ​​e aparentemente invencíveis, e onde sistemas morais rigoristas como o estoicismo e o neoplatonismo competiam pela lealdade da intelligentsia - isto é, digamos, onde as pessoas tiveram uma sensação contínua de estarem em perigo físico real e de fracasso moral pessoal contínuo. Uma descrição de Jesus de Nazaré como "Senhor" e "Salvador" teria o reverso das conotações sentimentais e efeminadas que os secularistas ouvem agora - pode trazer à mente um Constantino severo cavalgando para o resgate a cavalo, digamos, em vez de um Mister Rogers com cabelo comprido e sandálias, pronto com um sorriso e um Band Aid para nossa estupidez espiritual.
Combine a política igualitária, a moral fácil e a riqueza relativa e a estabilidade social das últimas décadas, e poucas pessoas no mundo secular moderno estão procurando por um Senhor ou Salvador no sentido que os antigos e medievais teriam entendido. Adicione a isso o fato de que "Jesus é o Senhor!" tornou-se a expressão de uma religiosidade emocional e terapêutica veiculada por meio de camisetas, adesivos de para-choque e música ruim produzidos em massa, e toda a ideia é destinada ao secularista moderno a parecer ininteligível e repulsivamente cafona. (Raspe um Novo Ateu e você frequentemente descobrirá que este é o tipo de coisa contra a qual ele está reagindo, e tudo o que ele conhece do Cristianismo.)
Então, isso é parte do problema. Mas isso pode ser remediado se os proponentes de uma forma de cristianismo muscular e intelectualmente rigorosa - ou seja, do cristianismo simpliciter, como existiu historicamente - redescobrirem sua herança ancestral. Com isso, eles redescobrirão também a herança do mundo pagão e encontrarão nela os recursos para se comunicarem com o homem moderno, na verdade com qualquer homem. Os aristotélicos e os neoplatônicos sabiam que Deus existe, sabiam que o homem não é uma criatura puramente material, sabiam que o bom e o mau são características objetivas do mundo e que a razão nos direciona a buscar o bem. Eles sabiam dessas coisas através de argumentos filosóficos que não perderam nada de sua força, argumentos que foram recolhidos e refinados por pensadores cristãos e que informaram a grande tradição escolástica.
Como o Papa Leão XIII expressou belamente em Aeterni Patris, os tesouros intelectuais dos pagãos são como os vasos de ouro e prata que os israelitas tiraram do Egito, prontos para serem empregados a serviço da verdadeira religião. Assim, a Escolástica, cujo renascimento esta encíclica promoveu, felizmente, adotou tudo o que era de valor no pensamento de gregos e romanos, judeus e árabes. Com filosofia como com arte, literatura e arquitetura, se você quiser aprender o que os maiores não-cristãos têm a oferecer, venha para a Igreja, que o absorve e protege - honrando nossa natureza divinamente dada e seus produtos, mesmo enquanto ela cria eles mais elevados pela graça. Ela lembra ao homem o que ele já sabe, ou pode saber, por meio de seus próprios poderes, antes de revelar a ele verdades que ele não poderia chegar por conta própria. Ela fala com ele em sua própria língua - a linguagem da teologia natural e da lei natural, que são, em princípio, acessíveis a todos, e não têm prazo de validade. Até os secularistas modernos conhecem essa linguagem, pois não são menos humanos do que seus ancestrais pagãos. O problema é que eles falam isso apenas no nível de escola primária ou mesmo no jardim de infância, enquanto o maior dos antigos pelo menos tinha proficiência relativa ao ensino médio. Mas, por meio da educação, eles, como os antigos pagãos, podem ser preparados para o trabalho de pós-graduação proporcionado pela revelação divina.
Esta é, obviamente, a ideia do que Tomás de Aquino chamou de praeambula fidei - os preâmbulos da fé, pelos quais a filosofia abre a porta para a revelação (onde a fé e a revelação, tenha em mente, corretamente entendidas, não são de forma alguma contrária à razão, mas um desenvolvimento - expliquei como na primeira metade de um post anterior³). Mas isso nos leva a outro problema. Como o fariseu que despreza a piedade e virtude sincera do samaritano, alguns cristãos desprezam a teologia natural e a lei natural como ímpias ou pelo menos questionáveis. Eles desprezam a natureza humana e, com ela, qualquer compreensão não-cristã de Deus e da moralidade, como algo totalmente corrupto e sem valor; ou eles estão dispostos, pelo menos verbalmente, a afirmar essa natureza, mas apenas se ela for efetivamente absorvida na ordem da graça, como o monofisista que está disposto a reconhecer a natureza humana de Cristo apenas se primeiro ela for completamente divinizada. Na primeira tendência, somente a fé e as Escrituras devem ser suficientes para trazer alguém ao Cristianismo, os preâmbulos que se danem. Sobre este último, a natureza humana é concebida de uma forma que (para tomar emprestado uma frase do Papa Pio XII) ameaça "destruir a gratuidade da ordem sobrenatural" ao elevar o natural ao sobrenatural, tratando de fato a teologia natural e a lei natural como se apenas o cristão pudesse entendê-los corretamente. Em ambos os casos, o cristianismo pode vir a parecer uma questão de mero diktat (como diz Bruce Charlton) - fideísta, inacessível e irrelevante para o mundo dos não crentes.
A primeira tendência, obviamente, está associada a Lutero e Calvino, embora seja justo reconhecer que há protestantes que resistiram a ela. Ao mesmo tempo, sua própria resistência é frequentemente resistida por seus correligionários, como é ilustrado por uma famosa disputa entre os teólogos protestantes do século 20 Emil Brunner e Karl Barth. Brunner argumentou que a teologia natural representa um "ponto de contato" entre a natureza humana e a revelação divina, pelo qual a primeira pode ser capaz de receber a última (embora mesmo Brunner qualifique sua noção de "teologia natural", para que não implique a certeza da existência de Deus apenas pela razão natural como é afirmado pelo catolicismo). Barth respondeu com raiva (em uma obra com o título conciso "Não!"), Rejeitando qualquer sugestão de que a natureza humana contribui com algo para o "encontro" entre Deus e o homem e argumentando que qualquer "ponto de contato" necessário foi ele próprio fornecido pela revelação, em vez do que a natureza humana. Isso é um pouco como dizer que a bola de bilhar A bate na bola de bilhar B ao atingir, não a superfície de B, mas uma superfície fornecida por A. Se for inteligível, isso apenas empurra o problema para trás: Como a superfície fornecida por A em si tem alguma eficácia vis-à-vis B? E como o “ponto de contato” fornecido pela própria revelação faz qualquer contato com a natureza humana?
Também é justo apontar que alguns pensadores católicos modernos têm opiniões que pelo menos flertam com a segunda tendência que descrevi acima - embora em parte sob a influência de Barth. Hans Urs von Balthasar procurou encontrar Barth no meio do caminho, rejeitando a concepção do estado natural do homem desenvolvida dentro da tradição tomista e central para a Neo-Escolástica promovida por Aeterni Patris de Leo (uma concepção que eu descrevi em um post recente sobre o pecado original). Nessa visão tradicional, o objetivo natural dos seres humanos é conhecer a Deus, mas apenas de uma forma limitada. O conhecimento íntimo e “face a face” da natureza divina que constitui a visão beatífica é algo a que não estamos destinados por natureza, mas é um dom inteiramente sobrenatural que se tornou disponível a nós somente por meio de Cristo. No lugar dessa doutrina, Balthasar colocou o ensino de seu colega proponente da Nouvelle Théologie Henri de Lubac, que sustentava que esse fim sobrenatural é algo para o qual somos ordenados pela natureza. Se é mesmo coerente afirmar que um dom sobrenatural pode ser nosso fim natural, e se o ensinamento de Lubac pode, em última análise, ser reconciliado com a doutrina católica tradicional da "gratuidade da ordem sobrenatural" reafirmada por Pio XII, há várias décadas tem sido assunto de feroz controvérsia. Mas a implicação aparente (mesmo que não intencional) da posição defendida por de Lubac e Balthasar é que não existe uma natureza humana inteligível à parte da graça e à parte da revelação cristã. E, nesse caso, é difícil ver como poderia haver uma teologia natural e uma lei natural inteligível para alguém ainda não convencido da verdade dessa revelação.
Relacionado a isso está a tendência de Etienne Gilson de tirar a ênfase do núcleo aristotélico do sistema de Tomás de Aquino e apresentá-lo como uma "filosofia cristã" distintiva. Como Ralph McInerny argumentou em Praeambula Fidei: Thomism and the God of the Philosophers, a posição de Gilson, como a de Lubac, ameaça minar a visão tradicional tomista de que a filosofia deve ser claramente distinguida da teologia e pode chegar ao conhecimento de Deus à parte da revelação. Essas visões, portanto, “involuntariamente [corroem] a noção de praeambula fidei” e “nos conduzem por caminhos que terminam em algo semelhante ao fideísmo” (p. Ix).
O livro de McInerny, junto com outras obras recentes como O Desejo Natural de Ver Deus de Lawrence Feingold de acordo com São Tomás de Aquino e Seus Intérpretes e Natura Pura de Steven A. Long, marcam uma recuperação há muito esperada dentro do pensamento católico convencional de uma compreensão da natureza e graça que já foi moeda comum, e à parte da qual a possibilidade da teologia natural e da lei natural não pode ser adequadamente compreendida. Nem, eu diria, outras questões cruciais podem ser apropriadamente entendidas à parte dele (como o pecado original, como argumento na postagem vinculada acima). A confusão entre o natural e o sobrenatural também pode estar por trás de uma tendência em alguns escritos católicos contemporâneos de enfatizar exageradamente os aspectos distintamente teológicos de algumas questões morais. Por exemplo, uma exposição da moralidade sexual tradicional que apela principalmente ao Livro do Gênesis, a analogia do amor de Cristo pela Igreja ou a relação entre as Pessoas da Trindade pode parecer mais profunda do que um apelo (digamos) ao fim natural de nossas faculdades sexuais. Mas o resultado de tal ênfase teológica desequilibrada é que para o não crente, a moralidade católica pode (novamente para usar as palavras de Bruce Charlton) falsamente "parecer confiar somente no ditame da Escritura e da Igreja" e, portanto, apelar apenas para o relativamente "minúsculo e encolhido reino” daqueles dispostos a aceitar tal afirmações. Não conseguirá explicar adequadamente àqueles que ainda não aceitam os pressupostos bíblicos da "teologia do corpo" do Papa João Paulo II ou de uma "teologia da aliança da sexualidade humana", apesar de seus méritos, exatamente como o ensino católico é racionalmente fundamentado na natureza humana, em vez do comando divino ou eclesiástico arbitrário. A graça não substitui a natureza, mas a aperfeiçoa; e um relato que enfatiza fortemente o primeiro sobre o último está fadado a parecer infundado.
O próprio falecido percebeu isso, quer todos os seus expositores o façam ou não. Em Memória e Identidade, ele diz:
Se quisermos falar racionalmente sobre o bem e o mal, devemos retornar a Santo Tomás de Aquino, ou seja, à filosofia do ser [ou seja, à metafísica tradicional]. Com o método fenomenológico, por exemplo, podemos estudar experiências de moralidade, religião, ou simplesmente o que é ser humano, e tirar delas um enriquecimento significativo de nosso conhecimento. Porém, não devemos esquecer que todas essas análises pressupõem implicitamente a realidade do Ser Absoluto e também a realidade do ser humano, ou seja, ser uma criatura. Se não partirmos dessas pressuposições “realistas”, acabamos no vácuo. (p. 12)
E no capítulo V da Fides et Ratio ele advertiu:
“Há também sinais [hoje] de um ressurgimento do fideísmo, que não reconhece a importância do conhecimento racional e do discurso filosófico para a compreensão da fé, na verdade, para a própria possibilidade de crença em Deus. Um sintoma atualmente difundido dessa tendência fideística é um “biblicismo” que tende a fazer da leitura e exegese da Sagrada Escritura o único critério de verdade
Outros modos de fideísmo latente aparecem na escassa consideração concedida à teologia especulativa, e em desdém pela filosofia clássica da qual os termos da compreensão da fé e da formulação real do dogma foram extraídos. Meu venerado Predecessor, o Papa Pio XII, advertiu contra esse descaso com a tradição filosófica e contra o abandono da terminologia tradicional.”
E o Catecismo promulgado pelo Papa João Paulo II, citando Pio XII, afirmava que:
A razão humana é, estritamente falando, verdadeiramente capaz por seu próprio poder natural e luz de alcançar um conhecimento verdadeiro e certo do único Deus pessoal, que zela e controla o mundo por sua providência, e da lei natural escrita em nossos corações pelo Criador. (par. 37)
Há uma razão pela qual o primeiro Concílio Vaticano, embora insistindo que a revelação divina nos ensina coisas que não podem ser conhecidas apenas pela razão natural, também ensinou que:
A mesma Santa Mãe Igreja sustenta e ensina que Deus, a fonte e o fim de todas as coisas, pode ser conhecido com certeza a partir da consideração das coisas criadas, pelo poder natural da razão humana.
E
Não só a fé e a razão nunca podem estar em conflito uma com a outra, mas elas se apoiam mutuamente, pois por um lado a razão justa estabeleceu os fundamentos da fé e, iluminada por sua luz, desenvolve a ciência das coisas divinas ...
E
Se alguém disser que o único, verdadeiro Deus, nosso criador e Senhor, não pode ser conhecido com certeza das coisas que foram feitas, pela luz natural da razão humana: seja anátema.
E
Se alguém disser que a revelação divina não pode se tornar crível por sinais externos e que, portanto, os homens e as mulheres devem ser movidos à fé apenas pela experiência interna ou inspiração privada de cada um: que seja anátema.
E
Se alguém disser ... que os milagres nunca podem ser conhecidos com certeza, nem a origem divina da religião cristã pode ser provada deles: que seja anátema.
O objetivo de tais anátemas não é resolver por decreto a questão de se Deus existe ou se os milagres realmente ocorreram; obviamente, um cético ficará comovido, se for o caso, apenas por receber argumentos reais para essas afirmações, não pela mera insistência de que existem tais argumentos. Os anátemas são dirigidos ao cristão subjetivista e fideísta que rejeitaria a exigência do ateu de que a fé fosse dada uma defesa objetiva e racional e que, assim, faz do Cristianismo motivo de chacota. Pregar o cristianismo aos céticos sem primeiro definir o praeambula fidei, e depois reclamar quando eles não o aceitam, é como gritar em inglês com alguém que só fala chinês e, em seguida, descartá-lo como um tolo quando ele não o entende. Em ambos os casos, embora certamente haja um tolo na foto, não é o ouvinte.
________________________
¹- Em https://www.reddit.com/ApologeticaCrista/comments/jx3m63/uma_breve_introdu%C3%A7%C3%A3o_pessoal_%C3%A0_apolog%C3%A9tica_crist%C3%A3/
²- Os pontos de Bruce Charlton quais o Prof.Edward Feser se refere, e quais não cita em seu artigo são os seguintes:
  1. A ausência de judaísmo
O Cristianismo moderno tem que passar sem os séculos de tradição judaica desenvolvendo uma compreensão da natureza de Deus, os profetas e suas profecias, a vida devocional dos Salmos etc; mas os cristãos modernos têm que descobrir tudo isso do zero e por si próprios, e muitas vezes não conseguem.
  1. Confusão
A vida moderna é hedônica, distraída - frequentemente drogada. Consequentemente, as pessoas muitas vezes não sabem ao certo a natureza da vida. Além disso, nas últimas décadas, a cultura dominante tem sido ativamente contra o Bem. A arte moderna é anti-beleza, as filosofias modernas são anti-verdade, a moralidade moderna é uma inversão do Direito Natural. A propaganda (implícita e explícita) inculca que os ideais espontâneos dos humanos (religião nativa, diferenças sexuais, família, nação, lealdade, coragem) estão errados. Em suma, os modernos estão profundamente (deliberadamente) confusos sobre questões profundas. Portanto, os apologistas cristãos modernos têm que explicar a condição humana, a natureza básica da vida; antes de explicar como o cristianismo é a resposta.
  1. Inoculação anticristã
A cultura dominante agora se inocula especificamente contra o Cristianismo e os pré-requisitos do Cristianismo. Ele fornece argumentos prontos, fundamentados no hedonismo materialista moderno, para serem usados ​​contra todas as evidências ou etapas de argumentação que possam levar ao Cristianismo, se rigorosamente seguidas. A apologética cristã não pode avançar um passo sem eliciar esses slogans, e a impaciência moderna, a distração e um curto espaço de atenção fazem o resto. Que esses argumentos materialistas hedônicos sejam circulares, incoerentes e infundados é irrelevante na prática; porque eles efetivamente bloqueiam o desenvolvimento de uma metafísica alternativa da qual sua invalidade seria aparente.
3- http://edwardfeser.blogspot.com/2011/09/modern-biology-and-original-sin-part-ii.html
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2020.11.20 10:43 darkstep1312 A Pseudo-Troca da Monarquia à República

Olá eu vim através deste texto vim conversar a respeito de um tópico que é o periodo aonde a burguesia e o clero juntos decidiram agradar e apaziguar as massas camponesas pois mesmo naquela época as organizações trabalhadoras e camponesas começavam a expressar perigo.
Gostaria de dizer e pedir aos amigos e inimigos que pudessem entender que estou fazendo uma análise inclusive para quem tem uma religião e ainda acredita nestes sistemas de controle que você irá chegar em uma verdadeira forma de espiritualidade mesmo que sua tradição que você escolheu apresente algumas deturpações e algumas coisas inusitadas.
Eu gostaria de conversar com vocês a respeito de um mito e do povo rico que acredita neste mito .
Eles acreditam que durante a construção do Templo de Salomão um homem chamado Hiram Abiff foi injustamente assassinado por judeus que queriam os segredos do mestre pedreiro e algumas senhas. Portanto , este mesmo Hiram Abiff aparece muitas e muitas vezes em diversos personagens da história , sempre em regimes opressivos e totalitários . Este mesmo apareceu como Rei de Tiro segundo estes mesmos ricos afirmam , Tiro era como um grande império muito rico dominante que explorava que matava tudo que eles conseguiam , dizem que este personagem apareceu como Rei de Tiro e como muitos outros personagens históricos e até hoje através de morte místicas e dos adeptos eles tentam trazer este personagem para a psiquê daqueles personagens políticos importantes que passam pela morte ritual para ver se suportam a energia do governante do mundo material .
Este povo rico está dentro de cada uma das religiões organizadas e eles tem relicários e informações e livros importantes sobre cada uma das mesmas , trancam muitas verdades a respeito de várias tradições tudo que nós temos hoje disponível em forma de organização religiosa com aval do estado é dominado por estes homens ....
Vou utilisar aqui o exemplo mais clássico para o brasileiro aonde o catolicismo e o cristianismo protestante é mais dominante . Por exemplo , se vocês olharem Martinho Lutero era um iniciado pedreiro-livre membro assíduo do catolicismo que nunca deixou de ser católico e introduziu uma série de sutilezas para poder dominar os religiosos como eles bem precisassem dentro de poucos anos. Você pode ver muitas semelhanças entre a igreja evangélica e católica os casos de escândalo com pedofilia e abuso sexual que sempre acontecem , oque nunca acontece é a igreja perder seu tão amado ouro e seus pobres devotos que acreditam de pé juntos nas suas mentiras pseudo religiosas. Religião não era para ser algo ruim mais esta sociedade tornou a religião apenas mais uma forma de controle ... vemos que por exemplo na igreja evangélica não existe nada cristão que condiz com as escrituras , você ve o povo dizer que adora a deus da boca para fora que é só dizer que aceita jesus que ele pode ter mata uns 100 que ta perdoado , todo esse tipo de heresia vem da ordem dos pedreiros livres , estas sutilezas , pois os primeiros pastores das primeiras igrejas brasileria a batista, presbiteriana , cristã do Brasil , todos eram pedreiros livres se você colocar os nomes deles no site da maçonaria você irá ver a carinha deles na confraria ... assim como no budismo e no hare krishna vai ver os caras do desapego de carrão pedindo ouro para manter o templo que é revertido para a sociedade secreta e também vai ver O slogan da campanha eleitoral do presidente Jair Bolsonaro (PSL) foi adotado pelo Grande Oriente do Brasil no Rio de Janeiro, uma das principais instituições maçônicas do país, para o ano de 2019. Em seu primeiro ato após o recesso de final de ano, em 21 de janeiro, o grão-mestre Edimo Muniz Pinho assinou o decreto que intitulou este ano como "2019: Brasil acima de tudo, GADU acima de todos". A sigla GADU significa Grande Arquiteto do Universo, que, para os maçons, representaria o criador do universo ... então se vocês acham que estou falando sobre religião vocês estão enganados , eu estou falando sobre os que querem controlar e estão controlando a mesma estão em todos os setores , se você pega qualquer religião eles estão lá .
O melhor jeito de sair da forma de controle , eu mesmo sou anarquista não sou ateu , apenas não sou religioso , meu caminho é apenas olhar para dentro de mim e observar eu sei que a verdade está contida em nós e no momento presente e não no futuro e no passado como as religiões tentam nos vender . Nada disto importa , o que importa é ajudarmos uns aos outros , viver o momento presente sem arrependimentos e é claro defender a vida .
Pois muitos de nós sabemos escândalos de homocídio , sacrifícios e rituais estranhos dentro de cada setor religioso , tudo isto toda esta morte as ideologias para causar divisão e mortes é apenas sacrifício para trazer Hiram Abiff de volta , eles acreditam que o mesmo precisa de muito sangue para voltar pra terra , somente durante uma guerra ou à beira da mesma e com muitos sacrifícios , em uma figura totalitária é que le poderá ser canalizado pela ordem ancestral que foi responsável pela transição da monarquia para a república , pelo feudalismo , pelo advento da igreja católica e do catolicismo romano , da transição da época das trevas para o iluminismo , a globalização e toda pseudo tecnologia que nos destrói e não nos serve pois para ser tecnologia deve servir ao progresso da humanidade , se não é apenas regresso disfarçado de aparato bonito complicado .
Toda forma de controle envolvendo hierarquia tem o dedo deles portanto vamos nos focar na realidade , no presente , viver o agora com amor salvando o máximo de vidas possíveis .
Pois a ordem trabalha apenas para a morte por isso instruem os presidentes a fazer queimadas , recusar a ciência e estimular os mesmos a não usar máscaras por exemplo , eles mesmos que provavelmente fizeram o tal covid . . . e todas pandemias desde a idade média é fruto dos rituais dele uma mistura de pseudo ciência e espiritualidade , aonde os mesmos em seus laboratórios com suas canalizações criam armas de destruição em massa e biológicas . . .
Estes mesmos odeiam a natureza , os animais , pessoas , alimentos , frutas e a água pois eles acreditam que a natureza é inimiga deles e eles precisam subverter ela isso é o ensino do grande arquiteto do universo que através de reis e de raínhas dominam sobre vocês todos ... a muito tempo.
Eles estão tentando destruir tudo para colocar ar artificial , água artificial , pessoas artificiais geneticamente feitas em laboratório , fazendas de humanos , água artifical e a comida artificial vocês já usam e está nos supermercados é transgênica , gorda , barata e tem o gosto da vida do burguês que nos domina , gosto de nada .
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2020.10.27 23:03 leonardofragas Um guia para ter cultura, por Paulo Francis

Um guia para ter cultura, por Paulo Francis
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Pedem minha ficha acadêmica para jovens vestibulandos… Não tenho. Tentei um mestrado na Universidade Columbia em Nova York 1954, mas desisti, aconselhado pelo professor-catedrático Eric Bentley. Achou que eu perdia o meu tempo. Li toda a literatura relevante, de Ésquilo a Beckett, e sabia praticamente de cor a Poética de Aristóteles. Em alguns meses se lê tudo que há de importante em teatro. Li e reli anos a fio.
Mas, sem o doutorado ou nem sequer mestrado, me proponho fazer algumas indicações aos jovens, que, no meu tempo, seriam supérfluas, mas que, hoje, talvez tenham o sabor de novidade. Falo de se obter cultura geral. É fácil.
Educação era a transmissão de um acúmulo de conhecimentos. Hoje, é uma adulação da juventude, que supostamente deve fazer o que bem entende, estar na sua, como dizem, e o resultado é que os reitores de universidades sugerem que não haja mais nota mínima de admissão, que se deixe entrar quem tiver nota menos baixa. Deve haver exceções, caso contrário o mundo civilizado acabaria, mas a crise é real, denunciada por gente como o príncipe Charles, herdeiro do trono inglês, e por intelectuais como Alan Bloom, que consideram a universidade perdida nos EUA. No Brasil, houve a Reforma Passarinho nos anos 80. A ditadura militar tinha o mesmo vício da esquerda. Queria ser popular. Era populista. Quis facilitar o acesso universitário ao povo, como reza o catecismo populista. Ameaça generalizar o analfabetismo.
Não há alternativa à leitura. Me proponho apontar alguns livros essenciais ao jovem, um programa mínimo mesmo, mas que, se cumprido, aumentará dramaticamente a compreensão do estudante do mundo em que está vivendo.
Começando pelo Brasil, é indispensável a leitura de Os Sertões, de Euclides da Cunha. É curto e não é modelo de estilo. Euclides escreve como Jânio Quadros fala. É cara do far-te-ei, a forma oblíqua de que Jânio se gaba. Mas o livro é de gênio. Nos dá a realidade do sertão, que é, para efeitos práticos, o Brasil quase todo, tirando o Sul; a realidade do sertanejo, e do nosso atraso como civilização, como cultura, como organização do Estado. Euclides mostra o choque central entre o Brasil que descende da Europa e o Brasil tropicalista, nativo, selvagem. Euclides apresenta argumentos hoje superados sobre a superioridade da Europa, mas nem por isso deixa de estar certo. Tudo bem ter simpatia pelo índio e o sertanejo, o matuto, mas nosso destino é ser, à brasileira, à nossa moda, um país moderno nos moldes da civilização européia. Euclides começou o livro para destruir Antônio Conselheiro e a Revolta de Canudos, mas se deixou emocionar pela coragem e persistência dos revoltosos e terminou escrevendo um grande épico, em prosa, que o poeta americano Robert Lowell, que só leu a tradução, considera superior a Guerra e Paz, de Tolstoi.
Mas o importante para o jovem é essa escolha entre o primitivo irredentista dos Canudos e a civilização moderna, porque é o que terá de enfrentar no cotidiano brasileiro. É o nosso drama irresolvido.
Leia algum dos grandes romances de Machado de Assis. O mais brilhante é Memórias Póstumas de Brás Cubas. Para estilo, é o que se deve emular. O coloquialismo melodioso e fluente de Machado. É um grande divertimento esse livro. Eu recomendaria ainda para os que tem dificuldade de manejar a língua O Memorial de Aires. É o livro mais bem escrito em português que há.
Os gregos são um dos nossos berços. Representam a luz e a doçura, na frase de um educador inglês, Mathew Arnold (também poeta e crítico). Arnold falava contra a tradição judaico-cristã, dominante na nossa cultura, na nossa vida, a da Bíblia e do Novo Testamento, que predominaram no mundo ocidental desde o Século V da Era Cristã, quando o imperador romano Constantino se converteu ao cristianismo. Estudos gregos sérios só começaram no Século XIX, quando se tornaram currículo universitário, porque antes os padres e pastores não deixavam.
Mas leia originais. Escolhi quatro. Depois de se informar sobre Platão na enciclopédia do seu gosto, se deve ler A Apologia, que é a explicação de Sócrates a seus críticos, quando foi condenado à morte, e Simpósio, um diálogo de Platão. Platão não confiava na palavra escrita. Dizia que era morta. Preferia a forma de diálogo. Na A Apologia se discute o que é mais importante na vida intelectual. A liberdade de ter opiniões contra as ortodoxias do dia. Ajudará o estudante a pensar por si próprio e ter a coragem de suas convicções.
Depois, o delicioso Simpósio. É uma discussão sobre o amor, tudo que você precisa saber sobre o amor sensual, o altruístico, o que chamam de platônico, é o amor centrado na sabedoria.
Platão colocou, à parte Sócrates, seu ídolo, no Diálogo, Aristófanes, o grande gozador de Sócrates. Na boca de Aristófanes põe uma de suas idéias mais originais. Que o ser humano era hermafrodita, parte homem parte mulher, e que cada pessoa, depois da separação, procura recuperar sua parte perdida, e daí a predestinação da mulher certa para um homem e do homem certo para uma mulher.
Imprescindível também ler As Vidas, de Plutarco, o grande biógrafo da Antiguidade. Ficamos sabendo como eram os grandes nomes em carne e osso, de Alexandre, paranóico, a Júlio César, contido, a Antônio e Cleópatra. Shakespeare baseou grande parte de suas peças em Plutarco e leu em tradução inglesa, porque Shakespeare, como nós, não sabia latim ou grego. E, finalmente, como história, leia A Guerra do Peloponeso, de Tucídides. É sobre a guerra entre Atenas, Esparta, Corinto e outras, durante 27 anos, no Século V antes de Cristo. Lendo sobre Péricles, o líder ateniense, Cleon, o führer espartano, e Alcebíades, o belo, jovem e traiçoeiro Alcebiades, nunca mais nos surpreenderemos com qualquer ato de político em nossos dias. É o maior livro de história já escrito. Sempre atual.
Da Roma original basta ler Os Doze Césares, de Suetônio, e Declínio e Queda do Império Romano, de Gibbon. Mais um banho de natureza humana.
Meu conhecimento científico é quase nenhum. Mas li, claro, a Lógica da Pesquisa Científica, de Karl Popper, quando entendi o que esses cabras querem. Para quem quer um começo apenas, recomendo o prefácio do Novum Organum, de Francis Bacon, que quer dizer, o título, novo instrumento, e Bacon explica o método científico e o que objetiva a ciência. E para complementá-lo leia o prefácio dos Os Princípios Matemáticos da Filosofia Natural de Isaac Newton, e o prefácio de Bertrand Russell e Alfred North Whitehead de seus Principios da Matemática. Também vale a pena ler a História da Filosofia Ocidental de Bertrand Russell, e o capítulo sobre Positivismo Lógico que é a filosofia calcada no conhecimento científico. Em resumo, tudo que pode ser provado lógica e matematicamente, é filosofia.O resto não é. Acho isso perfeitamente aceitável. Dispenso o resto.
É nas artes que está a sabedoria. Como viver bem sem ler Hamlet, de Shakespeare? Está tudo lá em linguagem incomparável, é de uma clareza exemplar, tudo que nós já sentimos, viremos a sentir, ou possamos sentir.
Preferi citar junto com Shakespeare uma peça grega, que considero vital: Antígona, de Sófocles. Há uma tradução de Antígona, em verso, por Guilherme de Almeida, que Cacilda Becker representou no Teatro Brasileiro de Comédia.
Antígona é o que há de melhor na mulher. É a jovem princesa cujos irmãos morreram em rebelião contra o tio, o rei Creon, e ela quer enterrá-los, porque na religião grega espíritos não descansam enquanto os corpos não são enterrados. Creon não quer que sejam enterrados, como advertência pública a subversivos. Antígona desafia Creon. Ele manda matá-la. Ela morre. Seu noivo se suicida. É o filho de Creon, que enlouquece. Parece um dramalhão, mas não é. É a alma feminina devassada em toda sua possibilidade fraterna. Hegel achava que Antígona era o choque de dois direitos, o direito individual e o direito do Estado. E assim definiu a tragédia.
A melhor história de Roma é a de Theodore Mommsem. A melhor história da Renascença é a de Jacob Buckhardt. Tudo que você precisa saber.
E aprenda com um dos mais famosos autodidatas, Bernard Shaw (o outro é Trotski). Leia todos os prefácios das peças dele. São uma história universal. Um estalo de Vieira na nossa cabeça. Em um dia você lê todos. Anotando, uma semana. Também vale a pena ler a Pequena História do Mundo, de H.G.Wells, superada em muitos sentidos, mas insuperável como literatura.
Passo tranqüilo pelo Iluminismo. Foi tão incorporado a nossa vida, que não é necessário ler Voltaire ou Diderot. Os livros de Peter Gay sobre o Iluminismo são excelentes. Dizem tudo que se precisa saber. Se se quer saber mesmo o que foi o cristianismo, a obra insuperada e As Confissões de Santo Agostinho, uma das grandes autobiografias, à parte a questão religiosa.
Não é preciso ler A Origem das Espécies, de Darwin, mas é um prazer ler Viagens de um Naturalista ao redor do Mundo, as aventuras de Darwin como botânico e zoólogo, a bordo do navio inglês Beagle, nos anos 1830, pela América do Sul, com páginas inesquecíveis sobre Argentina, Brasil e Galápagos, que está até hoje como Darwin encontrou (e o Brasil e Argentina, na sua alma?)
Houve três grandes revoluções no mundo, a americana, a francesa e a russa. A literatura não poderia ser mais copiosa. Mas basta ler, por exemplo, Cidadãos, de Simon Schama, para se ter um relato esplêndido da revolução interrompida, 1789-1794, na França, e concluir com o livro de Edmund Wilson, Rumo à Estação Finlândia. Schama é conservador, Wilson não era, quando escreveu, fazia fé, ainda na década de 30, como tanta gente, na Revolução Russa. Mas a esta altura, e mesmo antes de ele morrer, em 1972, é fácil notar que a Revolução Russa não teve o Terror interrompido, como a Francesa, mas continuou até Gorbachev revelar o seu imenso fracasso.
O melhor livro sobre a Revolução Francesa é História da Revolução em França, de Edmund Burke, de 1790, que previu o Terror de Robespierre e Saint-Just. Se o estudante quer um livro a favor da Revolução Francesa, leia, o título é o de sempre, o de Gaetano Salvemini. A favor da russa a de Sukhanov, que a Oxford University Press resumiu num volume, ou A Revolução Russa, de Trotski, um clássico revolucionário. Mas os fatos falam mais alto que o brilho literário de Trotski.
Sobre a Revolução Americana não conheço livro bom algum traduzido, mas por tamanho e qualidade, um volume só, sugiro a da editora Longman, A History of the United States of America, do jovem historiador inglês Hugh Brogan, 749 págs, apenas, quando comprei custava US$ 25. Tem tudo que é importante.
Em economia, a Abril publicou 50 volumes dos principais economistas. Eu não perderia tempo. Têm tanta relação com a nossa vida como tiveram Zélia e a criançada assessora. Mas há o Dicionário de Economia, também da Abril. Quando tascarem o jargão, você consulta para saber, ao menos, o que significa a embromação. Economia se resume na frase do português: quem não tem competência não se estabelece.
Dos romances do Século XIX, Guerra e Paz, de Tolstoi, e Crime e Castigo, de Dostoiévski, me parecem absolutamente indispensáveis. Guerra e Paz porque é o retrato completo de uma sociedade como uma grande família, porque rimos e choramos sem parar, porque contém um mundo e as inquietações do protagonista, Pierre Bezhukov, que até hoje não foram respondidas. Crime e Castigo, porque exemplifica toda a filosofia de Nietzsche de uma maneira acessível e profundamente dramática, de como o cérebro humano é capaz de racionalizar qualquer crime, que tudo é relativo, em suma, a pessoa que pensa e age, como Raskólnikov, o protagonista. Vale tudo. Dostoiévski, para nos impedir de aniquilar uns aos outros, acrescenta que não se pode viver sem piedade.
Dos modernos, Proust é maravilhoso, mas penoso, Joyce é desnecessário, mas vale a pena ler as obras-primas de Thomas Mann, A Montanha Mágica, para saber o que foi discutido filosoficamente neste século, e Dr. Fausto, que leva o relativismo niilista que domina a cultura moderna e de que precisamos nos livrar, se vamos sobreviver culturalmente, como civilização, e não como meros consumidores, num nível abjeto de satisfação animal. Há muitas obras que me encantaram e não estou, de forma alguma, excluindo autores ou quaisquer livros. A lista que fiz me parece o básico. Em algumas semanas, duas horas por dia, se lê tudo. Duvido que se ensine qualquer coisa de semelhante nas nossas universidades. Se eu estiver enganado, dou com muito prazer a mão à palmatória.
— Paulo Francis, O Estado de São Paulo, 30 de Maio de 1991
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2020.10.27 12:43 CODENAMEFirefly Abandono

Oi Reddit, descobri esse sub a alguns dias e venho querendo desabafar desde então. Hoje estou aqui durante minha aula e decidi que quero compartilhar um pedaço da minha história.
A parte ruim: Eu tenho síndrome de abandono, algo muito detrimental que eu adquiri ao longo da história, começando pela minha família e se agravando depois do EM. Suponho que vou começar explicando isso primeiro. Boa parte de tudo isso é conturbado, meu cérebro bloqueou algumas memórias e eu não consigo lembrar nem que me contem, mas o que eu sei é, eu sou filho de uma traição dupla (meu pai traiu minha mãe e a mulher com quem estava), até aí tudo bem, nada de tão único, mas isso levou a uma infância conturbada, por mais que minha mãe tentasse eu sempre fui muito fisicamente parecido com meu pai (por sorte meu pai é bonito, mais do que eu por sinal) e ela nunca se recuperou muito bem da traição, eu nunca consegui me conectar com meu pai, em parte pela história, em parte pelo fato da minha madrasta ter ódio mortal de mim a ponto de ser violenta. Para agravar um pouco a situação, durante o EM eu me tornei extremamente instável mentalmente, namorei uma garota que, antes de namorar, foi minha amiga por 3 anos e depois(até onde eu sei, as memórias aí são extremamente turvas) me estuprou, se arrependeu e ainda tentamos manter o relacionamento por mais 2 anos depois disso. Durante essa época eu tive diversas crises de depressão e ansiedade e isso estava fazendo mal a ela, apesar de ser enfermeira e formada em área de doenças mentais, ela não tinha a capacidade mental para lidar comigo naquela época, então terminei o namoro, tentando preservá-la (já não estávamos indo bem de qq forma e claramente eramos mais um casal de amigos do que namorados). O problema é que depois disso ela sumiu, desapareceu, sem dar sinal, mensagem, telefone nem nada. Tudo bem, é uma escolha dela, eu acho. Eu tentei de tudo, aparecer na casa dela, ela tinha sumido e os pais só me disseram que iam chamar a polícia se não saísse, tentei conversar com os líderes da igreja dela para ver se eu conseguia ao menos notícia e mesmo assim nada, só fui proibido de entrar na igreja. Até hoje eu tento descobrir o que aconteceu com ela, queria fazer as pazes (não voltar a namorar) e ao menos entender um ao outro de novo e, quem sabe, recuperar mais uma dessas amizades de whatsapp/facebook em q não nos falamos nunca. Vira e mexe eu tenho crises sérias com relação a isso, não sei o pq eu me importo tanto com o fato dela ter sumido e pq queria tanto fazer as pazes. O resultado dessa merda toda? Fora a depressão, a eventual crise que me incapacita de sequer sair da cama e o padrão de sempre, eu não consigo falar com ninguém que eu considere superior (chefe, entrevistador, pessoa mais velha, professor...) sem ter uma crise de ansiedade, a última vez que eu fui para uma entrevista de emprego, eu parecia uma poça d'agua suando e passando mal durante a entrevista toda, por algum milagre consegui o emprego mas no dia de assinar o contrato eu comecei a chorar desesperadamente e simplesmente saí correndo (e pedindo desculpas) e fiquei uns 40m vomitando na rua até desmaiar em uma parada de ônibus. Fun times.
A parte boa:
Durante uma das minhas crises logo depois da ex sumir (a depressão me fez perder 13kg por mês, era gordo, hj sou até sarado), eu me enfurnei em qq lugar que podia me oferecer ajuda, um desses lugares era a igreja do meu melhor amigo, era um buraco sem noção, a primeira vez que fui, achei que ia ser sequestrado, ficava em um beco escuro do entre um depósito de lixo clandestino e uma fábrica de ração. Apesar de tudo foi o lugar onde eu mais recebi amor. Não sou evangélico, apesar de ter minha crença em Deus, sou contra a maior parte da Bíblia e adoro contestar crente só para ser chato, mas estava precisando de amor e lá recebi amor. Nessa igreja eu conheci uma garota, parecia filme da Disney, eu estava lá, com cara de quem não dormia direito, cantando uma música que ninguém mais conhecia e de repente ela entra cantando a outra parte e esses dois estranhos lindos de morrer (nós somos muito bonitos pqp) cantam juntos uma canção que ressoa no coração deles. Foi coisa de filme, mas ela era 6 anos e meio mais nova que eu, foda, pra kct, eu tinha 21 e ela tinha acabado de fazer 15. Foi uma época interessante da minha vida, depois de muita pesquisa sobre pedofilia, crise de identidade e psicólogo, eu decidi que ia seguir em frente com aquilo, me sentia apaixonado como nunca antes e isso me deu um novo propósito. Na época, a diferença era grande, uma garota de 15 e um cara de 21 é uma diferença muito grande, hoje que tenho 27 e ela 20 todo mundo já acha normal. OBS: Eu tenho que citar aqui pq se até eu que estava apaixonado achei estranho namorar uma garota de 15 imagina vcs que tão lendo. Eu decidi que iríamos namorar por 1 anos sem sequer nos beijarmos, pq queria mostrar pra mim, para ela e para nossas famílias que minhas intenções eram boas, depois desse ano eu ainda sugeri aumentar o período para até ela fazer 18, para mim não importava por tanto que eu pudesse estar ao lado dela. Eu não apoio de forma alguma namorar pessoas tão mais novas, não façam isso. Esse período foi uma época bem sobrenatural e eu adoraria compartilhar com vocês dps, mas o texto já ta grande pra kct. Hoje eu e ela temos uma empresa, de identidade visual e tecnologia, a empresa abriu esse ano então ainda estamos começando mas o sustento está vindo, fazemos sites, capas de livros, cartões e qualquer outra coisa relacionada a programação ou arte. Amo trabalhar com ela, amo viver com ela, amo minha vida, desenvolvi uma maturidade emocional que nunca imaginei ter, posso dizer fielmente que sou feliz, mesmo que diariamente me pegue querendo morrer e/ou voltar no tempo e refazer minha vida, a depressão é, e vai para sempre ser, um fantasma nos meus ombros, mas hoje eu venci de novo.
Ps. Não foi fácil, mais de 5 anos de relacionamento, 3 tentativas de suicídio, 200 milhões de crises e tudo o mais que a vida pode jogar em nós. Segue em frente, eu posso contar depois a nossa história de relacionamento e como você e/ou seu significant other podem fazer para conviver em harmonia apesar de problemas mentais e financeiros, acho que vou chamar de "Como conquistar uma e-girl" kkkkk.
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2020.10.24 04:12 mentalorgasmo ACARICIANDO SUA FLOR

É claro que toda mulher se sente renovada após uma bela carícia na flor. Com jeitinho, sabendo conduzir os instrumentos — mãos e/ou boca — e agindo naturalmente, dificilmente algo dá errado. Não tem mistério, na verdade.
Tudo fica mais gostoso quando rola um som que dá mais vivacidade ao momento. Então escolho “In the Mood”, de Tyrone Davis (meu hino do sexo). E que delícia: ela se deliciou na vibe que a música proporciona. Ótimo, eu pensei. Tirei sua calcinha e comecei de leve, apenas passando uma mão sobre seu bumbum.
— Vai acariciar meu cuzinho também, amor? — ela me pergunta, cheia de fogo e malícia.
— Me perguntando nesse tom, fica difícil dizer não — respondo com um frio na barriga sinistro. Ela foi muito espontânea. Eu não esperava ouvir essa, papo reto. Peço para que fique de barriga para cima. Ao fazê-lo, fico por cima, passo a cabeça da piroca entre os pequenos lábios da flor, logo penetro lentamente (ela delira), e vou chupando um seio enquanto a outra mão acaricia seu corpo.
Vivenciando um momento mágico, notando cada reação dela, estou com tanto tesão que sinto que vou gozar logo, então paro devagar e tiro. Ela pega minha mão e leva até sua flor, e percebo que é para eu agir enquanto é tempo.
Me deito do seu lado. Sussurrando sacanagem em seu ouvido para aquecer mais ainda, levo a mão direita à flor e suavemente exploro com dois dedos. Ela reage gemendo abafado, querendo se contorcer mas ao mesmo tempo está tão gostoso que ela se arrependeria se o fizesse. Se mantém relaxada, me deixa agir bem à vontade… e por alguns segundos mantenho a palma da mão sob o comando, passando de baixo para cima e de cima para baixo algumas vezes, logo alternando para os dedos novamente. Concomitantemente penetro dois nela, melo e chupo bem no pé do seu ouvido.
Volto a passar as mãos pelo seu corpo, sob uma pele tão suave que nem precisaria jogar óleo se fosse o caso de realizar uma massagem geral. As mãos conhecem seu corpo como Pablo Escobar entendia de fuga da justiça colombiana em seus dias de procurado, e de tão gostoso que está, nem me preocupo mais em qual dedo está acariciando essa flor esbelta e cheia de orgasmos para dar. Está tão melada que os dedos deslizam fácil entre os espaços que encontro. Ela endoida. Ela fica cada vez mais extasiada, porém tranquila. Só sente e geme.
Resolve se apoiar aonde pode em mim. Puxa meus cabelos. Me arranha. Me chama de safado. Toda desengonçada tenta me morder. Nada corta o clima. Ela se sente cada vez mais confortável sentindo minha mão envolvendo sua flor. Então penetro só um dedo, e logo tiro, passando por ela e depois dou para ela chupar — que se deleita e ainda morde meu dedo. A finalizar, peço para que ela fique debruçada. Eu amo ver sua flor desse jeito… parece que ela se abre, fica mais atraente… é gostoso para um caralho.
Respondendo a pergunta que ela me fez lá no início, mantenho o polegar em seu cuzinho e os outros dedos na flor, fazendo com que ela se empine e diga baixinho:
— Você é um presente de Deus.
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2020.10.19 23:43 Normal_bitch Não consigo superar

Preciso de conselhos e preciso desabafar.
Perdão pelos erros de português, não é meu forte.
Uma boa parte do meu relacionamento foi extremamente desgastante, embora as coisas tenham mudado, significando que eu deveria estar bem, eu não estou, eu ainda tenho raiva do meu namorado as vezes, não supero tudo oque aconteceu.
Como gosto desse sub decidi que vou soltar toda minha frustração aqui, tudo oque me fez mal no começo, preciso de alguém que me ouça,é uma tentativa de deixar esses problemas para trás e não estragar meu relacionamento.
Esse post sera bastante comprido
O primeiro mês foi bom, no segundo ele era paranóico, brigou comigo pois alguém que eu nem conheço disse que ele era corno, briguei feio com ele, então esse problema não se repetiu.
No terceiro mês os problemas começarem, não consigo lembrar dos detalhes, muito dessa época foi um borrão para mim.
Meu namorado tem problema com depressão, apartir do terceiro mês ele começou a ameaçar de se matar todos os dias basicamente, dizer coisas sem sentido, eu tentei ajudar ele o máximo que pude, depois de um tempo a família dele colocou ele em psiquiatra, psicólogo, terapeuta, tudo que era possível, até ai tudo bem, eu queria ajudar ele, claro que não iria deixar ele sozinho nesse momento.
Agora vem a parte que realmente me fez mal, durante meses ele ameaçou se matar todo o dia para mim, mandava foto de faca,na barriga, segurando, na mesa, ia no viaduto mandava foto dizendo que ia se matar, por todo o dia ficava me dizendo coisas terríveis, eu sentia que estava sendo torturada.
Me disse algumas vezes que queria pegar outras pessoas, me disse que se me traisse com um homem para testar nao teria problema, que estava em dúvida se gostava de homem e queria testar, um dia até quis tentar terminar comigo porque os colegas disseram que ele parecia gay quando colocou um piercing. Depois ele percebeu que era só confusão da cabeça dele pois sempre chamaram ele de viado.
Todo dia minha rotina se baseava em parar tudo o'que eu estava fazendo para ajudar ele.
Na escola dizia que ia embora pra se matar, quase todo dia eu tinha que implorar, ligar, chorar, pedir que ele não se matasse.
Uma vez nos bancos da escola disse que iria sair mais cedo para poder se matar enquanto eu me matava de chorar na frente dele,implorando para ele não me deixar, e ele nem ligou, me olhava com o olhar vazio, so dizia que era o melhor pra mim.
Uma vez brigamos e ele foi a uma festa e voltou falando sobre como a irmã do amigo dele estava rebolando pra ele, sabendo que nem sair de casa eu podia na época, e ele podia mesmo eu não tendo como (eu não podia sair ou namorar, esses meses foram escondidos da minha mãe, contamos no começo desse ano, todos esses problemas foram de setembro do ano passado até o início da quarentena, onde já podíamos nos ver fora da escola)
Ameaçou de se matar até no meu aniversário, primeiro aniversário que minha família parecia feliz, e eu tive que me esconder no quarto pra chorar e implorar que ele não se matasse, estraguei o aniversário, na frente da minha família tive que fingir que estava tudo bem.
Dizia o tempo todo que eu não gostava dele de verdade, que eu ficaria melhor se ele morresse, não importava quantas vezes eu tentasse provar que realmente gosto dele, isso é cansativo.
Dizia que ia tomar água sanitária, tomar todos os remédios, mandava fotos com facas, várias fotos no viaduto, e dizia "adeus" me fazendo implorar para que ele vivesse mais um dia, não sabendo oque aconteceria no outro dia. A única coisa que ele realmente fez foi tomar um gole de água sanitária, o restante felizmente foram apenas ameaças.
Um dia ele saiu para a casa de um amigo, e começou a ameaçar de se matar, quando fazia isso costumava colocar uma foto preta no whats, quando mandei mensagem para o amigo que estava do lado dele para pedir ajuda, o amigo me mandou um audio dizendo "é brincadeira dele tudo, ninguém manda acreditar" "ninguém manda não ajudar, agora vai morrer" coisas do tipo, rindo da minha cara, na hora eu bloqueei os dois e exclui todas as nossas mensagens, mais tarde descobri que ele realmente estava querendo se matar, então ele brigou comigo por acreditar no amigo dele, mas nunca disse uma palavra para o amigo que me enganou e riu da minha cara enquanto eu não conseguia parar de chorar por horas.
Um dia ele teve um ataque de ciúme porquê eu disse que achei uma foto de um gato que ele mandou fofo, "você prefere o gato a mim, vai com o gato então, vai vir aqui e vai querer dar mais atenção para o gato"
Fez um texto lindíssimo pra uma amiga, de uma forma que nunca fez pra mim e em uma parte do texto disse que ficaria com ela se não estivesse comigo, eu fingi que isso não me machucou por um tempo, e quando contei que me fez mal ele disse que nunca fez algo do tipo para mim pois a amiga dele realmente acreditava nele, e eu não acreditava. Eu que estava todo dia chorando, perdendo cabelo de estresse pra tentar ajudar ele.
Ele tinha o direito de conversar com quem quisesse, falar que pegaria outras pessoas, eu não sou ciumenta, porém eu não podia chegar perto de nenhum homem. Um dia ele insistiu que eu contasse quem eu achava bonito dos nossos colegas, quando eu contei ele brigou comigo, dizendo que era fácil para mim trocar ele.
Com tudo isso eu perdi 4 quilos, eu sou pequena, 4 quilos fazem grande diferença e perdi muito, muito cabelo a ponto de ter medo de ficar careca, perdi a habilidade de dormir a noite, pois passava a noite acordada, até as 6, horário que ele acordava, tudo por medo de que ele não estivesse dormindo e sim morto,esperando 4,5,6 horas para receber uma mensagem, até hoje tenho dificuldade para manter uma rotina saudável quanto ao sono, e tive meus primeiros pensamentos suicidas.
Em grande parte desses meses eu ficava apenas no meu quarto deitada, so saia pelas coisas que eu sou obrigada a fazer, estudar, limpar,comer as vezes, e exercício pois já tenho problemas o suficiente de autoestima, se eu ficasse mais feia aí sim pioraria de vez e me mataria, gosto muito de exercícios e os fazia a noite, mas como ele chegava a noite, várias vezes parei de fazer para ajudar ele.
Eu so queria ajudar ele, apenas isso, foi a única coisa que eu fiz todos esses meses, perdoar e ajudar, apenas isso.
Quando eu não aguentava mais disse que se ele não mudasse a forma de lidar com os problemas eu terminaria, apartir dai ele começou a melhorar, a terapia foi o'que mais funcionou para ajudar com o problema dele, ele começou a desabafar ao envez de jogar todos os problemas em mim e me torturar, eu finalmente estava feliz.
Então quando eu pensei que deixaria tudo isso pra trás ele em uma manhã começou um assunto sobre gostar de mulheres mais velhas, até ai tudo bem, mas ele decidiu dizer "trovaria tua mãe, ela e bonita" , e foi onde meu mundo caiu, todas as vezes eu perdooei ele, sempre entendi que era por conta da depressão que ele me fazia mal, entendi que não era culpa dele, mas isso era demais, isso era um limite, todas as outras vezes eu acreditei que ele mudaria e confiei nele, dessa vez não consegui, não sei se consigo até agora.
Ainda assim eu continuei com ele, e desde então ele tem sido um amor, tudo está bem, ou deveria estar, mas eu não consigo superar tudo isso, sinto que atinge meu limite com o último problema e não consigo mais voltar a acreditar nele, ou confiar nele. Eu amo ele, e agora ele realmente mudou, a meses nao fala nada que me deixa triste, sempre pergunta se está me sobrecarregando quando desabafa, ele me respeita bastante, porém eu não quero estragar nosso relacionamento com meu problema de não superar.
Eu sei que o jeito que eu falei sobre o problema de depressão dele pode ter sido egoísta, focando apenas no meu lado, enquanto para ele deve ter sido muito pior, mas eu so estou contando como me senti, eu sei que esse problema não e culpa dele e que as coisas que ele me disse e me fez foram por estar fora do normal graças a depressão, não o culpo, ao menos ele melhorou, não e como se eu fosse perfeita, por vezes nao acreditei que ele mudaria e exagerei nas brigas,so piorando a situação , agora eu aprendi a conversar ao envez de brigar e isso ajudou. Porém eu nunca tinha lidado com algo do tipo, não soube ajudar ele então acabou que fui sobrecarregada, e agora eu preciso de um conselho, como posso superar isso e finalmente olhar pra frente, nosso relacionamento devia estar bem, não quero estragar tudo, me ajudem!!
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2020.10.19 22:05 Normal_bitch Não consigo superar, me ajudem!!

Preciso de conselhos e preciso desabafar.
Perdão pelos erros de português, não é meu forte.
Uma boa parte do meu relacionamento foi extremamente desgastante, embora as coisas tenham mudado, significando que eu deveria estar bem, eu não estou, eu ainda tenho raiva do meu namorado as vezes, não supero tudo oque aconteceu.
Decidi que vou soltar toda minha frustração aqui, tudo oque me fez mal no começo, preciso de alguém que me ouça,é uma tentativa de deixar esses problemas para trás e não estragar meu relacionamento.
Esse post sera bastante comprido
O primeiro mês foi bom, no segundo ele era paranóico, brigou comigo pois alguém que eu nem conheço disse que ele era corno, briguei feio com ele, então esse problema não se repetiu.
No terceiro mês os problemas começarem, não consigo lembrar dos detalhes, muito dessa época foi um borrão para mim.
Meu namorado tem problema com depressão, apartir do terceiro mês ele começou a ameaçar de se matar todos os dias basicamente, dizer coisas sem sentido, eu tentei ajudar ele o máximo que pude, depois de um tempo a família dele colocou ele em psiquiatra, psicólogo, terapeuta, tudo que era possível, até ai tudo bem, eu queria ajudar ele, claro que não iria deixar ele sozinho nesse momento.
Agora vem a parte que realmente me fez mal, durante meses ele ameaçou se matar todo o dia para mim, mandava foto de faca,na barriga, segurando, na mesa, ia no viaduto mandava foto dizendo que ia se matar, por todo o dia ficava me dizendo coisas terríveis, eu sentia que estava sendo torturada.
Me disse algumas vezes que queria pegar outras pessoas, me disse que se me traisse com um homem para testar nao teria problema, que estava em dúvida se gostava de homem e queria testar, um dia até quis tentar terminar comigo porque os colegas disseram que ele parecia gay quando colocou um piercing. Depois ele percebeu que era só confusão da cabeça dele pois sempre chamaram ele de viado.
Todo dia minha rotina se baseava em parar tudo o'que eu estava fazendo para ajudar ele.
Na escola dizia que ia embora pra se matar, quase todo dia eu tinha que implorar, ligar, chorar, pedir que ele não se matasse.
Uma vez nos bancos da escola disse que iria sair mais cedo para poder se matar enquanto eu me matava de chorar na frente dele,implorando para ele não me deixar, e ele nem ligou, me olhava com o olhar vazio, so dizia que era o melhor pra mim.
Uma vez brigamos e ele foi a uma festa e voltou falando sobre como a irmã do amigo dele estava rebolando pra ele, sabendo que nem sair de casa eu podia na época, e ele podia mesmo eu não tendo como (eu não podia sair ou namorar, esses meses foram escondidos da minha mãe, contamos no começo desse ano, todos esses problemas foram de setembro do ano passado até o início da quarentena, onde já podíamos nos ver fora da escola)
Ameaçou de se matar até no meu aniversário, primeiro aniversário que minha família parecia feliz, e eu tive que me esconder no quarto pra chorar e implorar que ele não se matasse, estraguei o aniversário, na frente da minha família tive que fingir que estava tudo bem.
Dizia o tempo todo que eu não gostava dele de verdade, que eu ficaria melhor se ele morresse, não importava quantas vezes eu tentasse provar que realmente gosto dele, isso é cansativo.
Dizia que ia tomar água sanitária, tomar todos os remédios, mandava fotos com facas, várias fotos no viaduto, e dizia "adeus" me fazendo implorar para que ele vivesse mais um dia, não sabendo oque aconteceria no outro dia. A única coisa que ele realmente fez foi tomar um gole de água sanitária, o restante felizmente foram apenas ameaças.
Um dia ele saiu para a casa de um amigo, e começou a ameaçar de se matar, quando fazia isso costumava colocar uma foto preta no whats, quando mandei mensagem para o amigo que estava do lado dele para pedir ajuda, o amigo me mandou um audio dizendo "é brincadeira dele tudo, ninguém manda acreditar" "ninguém manda não ajudar, agora vai morrer" coisas do tipo, rindo da minha cara, na hora eu bloqueei os dois e exclui todas as nossas mensagens, mais tarde descobri que ele realmente estava querendo se matar, então ele brigou comigo por acreditar no amigo dele, mas nunca disse uma palavra para o amigo que me enganou e riu da minha cara enquanto eu não conseguia parar de chorar por horas.
Um dia ele teve um ataque de ciúme porquê eu disse que achei uma foto de um gato que ele mandou fofo, "você prefere o gato a mim, vai com o gato então, vai vir aqui e vai querer dar mais atenção para o gato"
Fez um texto lindíssimo pra uma amiga, de uma forma que nunca fez pra mim e em uma parte do texto disse que ficaria com ela se não estivesse comigo, eu fingi que isso não me machucou por um tempo, e quando contei que me fez mal ele disse que nunca fez algo do tipo para mim pois a amiga dele realmente acreditava nele, e eu não acreditava. Eu que estava todo dia chorando, perdendo cabelo de estresse pra tentar ajudar ele.
Ele tinha o direito de conversar com quem quisesse, falar que pegaria outras pessoas, eu não sou ciumenta, porém eu não podia chegar perto de nenhum homem. Um dia ele insistiu que eu contasse quem eu achava bonito dos nossos colegas, quando eu contei ele brigou comigo, dizendo que era fácil para mim trocar ele.
Com tudo isso eu perdi 4 quilos, eu sou pequena, 4 quilos fazem grande diferença e perdi muito, muito cabelo a ponto de ter medo de ficar careca, perdi a habilidade de dormir a noite, pois passava a noite acordada, até as 6, horário que ele acorda, tudo por medo de que ele não estivesse dormindo e sim morto,esperando 4,5,6 horas para receber uma mensagem, até hoje tenho dificuldade para manter uma rotina saudável quanto ao sono, e tive meus primeiros pensamentos suicidas.
Em grande parte desses meses eu ficava apenas no meu quarto deitada, so saia pelas coisas que eu sou obrigada a fazer, estudar, limpar,comer as vezes, e exercício pois já tenho problemas o suficiente de autoestima, se eu ficasse mais feia aí sim pioraria de vez , gosto muito de exercícios e os fazia a noite, mas como ele chegava a noite, várias vezes parei de fazer para ajudar ele.
Eu so queria ajudar ele, apenas isso, foi a única coisa que eu fiz todos esses meses, perdoar e ajudar, apenas isso.
Quando eu não aguentava mais disse que se ele não mudasse a forma de lidar com os problemas eu terminaria, apartir dai ele começou a melhorar, a terapia foi o'que mais funcionou para ajudar com o problema dele, ele começou a desabafar ao envez de jogar todos os problemas em mim e me torturar, eu finalmente estava feliz.
Então quando eu pensei que deixaria tudo isso pra trás ele em uma manhã começou um assunto sobre gostar de mulheres mais velhas, até ai tudo bem, mas ele decidiu dizer "trovaria tua mãe, ela e bonita" , e foi onde meu mundo caiu, todas as vezes eu perdooei ele, sempre entendi que era por conta da depressão que ele me fazia mal, entendi que não era culpa dele, mas isso era demais, isso era um limite, todas as outras vezes eu acreditei que ele mudaria e confiei nele, dessa vez não consegui, não sei se consigo até agora.
Ainda assim eu continuei com ele, e desde então ele tem sido um amor, tudo está bem, ou deveria estar, mas eu não consigo superar tudo isso, sinto que atinge meu limite com o último problema e não consigo mais voltar a acreditar nele, ou confiar nele. Eu amo ele, e agora ele realmente mudou, a meses nao fala nada que me deixa triste, sempre pergunta se está me sobrecarregando quando desabafa, ele me respeita bastante, porém eu não quero estragar nosso relacionamento com meu problema de não superar.
Eu sei que o jeito que eu falei sobre o problema de depressão dele pode ter sido egoísta, focando apenas no meu lado, enquanto para ele deve ter sido muito pior, mas eu so estou contando como me senti, eu sei que esse problema não e culpa dele e que as coisas que ele me disse e me fez foram por estar fora do normal graças a depressão, não o culpo, ao menos ele melhorou, não e como se eu fosse perfeita, por vezes nao acreditei que ele mudaria e exagerei nas brigas,so piorando a situação , agora eu aprendi a conversar ao envez de brigar e isso ajudou. Porém eu nunca tinha lidado com algo do tipo, não soube ajudar ele então acabou que fui sobrecarregada, e agora eu preciso de um conselho, como posso superar isso e finalmente olhar pra frente, nosso relacionamento devia estar bem, não quero estragar tudo, me ajudem!!
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2020.10.09 18:13 TapperTotoro Eu venci a depressão e é isso que tenho feito desde que me curei! - Parte 2/365

Uma espécie de diário aberto: Antes de quase me afogar na 'escuridão', escrevi um livro para o meu primeiro filho; e agora curado, comecei a escrever o segundo livro para o meu segundo Príncipe, dando continuidade à história inicial.
De notar que esse segundo texto é um tanto comprido (1,98 metros de altura do autor se justificam aqui).
Antes de escrever mais para essa série motivada pela minha vitória na luta contra a depressão, quero agradecer à todas as pessoas que partilharam comigo um pouco do seu tempo para ler e comentar, além de todos os "prémios" que a minha primeira publicação recebeu (e continua a receber) e todas as pessoas que também começaram a seguir-me lá no meu humilde canal de Youtube.
Olá (quem leu a primeira publicação dessa "série" entende esse 'olá').
Pois bem; há quase que exatamente 5 anos atrás, quando as coisas ainda não estavam tão más para a minha existência, decidi escrever um livro para o meu primeiro - e possível na altura, único - filho. É para mim a história mais bonita que já escrevi e o primeiro livro infantil também, e a ideia na data era imprimir todas as páginas em folhas A4 em duas duplicatas e fazer eu mesmo as capas para os livros à mão.
- Além de ter escrito o livro, porquê é que não publiquei com uma editora (ainda)?
Bem, além de querer que 100% dos direitos da obra fossem para o meu pequeno Príncipe e não querer que a mesma tenha nenhum vínculo com uma editora, é como já disse, queria fazer somente duas cópias de forma manual e oferecer a primeira (a que considero 'original') para o meu filho (na altura só tinha e queria ter um, mas surgiu o segundo e amo 'pacas' os dois), e a segunda ficaria guardada como cópia física de segurança. A história basicamente é sobre eu e ele, e a nossa imaginação fértil, mas acabei por quase eliminar o manuscrito (juntamente com todos os outros textos meus) quando cheguei ao ponto em que se não tomasse uma decisão, não estaria vivo hoje.
Foi uma questão de mudança de último segundo a existência desse manuscrito e há alguns dias atrás voltei a lê-lo e decidi que além de publicar a história de forma totalmente independente por e para eles (agora os meus Príncipes são dois, lembra?), farei as duas cópias de forma manual como era planeado no início e guardarei para quando ambos forem adultos receberem como prenda de maioridade. Também sou motivado a não fazê-lo agora ou antes da maioridade (os livros físicos e entregar para eles) pelo facto que a minha ex-esposa destruiria os livros se eu entregasse para ela guardá-los (lembra-se da relação afetiva que tive e quase me matou? Pois bem, eu fui casado por 7 anos com ela), visto que ambos os Príncipes são muito novos ainda.
Para colocar em perspetiva: O divórcio e os meses que se seguiram ao divórcio foram um autêntico inferno, com ela a fazer de tudo para me afastar dos Príncipes (mentindo inclusive para a justiça ao dizer que eu abandonei os Príncipes quando na verdade eu não tinha onde morar - e ficou provado isso - não tinha dinheiro tampouco meios de transporte para visitá-los - ou um telemóvel para ligar para eles - e estava há mais de 30 quilómetros da casa deles; com isso e por ter ficado provado que eu não abandonei os Príncipes ela criou outros processos jurídicos absurdos que se arrastam até hoje somente com intuito de tirar mais e mais do que eu tenho conseguido alcançar aos poucos depois de sair da rua ...).
Foi tudo tão difícil pois como já tinha dito, acabei a morar na rua sem nada pelo simples facto de eu não querer dividir os bens que obtivemos durante a duração do nosso casamento ou levar nenhum bem material no final da relação, deixando tudo com ela para os meus filhos, pois mais do que eu, os eles precisam de um lugar para viver e eu sempre me virei muito bem ou sou muito bom a recomeçar a vida do zero. Valeu a pena esse sacrifício? Sim, e muito!
Mas mesmo tendi isso sido um inferno, ainda existe a parte mais difícil e que muitos pais (divorciados ou não) se irão rever, possivelmente:
Desde fevereiro que só falo com os meus dois Príncipes por videochamada por causa de toda essa questão da pandemia (e outros pontos que prefiro não expor por eles, para preservar o futuro da imagem da mãe deles, ou não ser eu influência no moldar dessa imagem caso aconteça) e decidi que mesmo estando as coisas "mais amenas" aqui em Portugal (mas a piorar agora com o espreitar do inverno), só estaria com eles quando for encontrada a cura ou se provar efetiva a obtenção de imunidade à doença; por nada desse mundo quero colocá-los em risco por uma coisa que o meu sacrifício pode evitar, afinal de contas, eles são o que de mais importante tenho nesse mundo todo ...
Voltar a ler o livro que escrevi para, agora eles, (escreverei entre esse e o próximo ano um segundo livro para dar continuidade à história e incluir o meu segundo Príncipe) despertou algumas ideias que já tenho colocado em prática e a partir de amanhã, publicarei uma página do livro por dia (inserirei o link aqui!) como tenho feito com esses textos novos e outras formas de arte que crio. Como não quero ter mais do que duas cópias físicas de cada livro, não tenho a certeza se vendo os e-books e crio uma conta poupança para os Príncipes com o dinheiro da venda das cópias digitais ou se publico somente no site que estou a construir e uso a monetização por meio da publicidade embutida nas páginas para esse fim (esse é o modo mais apelativo para mim, porque assim mais gente tem acesso aos livros e contribuem mesmo que não tenham condições financeiras para comprar um exemplar).
Digam-me o que vocês acham sobre qual é a melhor opção :)
Eis um trecho do livro e a página de abertura de 'O rei e o grande minúsculo', o livro que escrevi para os meus dois filhos:
Eu sou o Narrador e esta é a história sobre um minúsculo rapaz que vive dentro do pequeno universo que existe no meu umbigo. Neste mundo, ninguém possui um nome, apenas características físicas únicas e marcantes.
O rapaz que conheci tem uma particularidade muito semelhante à uma que tenho. Ele é alto, tão alto, que por este motivo não existe qualquer outro rapaz da sua idade com a altura próxima à dele e é inclusive muito mais alto do que todos os adultos deste tal mundo. Se o tornarmos proporcional à altura das pessoas humanas, este rapaz terá três metros enquanto a altura média de todas as pessoas é de um metro e setenta centímetros.
Conheci-o num dia em que estava eu a descansar ao sol, deitado na relva com uma camisola sem mangas, enquanto brincava com o meu microscópio imaginário e despertou em mim a curiosidade de espreitar com aquilo para o meu umbigo. Para a minha total surpresa, a primeira coisa que vi foi um amontoado de cabelos crespos pretos cheios de caracóis que parecia estar preso a um poste azul acastanhado, só que, depois de poucos segundos o poste se mexeu e assustei-me, afinal, os postes não podem andar. Ou podem?
– Olá gigante! – disse uma voz que não conseguia perceber de onde vinha.
– Estou bem aqui. – continuou ela. Levantei-me da relva e olhei à minha volta. Por mais certeza que tivesse sobre ter ouvido aquela voz, tudo apontava para o facto de estar eu sozinho ali. Corri para o muro da minha humilde casa, trepei-o para espreitar às casas dos meus vizinhos casmurros e vi que ninguém se escondia do outro lado.
– Acho que estou a sonhar acordado, novamente. – disse para mim mesmo em voz alta.
– Não gigante, não estás a sonhar. A propósito, porque é que trepaste para cima dos muros se em pé és maior do que eles? – continuou e perguntou aquela voz misteriosa. Corri para dentro da minha casa, tranquei todas as portas e janelas, fui às pressas e assustado para o meu quarto, apaguei as luzes e escondi-me na segurança que existe por baixo dos meus grandes e quentes amontoados de lençóis de seda, mantas polares e cobertores de todas as cores.
Depois disso, não voltei a ouvir aquela voz naquele dia e acabei por adormecer. Sonhei com milhares de coisas maravilhosas, entre elas doces e chocolates pois sou um narrador um tanto guloso; sonhei com os infinitos momentos de diversão com os meus amigos, com o meu pequeno Príncipe e por fim, para não fugir à regra, sonhei que dormia também ...
Espero que quando os meus Príncipes lerem essa história que escrevi em especial para eles, sintam o que queria transmitir nessa altura em que pouco conseguem entender dos sentimentos humanos e para que encontrem nas minhas palavras tornadas ficção, a voz deles que muito me tem ajudado nessa luta e nova fase da minha vida. E que essa voz os ajude nas fases mais difíceis da vida, e relembrem também os momentos mais felizes.
Também espero que você que me lê novamente hoje, goste de tudo o que pretendo partilhar e se que se existir alguém importante para você, use-a como motivação para lutar contra todas as coisas que não fazem bem, e que esses livros que publicarei inspirem alguém a criar e mudar o mundo, mesmo que o mundo seja só para uma pessoa :)
Com muito amor;
Aladino.
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2020.10.06 12:20 internalerrorfixed Me relataram ser vítima de um estupro e não sei o que fazer

Trabalho em uma farmaçia e parte do meu trabalho consiste em atender fornecedores pelo telefone. Há 27 dias eu atendi uma ligação, sempre bem educado, e a vendedora depois falar o "script" dela, perguntou minha data de nascimento e acabou pedindo meu contato pessoal. Resolvi passar porque não tinha motivos para não fazer. Talvez era alguém querendo algum tipo de ajuda, dúvida, e que ali na hora não queria perguntar ou estava com vergonha. Mas achei muito estranho perguntarem a data de nascimento, nenhum vendedor nunca fez isso.
Quando cheguei em casa lá estava um áudio com uma voz muito mais linda do que eu lembrava no telefone, comecei a conversar só pra saber o que a pessoa queria. Não tinha foto no perfil, sou feio e tenho vergonha de mim mesmo, mas ela queria saber como eu era. Sempre desconfiado, porque não me perguntava nada, não falava do trabalho, só parecia querer conversar mesmo. E eu conversava, escutava, enviei uma foto. Ela sempre mandava foto, vídeo indo caminhar, dirigindo, voltando da igreja, tudo numa boa. Uma pessoa linda, até demais, pra estar interessada em mim.
Continuo desconfiado, vou atrás de redes sociais, vejo que está participando até de concurso de beleza, crio expectativas mesmo sabendo que não tenho nada a oferecer. Lá vi que faltava poucos dias para o aniversário dela, no dia do aniversário dela espero dar meia noite, mando um vídeo todo envergonhado parabenizando ela, tenho problemas de autoestima então fica tudo bem cringe.
Ai ela começa dizer que queria me conhecer pessoalmente, me liga perguntando se pode vim na minha cidade (moramos há 160km de distância mais ou menos), mas estava tudo acontecendo muito rápido, peço pra ter calma, pra irmos nos conhecendo melhor, até porque até esse ponto as conversar eram bem casuais, eu pouco sabia sobre ela.
Ela saiu com a mãe dela pra comemorar, me manda foto e vídeo com a mãe dela, mas depois relata que achou que seriam só elas duas, mas que a mãe chegou com um rapaz e que ela não gostou dele, diz que "ele tá me testando", pergunto que tipo de teste e ela não responde.
Depois ela comenta que estava muito triste e só queria que eu estivesse lá pra poder dar um abraço nela no dia do aniversário, que tinha sido horrível sair com a mãe, que segurou choro a noite toda, que ela só queria me conhecer no dia do aniversário dela mas que parecia que eu não tinha gostado da ideia. Ai eu abaixo a guarda e crio expectativas, passo a conversar de uma forma mais carinhosa.
Pergunto sobre relacionamento e ela diz que terminou há pouco tempo, mas já estava há um tempo querendo terminar, e não dá mais detalhes. Volto a fuçar as redes e descubro que o intervalo entre o fim de um namoro de 2 anos e começar a conversar comigo é menos de 2 semanas. Volto a ficar triste e desconfiado por ser o consolo de alguém que só quer um relacionamento rebote, e que provavelmente depois de ajudar e reerguer essa pessoa, ela vai só virar as costas e voltar pro ex, que é bem mais bonito do que eu. Mas como ela sempre elogiava meu bom humor, minhas boas sacadas, acabo acreditando nessa de que talvez caráter e conteúdo se sobressaia.
Nesse ponto já estávamos conversando há umas 2 semanas, tentando encaixar uma data no final de semana pra nos conhecermos. Marcamos então para 3 de outubro, eu iria na cidade dela, 160km numa CG 150 pra conhecer alguém da internet numa cidade que nunca fui. Conversamos todos os dias por ligação, ligação de vídeo, falando sobre vida, trabalho.
Faltando 5 dias pra data que combinamos, numa ligação, ela me diz que alguém do trabalho dela arrumou alguém pra ela sair e ela aceitou, mesmo sem nunca ter conhecido a pessoa, disse que sentiu nojo, mas saiu. Beleza, racionalmente falando ela está solteira e faz o que quiser da vida, mas sinto uma falta de respeito do caralho fazer isso.
Ai eu comento sobre ela no trabalho, de forma bem rasa, e começam as histórias de pessoas que sumiram, foram roubadas, abusadas nessas de conhecer alguém pela internet. Decido investigar mais. Facebook, instagram, tiktok, facebook de todos os familiares, irmão, tio, primo, prima, mãe. Vejo que já foi casada (encontro um processo de divórcio) e que o requerente em questão foi o ex-marido. Nessa, já vejo que nos últimos 4 anos ela se casou, ficou 2 anos casada, separou, já engatou um namoro de mais 2 anos e menos de 1 mês depois já está me chamando de amor. Isso aos 24 anos de idade.
Desanimo total, decido parar de conversar e puxar assunto, levo muito a sério relacionamento e ela parece só querer aventuras. Sexta, sábado e domingo se passam. Sábado é o dia que eu iria lá. Ela nem questionou se eu iria ou não, parece não fazer muito caso, fico feliz, era o que eu queria, só me afastar e esquecer ela.
Ontem no horário do almoço dela, me manda uma foto com a cara inchada e de choro. Escrevo um texto dizendo pedindo desculpas, falando que tinha investigado a vida dela e dos familiares por medo de ir lá e acontecer alguma coisa, mas que não daria certo, que tenho coisas pra resolver antes na minha vida, mas que gostava dela, desejo sucesso e felicidades, algo pra terminar na amizade mesmo, num clima bom.
Ela responde que gosta da minha sinceridade, mas que nunca tinha pedido pra eu ir lá, e que o motivo do choro dela era algo muito pior que tinha acontecido domingo, que não conseguiu dormir, acordava chorando e gritando e pensou em me ligar, mas que bom que não tinha feito isso porque eu não me importava com ela. Que se eu fosse bom em investigar, que encontrasse quem seguiu, violentou sexualmente e bateu nela.
Ai eu desmontei, dor na barriga, tremedeira, ânsia de vomito, não sabia o que falar, aliás estou sentindo isso agora só de escrever e lembrar. Olhava pra tela do celular e não sabia o que digitar, só pensava nela sozinha em casa podendo fazer alguma besteira.
Eu jamais imaginaria que algo assim tivesse acontecido, mas ai já era tarde, ela só sabia falar que eu não me importava com ela, que era melhor assim mesmo, me afastando, e eu querendo demonstrar que mesmo não querendo um relacionamento, me preocupava sim com a vida de outra pessoa. Começou a falar que está cansada de ser julgada, que antes estava em um relacionamento abusivo, que hora eu era muito legal, mas hora eu julgava ela demais, que não era pra ter pena se nem intenção de conhecer ela eu tinha e que só queria uma amizade sincera.
Pergunto se ela está bem, se está com alguémm, responde que está em casa com medo, sozinha, com medo de ir trabalhar. Pergunto se ela conversou com alguém sobre isso e diz que não, falo pra deixar eu pelo menos escutar ela, que poderia falar o que fosse e eu ia dar suporte para o que precisasse, só que ai ela volta a discutir sobre eu parar de falar com ela, que não tinha motivo pra confiar em mim e que eu não gostava dela.
Confesso que usei de chantagem, que se não falasse comigo eu entraria em contato com a mãe e/ou irmão pra contar aquilo que ela estava me falando pra poderem ajudar ela, que se eu não conseguisse ajudar, iria encontrar alguém que consegue. Meu maior medo nesse momento era dela fazer alguma besteira, suicídio ou me bloquear e sofrer sozinha. Já estava procurando sobre o que fazer numa situação dessas na internet, o que falar, o que fazer, mas é tudo resumido em não culpar a vítima (óbvio, nunca faria isso) e escutar, mas como escutar alguém que não tem mais vontade/confiança de falar com você?
É isso, não sei como/o que/quando/quem falar, se acredito nisso ou não. Só quero o bem dela, mas não sei o que é o certo a se fazer. Jamais me perdoaria de "abandonar" alguém numa situação assim, mas sei que eu não sou a pessoa certa pra ajudar, que a família seria a melhor opção. Preciso de ajuda.

Update: ela disse que conversou com alguém do trabalho e essa pessoa marcou médico pra ela. Elogiei, disse que era bom que ela conseguiu conversar com alguém, e que seria ótimo também ir na delegacia da mulher pra relatar o crime. Enviei o link do CVV - Centro de Valorização da Vida, disse que lá ela teria pessoas mais instruídas pra conversar, de forma totalmente anônima e que iriam ajudar ela se precisasse. Terminei com um "boa noite". Ela respondeu com um "Obrigada" e "Boa noite". Considero minha parte feita, não vou mais mandar mensagem. Sendo verdade a história do estupro, ela agora vai receber ajuda de quem pode ajudar mais do que eu. Sendo mentira, conseguiu estragar um dia da minha vida me sentindo mal e quase vomitando de ansiedade, mas vou sobreviver e ter história pra contar, e até evitar futuros problemas semelhantes.
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2020.10.01 22:53 nicosomma Mix de Quinta: Epic Trance - Com um pequeno comentário sobre o gênero

Boa quinta a todos!
Hoje trago um novo mix de Trance, na sua forma de "Epic Trance", ou como também o chamam: Anthem trance, uplifting trance, etc. E além de deixar o link e esperar que gostem, queria deixar um pouco de informação sobre esse gênero que tanto gosto, mas que fica meio caminho andado porque muita gente não conhece, e muitos dedicados à eletrônica lamentam ser recente "comercialização". (LINK NO FINAL SE VOCÊ NÃO QUER LER)
O que é Trance?
Trance é um gênero dentro da música eletrônica, surgido no início dos anos 90, influenciado por vários outros gêneros: house, pop, techno, trilhas sonoras e música clássica. Recebe esse nome pela "emoção" que gera nos ouvintes, que atinge com suas peculiaridades musicais: High BPM (batidas por minuto): é uma música base "rápida", e uma forma quase "geométrica" ​​onde a tensão é aumentada musical e depois lançado em 1 ou 2 "drops", que costumam ter elementos melódicos intensos e particularmente cativantes.
Por que não é tao amado?
Trance recebe pouco amor, embora muitos ouvintes. É um dos gêneros mais fortes na cena comercial, nos grandes palcos, na TV e no cinema. Mas isso fez com que o gênero fosse acusado de ser "comercial" nos últimos anos, e de não ser tão popular entre os ouvintes de música eletrônica. Por outro lado, seus altos bpm e longa duração, fazem com que não seja a música típica que mais tocamos para ir para o trabalho, ou se canse um pouco se você não está "com disposição" para o Trance.
E o Trance edificante? O uplifting trance é um subgênero, onde a característica de buscar emoções através da melodia é particularmente exaltada, com grandes construções e enormes quedas, muitas delas com elementos épicos (daí sua outra nomenclatura) ou notas que caracteristicamente provocam euforia.
Algo mais?
Sim, para dizer que Trance, como muitos outros gêneros, é música para ouvir com paciência e deixar ir. Brinque do início e saiba que há uma jornada pela frente, onde você vai aprender uma espécie de “história” que desperta emoções. Não pode ser cortado, e é em vão avançar no assunto porque você vai ouvir algo descontextualizado, já que Trance é muito sobre construir uma subida, LEVAR-NOS PARA TRANCAR. (Sem a menor intenção de ofender) Você colocou Tusa, ou Hawaii, e ouviu a importância da música em 30 segundos, no refrão. Exploração do Espaço (como já dei o nome antes (minuto 06:35 do Mix), não cabe nisso ... você tem que ouvir tudo ... entre no espaço, e deixe-se ser catapultado para o infinito.

Agora sim, o de sempre: espero que gostem do post, do vídeo, e deixem seu apoio se quiserem! Música, se não puder ser compartilhada, é um pouco menos.
Boa quinta.
Epic Trance Mix
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2020.09.30 21:06 pla-to Escritor a beira do colapso

Olá, Brasil
hoje venho lhes apresentar meu dilema. Gostaria de saber se os senhores podem me auxiliar, pedindo desculpas antes mesmo de começar a me explicar, tendo em vista o tamanho do post que abaixo segue. Para quem possuir a paciência e a resignação de ler até o final, só me faz possível agradecer e lhe estender um virtual e fraternal abraço.
tl;dr>! sou bipolar e gosto de escrever, não tenho um puto no bolso pq anos de estudos de filosofia e literatura me tornaram incapaz de conviver de maneira adequada nessa sociedade doente, peço que avaliem meu trabalho para que eu saiba se há futuro para mim na escrita e, também, que me ajudem com conselhos profissionais, doações ou de qualquer outra forma para que eu possa sair da cidade em que resido e busque um lar em São Paulo.!<
Vamos lá:
Me chamo Dillon Hagar (meu pseudônimo literário) e tenho ~30 anos. Sou formado em direito e administração com pós em direito penal e processual penal, não que isso me seja muito relevante sobre quem sou, acredito estar mais relacionado com minha história.
Venho de uma família brasileira típica: meu pai e minha mãe são pessoas honestas que sempre trabalharam (muito) para buscar oferecer o melhor para meu irmão e eu. Apesar da extrema formalidade que compele o viver dos dois, sei por fato e história o quanto eles nos amam. Meu pai sempre foi um cara absurdamente estourado e - até recentemente - acreditei que isso era apenas seu jeito de ser, afinal o cara já engoliu alguns sapos da vida (principalmente de sua falecida mãe).
Talvez pelo fato de ser tão estourado, permiti por muito tempo que minhas escolhas fossem feitas por mim, afrontar seus nervosismos só me gerava ainda mais ansiedade. Sempre me foi difícil o necessário pisar em ovos com ele, já que somos pessoas absolutamente distintas. Seu ideal de justiça é através da imposição da violência enquanto sou apenas um advogado que valoriza o debate, defende as garantias e direitos individuais e conhece um pouco das mazelas do nosso maravilhoso Brasil.
Fiz uma faculdade (duas, se prezar pela especificidade) que me habilitaram em uma profissão que não tinha e nem tenho a menor intenção de exercer. Sou advogado inscrito na OAB/SP, porém tudo que gostaria de fazer é rasgar minha carteira e escrever... Mas tudo bem, quem não é advogado hoje, não é mesmo?! Está ai a primeira vaidade formal que meus pais têm sobre mim que não faço questão.
Tenho um irmão mais velho (programador) que, com muito trabalho e talento, conquistou seu lugar ao sol nesse caótico mundo e foi morar em outro país, longe do julgamento dos velhos.
Para o caçula, restou apenas buscar se adequar a sociedade de uma cidade do interior paulista (~180k habitantes, ~450km da capital) e tentar ganhar algum dinheiro, porém, como fazemos isso quando não há oportunidades e se é um desarticulado?
Aos melhores empregos, não possuo a experiência. Para os demais, sou mais qualificado do que deveria. Sou um monstro em pele de homem, vagando por uma cidade que não parece ter o interesse de recepcionar o diferente.
Veja bem, estimado leitor. Sei o que sou e, acredito que aqui, seja o momento ideal para dizer o bestial ser que lhes redige este biográfico texto. Minha sinceridade é inata, não posso me mostrar por menos, não me sentiria bem comigo mesmo se não soubessem quem realmente é aquele que lhes pede algo.
Há alguns anos - graças a uma maravilhosa ex-namorada psicóloga - contrariado pelos meus pais que sempre viram saúde mental como tabu, decidi buscar ajuda profissional para tratar o vazio existencial que existe/ia dentro de meu peito. Após 6~8 anos de terapia e pelo menos outros 6 de clínica psiquiátrica, me deparei com o diagnóstico de um distúrbio de personalidade, "Transtorno de bipolaridade tipo 2", dizem os médicos. Como gosto de informalidades, prefiro chamar apenas de "meus demônios".
"Meus demônios" por muito tempo foram seres antagônicos dentro de mim, me aterrorizavam madrugadas a dentro, cochichando terríveis segredos em meus ouvidos. "Nunca serás o suficiente", "aqueles que dizem te amar riem de ti", "se tens medo de monstros olhe bem para dentro de si: tu és o monstro de quem teme". Nada legal, não?!
Medicação e terapia me tornaram inteiros, ao menos o suficiente para que tomasse as forças necessárias para meu "salto de fé", me fazendo no começo do ano finalmente deixar o ninho e buscar continuar somente com a força de minhas próprias pernas. A felicidade e a esperança, como bem sabem do ano de 2020, talvez tenham sido mal colocadas.
Surpreendentemente, mesmo com as coisas nesse plano de existência estarem indo em vertiginoso declínio, me encontro de certa forma bem e feliz comigo mesmo. "Meus demônios" agora são seres integrados em minha convivência e, com a força do estudo da filosofia (valeu Platão, estoicos, Nietzsche e demais) e outros literatos, descobri que não deveria mais temer minha patologia. Aprendi que ela sou eu e eu sou ela, essa "bipolaridade" que me faz navegar tão rapidamente entre humores é tão somente parte de quem sou. Se antes terapia e remédios eram minha cura, hoje digo com propriedade que aprendi ser minha própria mirtazapina. Se antes chorar de manhã e sorrir de tarde eram um problema, hoje aprecio o fato de lacrimejar enquanto escuto Avril Lavigne (que mulher!), mais tarde me abraçar ao som de Dream Theater e me odiar durante as madrugadas com Witchcraft ou Void King. Música, filmes e livros: ai está minha eterna companhia.
Pois bem, caríssimos estranhos. Sou o que sou e não lhes nego! Talvez esse seja o maior trunfo do anonimato: a possibilidade de ser quem quiser ser sem o prejuízo de julgamentos. Espero que minha sinceridade não lhes seja ofensiva ao decoro, para os que até aqui chegarem agradeço de coração sua insistência.
Ok, ok, divago! Vamos voltar ao ponto central e motivo desse texto: Não tenho amigos e não tenho emprego. O primeiro se deve ao fato de que sou quem sou: aprendi a duras verdades que em uma cidade deste tamanho existem mais pessoas dispostas a lhe julgar do que entender. Geralmente fogem quando confesso ser bipolar ou quando descobrem que não tenho medo de estar em contato com meus sentimentos. Que coisa não?! Em pensar que o que todos buscavam era verdadeira conexão e honestidade nas relações. Mas tudo bem, quem lhes redige sabe que sua intensidade pode ser exigente demais da disponibilidade dos outros, procuro não julgar os que me negam.
Já para falta de emprego talvez seja uma consequência lógica do primeiro: Em entrevistas de emprego costumo ser brutalmente honesto com meu empregador (afinal não é o que pedem?), ainda há pouco me perguntaram qual o meu salário ideal, quando respondi minha quantia, balançaram a cabeça em sinal negativo e disseram que era incompatível. Quem sabe não tenha sido o mais inteligente de minha parte dizer que "talvez o senhor não devesse fazer perguntas que não lhe agradam a resposta, achei que me perguntavas o que eu queria, não que buscasse adivinhações". Sim, sou este tipo de ser. Novamente perdão se lhes ofendo, reafirmo não ser minha intenção. Convido-lhes para uma reflexão, amado desconhecido: poderia eu, sendo quem sou, responder diferentemente?
Pois bem, venho fazendo o que todo jovem advogado têm feito: ofereço serviços jurídicos a preços módicos (que costumeiramente adapto aos meus clientes como forma de lhes ajudar). Sou criminalista mas somente atendo um seleto tipo de criminosos: àqueles a quem se não oferecido um serviço jurídico, muito provavelmente seriam engolidos pela máquina punitiva do Estado e integrados ainda mais a criminalidade. Não advogo para partidos criminosos e muito menos para criminosos de carreira, minha intenção é ajudar e não livrar-lhes de culpa. Talvez percebam aqui os motivos de porque não me restar dinheiro...
A fim de dedicar ainda mais honestidade à este texto, digo-lhes que tenho sim uma amiga. Uma sócia-comparsa, somos advogados e trabalhamos juntos coletando moedas enquanto tentamos ajudar, um pássaro de asa quebrada por vez.
Novamente divago, perdão. Ao ponto então: bem, como já devem tê-lo percebido, meu negócio é a escrita. Amo escrever, estudo latim por hobby, leio dostoievisk por esporte. Escrevo poemas, poesias, cartas, o que quiser. Dedico aos meus amigos e conhecidos aquilo que posso oferecer: no meu caso é o que coletei em meus 30 anos de existência. Você tem um problema amoroso? Ótimo! Sou teu brother e lhe farei uma carta ou um poema para que sares o coração, ó jovem apaixonado! Lhe incomoda a ansiedade saber que em breve terá que defender seu TCC? Maneiro, meu parceiro! Dedicarei à ti minha próxima carta sobre como deve se lembrar que em outra época, também já se apavoraste com o vestibular mas, ainda assim sobreviveste. Aproveito para lhes endereçar esta pergunta: Como se sentiriam se alguém lhes dedicasse uma carta sobre um problema que você confessou ter? Enfim, acho que pegaram o fio da meada.
Atendendo ao meu cósmico chamado, neste mês de setembro (setembro amarelo, lembro), silenciei meus demônios e passei a publicar alguns de meus textos, cartas e poemas em meu facebook particular. Alguns receberam mais likes que outros, alguns nenhum. Devo dizer que me dói saber que minha escrita às vezes não é apreciada.
Ao verem uma suculenta oportunidade, meus "dêmos" foram atiçados e voltaram a sussurrar. A minha vantagem é que neste momento, estando um bocado mais forte que antes, pensei que talvez não devesse eu ceder a régua que me mede à mão de pessoas que porventura não são verdadeiramente amigas. Improvável mas possível...
Sem dinheiro, sem perspectiva e sem companheiros, resto sozinho vivendo em um apartamento quase de favor com um conhecido. Gostaria de me mudar para São Paulo e conhecer todas aquelas pessoas estimulantes que pertencem àquele maravilhoso lugar, porém, como, se não disponho de condições nem para minha terapia e psiquiatra? Às vezes sinto que minto para as duas quando digo que estou bem, em ordem de fazer diminuir o número de sessões e medicamentos que preciso despender. Mando meu amor para as duas: não fosse por elas e os descontos absurdos que me proporcionam (na terapia, pago menos da metade; na psiquiatra, 1/3), talvez eu não estivesse me sentindo tão radiante. Não é lindo quando profissionais se despem de sua autoridade e tocam outro humano apenas como um humano?
Pois bem, venho até este maravilhoso sitio eletrônico e lhes peço: sejam meus juízes! Convido-lhes ao meu julgamento e de meu trabalho. Serei eu um bom escritor? Existe um ofício por trás destra escrita? Poderia eu tudo abandonar e - quem sabe finalmente - me encontrar alinhado e instrumentalizado pelo senhor universo através da bela e indescritível energia cósmica enquanto escrevo? Acredito que o tempo e os senhores podem me dizer...
Encaminho o link de meu tumblr (tumblr pra escritor br, ok, isso é ainda de se analisar), nele encontrarão algumas de minhas escritas publicadas nesse mês de setembro. Caso a paciência e a boa vontade acompanhem os senhores e senhoras, peço gentilmente que leiam, avaliem e sentenciem neste post o que considerarem pertinente. Caso estejam cansados de minha presença e queiram buscar apenas o poema mais lido, acredito que tenha sido este.
Para aqueles que realmente creem no valor de meu trabalho, também anexo um link para doação em paypal, onde aceito qualquer valor que puderem me ceder. Por ora, fica desabilitado a possibilidade de subscreverem em assinatura as doações, antes avaliarei se há futuro para mim nesse negócio de escrita.
E para você, que precisa de alguém que lhe escreva uma carta, um poema, uma poesia, ou que tenha, sabia ou queira um empregado escritoredatofaz tudo, sabia que recebo pedidos por email ( DillonHagarF ARROBA gmail PONTO com ) ou até mesmo através desse post ou direct.
Há aqueles que me chamarão de tolo por acreditar na bondade de estranhos na internet, devo lhes dizer que não me importo. Somente atendo minha própria natureza assim como acredito que cada um deve atender a própria. Estejam todos abençoados e em paz: aos que me ajudarem, mais, aos que me ignorarem, em igual proporção.
Por fim, agradeço todos que chegaram até aqui. Vocês são seres maravilhosos e o dom de sua curiosidade proporcionou a um desconhecido na internet um momento de felicidade. Um profundo e sincero obrigado! Sintam-se amados até mesmo por quem lhes desconhece!
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2020.09.26 01:53 altovaliriano Descriptografando a Carta Rosa

Texto original: https://cantuse.wordpress.com/2014/09/30/the-pink-lette
Autor: Cantuse
Partes traduzidas: 1) A Estrada Para Vila Acidentada, 2) Uma Aliança de Gigantes e Reis, 3) Despindo o Homem Encapuzado, 4) Confronto nas Criptas, 5) Tendências Suicidas
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OBS: Esta é a última parte que traduziremos por agora.
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O MANIFESTO : VOLUME II, CAPÍTULO VII

Não há como negar que resolver o mistério da Carta Rosa é uma imbróglio complicado. Já existem dezenas de teorias.
Resolver esse mistério tem sido um dos grandes objetivos do Manifesto desde o início, e acho que fiz um bom trabalho de construção progressiva até este ponto.
NOTA: O ideal era que você tivesse lido todos os ensaios até este ponto, mas se você insiste em ler assim, eu sugiro que pelo menos você leia Confronto nas Criptas e Tendências Suicidas primeiro.
Vamos direto ao assunto. Neste ensaio, estou apresentando os seguintes argumentos.
À luz das muitas teorias anteriores estabelecidas aqui no Manifesto, podemos desenvolver um entendimento muito convincente da chamada Carta Rosa e do que ela realmente diz.
[...]

A CARTA ROSA

Esta seção é apenas uma recapitulação da carta, seu texto e as várias outras características que possui.
Coloco esta seção aqui como uma referência fácil durante a leitura deste ensaio.

O texto

Seu falso rei está morto, bastardo. Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha. Estou com a espada mágica dele. Conte isso para a puta vermelha.
Os amigos de seu falso rei estão mortos. Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell. Venha vê-las, bastardo. Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha. Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Terei minha noiva de volta. Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras. A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor. Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Estava assinado:
Ramsay Bolton
Legítimo Senhor de Winterfel
(ADWD, Jon XIII)

A descrição da carta

Bastardo, era a única palavra escrita do lado de fora do pergaminho. Nada de Lorde Snow ou Jon Snow ou Senhor Comandante. Simplesmente Bastardo. E a carta estava selada com um pelote duro de cera rosa.
Estava certo em vir imediatamente – Jon falou. Está certo em ter medo.
(ADWD, Jon XIII)

DIFICILMENTE O BASTARDO

Acho que já fiz um argumento convincente de que Mance Rayder está disfarçado de Ramsay Bolton (veja o Confronto nas Criptas).
Mas tenho certeza de que os leitores apreciariam pelo menos uma rápida avaliação das muitas outras razões pelas quais não acredito que a carta possa ser de Ramsay.
Especificamente, esta seção está identificando maneiras pelas quais a carta é incoerente com o que sabemos sobre Ramsay. Não acredito que nada disso por si só desqualifique Ramsay como autor, mas coletivamente elas geram grandes dúvidas.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

Falta o botão

Todas as cartas anteriores de Ramsay foram seladas com "botões" bem formados de cera:
Empurrou o pergaminho, como se não pudesse esperar para se ver livre dele. Estava firmemente enrolado e selado com um botão de cera dura rosa.
(ADWD, A noiva rebelde)
Clydas estendeu o pergaminho adiante. Estava firmemente enrolado e selado, com um botão de cera rosa dura.
(ADWD, Jon VI)
A Carta Rosa é lacrada com "pelote duro de cera rosa", uma discrepância notável.

Cabeças na Muralha

Enfiar cabeças em lanças parece um tanto incoerente com o estilo pessoal de Ramsay e com os maneirismos de Bolton observados a esse respeito: esfolar ou enforcar.

Sem pele ou sangue

Um dos artifícios mais conhecidos de Ramsay é o envio de mensagens escritas com sangue e com pedaços de pele anexados.
Não há menção de sangue usado como tinta, nem está implícito, como ocorre em outras cartas que parecem ser dele. Definitivamente, não há menção a um pedaço de pele, o que é estranho, considerando que Ramsay afirma ter Mance Rayder e todas as seis esposas de lança ... certamente uma delas poderia fornecer um pouco de pele.

Como Ramsay saberia?

Por que Ramsay pede Theon a Jon ?
Se Theon foi entregue a Stannis, e Stannis tinha toda a intenção de matá-lo, por que Ramsay acreditaria que Theon está agora com Jon?
Nem mesmo Mance Rayder saberia disso.
Além disso, “Arya” foi entregue a Stannis também, via Mors Papa-Corvos.
Por que ele acreditaria que Arya está com Jon?
Se todo a hoste de Stannis foi realmente destruída, você deve se perguntar onde Ramsay ficou sabendo destes detalhes, principalmente com relação a Theon.
É uma suposição sensata pensar que Stannis pode enviar "Arya" de volta a Castelo Negro (na verdade, foi o que Stannis faz), mas mesmo uma formação primária em inteligência [militar] torna óbvio que Theon seria de grande valor estratégico em uma batalha contra Winterfell, mas em nenhum outro lugar.
Uma pessoa pode então arguir que isso só pode significar que o corpo de Theon não foi descoberto entre os mortos. No entanto, dadas as condições meteorológicas, essa provavelmente é uma tarefa impossível de realizar. Portanto, Ramsay não teria nenhuma base e nenhuma confiança para pensar que Jon tinha Theon em absoluto.

ENDEREÇADO À MULHER VERMELHA

No início deste ensaio, declarei que a Carta Rosa se destinava especialmente a Melisandre. Preciso lhes dar as evidências. Tanto aquelas dedutivas (ou razoáveis), quanto aquelas que estão implícitas ou que foram estabelecidas daquele jeito inteligente e sutil que Martin faz com frequência.

Missão de Mance

Como já estabeleci no Manifesto, a missão de Mance baseava-se em saber onde seria o casamento de Arya.
Assim, quando Jon recebeu seu convite de casamento, Mance deveria partir para Vila Acidentada.
Jon acidentalmente recebeu o convite enquanto estava no pátio de treinamento, lutando com Mance disfarçado de Camisa de Chocalho. Assim, Mance foi capaz de simplesmente ouvir o local. Mas não podemos presumir que Mance e Melisandre apostaram tudo em terem a sorte de ouvir qual seria o local.
Uma dedução simples conclui que Mance era capaz e estava determinado a ler as cartas no quarto de Jon até que surgisse a localização.
NOTA: Se esta explicação parece insuficiente, eu apresento o argumento por completo em um ensaio anterior A estrada para Vila Acidentada.
Isso também significa que o convite não era realmente para Jon, mas sim para Melisandre e Mance, como um 'gatilho' para o início de sua missão. Novamente, eu explico a base para essas conclusões no ensaio mencionado acima.
Isso estabelece o precedente de que as mensagens enviadas para Castelo Negro podem, de fato, ter a intenção de se comunicar secretamente com Melisandre.

Ratos Cinzentos

Aqui há um exemplo de Martin possivelmente invocando um dispositivo que é sua marca registrada: enterrar recursos de enredo relevantes para uma história em outra, geralmente via metáforas ou alegorias inteligentes.
Três citações devem ser suficientes para você entender (em negrito, para dar ênfase nas partes principais):
Três deles entraram juntos pela porta do senhor, atrás do palanque; um alto, um gordo e um muito jovem, mas, em suas túnicas e correntes, eram três ervilhas cinza de uma vagem negra.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Se eu fosse rainha, a primeira coisa que faria seria matar todos esses ratos cinzentos. Eles correm por todos os lados, vivendo dos restos de seus senhores, tagarelando uns com os outros, sussurrando no ouvido de seus mestres. Mas quem são os mestres e quem são os servos, realmente? Todo grande senhor tem seu meistre, todo senhor menor deseja ter um. Se você não tem um meistre, dizem que você é de pouca importância. Esses ratos cinzentos leem e escrevem nossas cartas, principalmente para aqueles senhores que não conseguem ler eles mesmos, e quem diz com certeza que eles não estão torcendo as palavras para seus próprios fins? Que bem eles fazem, eu lhe pergunto.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
:::
Lorde Snow. – A voz era de Melisandre.
A surpresa o fez afastar-se dela.
Senhora Melisandre. – Deu um passo para trás. – Confundi você com outra pessoa.À noite, todas as vestes são cinza. E subitamente a dela era vermelha.
(ADWD, Jon VI)
A noção de que todos os mantos são cinza parece equivocada: Melisandre equivale a um meistre .
O que é verdade em muitos sentidos: ela é definitivamente uma conselheira de Stannis e 'sussurra' em seu ouvido. E talvez o mais notável seja o fato de que muitos questionam quem realmente está no comando: Stannis ou sua mulher vermelha?
Quando você vê esses paralelos, a alusão a ela usar vestes cinzas tem uma conexão forte e interessante com o conceito de cartas em que alguém está 'torcendo as palavras'.
Afinal, eu dei argumentos convincentes de que o convite de casamento de Jon era para Mance e Melisandre e foi enviado por Mors Papa-Corvos. Alguém contestaria a noção muito razoável de que outras cartas seriam igualmente confidenciais?
Outra coisa engraçada sobre essa ideia é que Melisandre literalmente distorce as palavras para seus próprios propósitos:
O som ecoou estranhamente pelos cantos do quarto e se torceu como um verme dentro dos ouvidos deles. O selvagem ouviu uma palavra, o corvo, outra. Nenhuma delas era palavra que saíra dos lábios dela.
(ADWD, Melisandre)

Uma bela truta gorda

Há um outro elemento temático que sugere que as cartas podem possuir conteúdos secretos, uma característica interessante atribuída a duas cartas diferentes em As crônicas de gelo e fogo.
A primeira carta é a de Walder Frey, enviada a Tywin após o Casamento Vermelho:
O pai estendeu um rolo de pergaminho para ele. Alguém o alisara, mas ainda tentava se enrolar. “A Roslin pegou uma bela truta gorda”, dizia a mensagem. “Os irmãos ofereceram-lhe um par de pele de lobo como presente de casamento.” Tyrion virou o pergaminho para inspecionar o selo quebrado. A cera era cinza-prateada, e impressas nela encontravam-se as torres gêmeas da Casa Frey.
O Senhor da Travessia imagina que está sendo poético? Ou será que isso pretende nos confundir? – Tyrion fungou. – A truta deve ser Edmure Tully, as peles…
(ASOS, Tyrion V)
A segunda é a carta ostensiva que Stannis escreveu a Jon Snow enquanto estava em Bosque Profundo. Não vou citar a carta (é um texto imenso), apenas um elemento da descrição:
No momento em que Jon colocou a carta de lado, o pergaminho se enrolou novamente, como se ansioso para proteger seus segredos. Não estava seguro sobre como se sentia a respeito do que acabara de ler.
(ADWD, Jon VII)
O que estou tentando apontar aqui é que a primeira mensagem de Walder Frey definitivamente tinha uma mensagem inteligentemente escondida. E por alguma razão, Martin decidiu mostrar que a carta 'queria' enrolar-se novamente.
A segunda mensagem também quer enrolar-se e, se você a ler com atenção, há um grande número de coisas que são totalmente incorretas ou atípicas em relação a Stannis nela. Cavaleiros homens de ferro? Execução por enforcamento?
Já tomei a liberdade de esquadrinhar tortuosamente os livros e não consigo encontrar de pronto outros exemplos em que as cartas foram personificadas dessa maneira.
Junto com os pontos anteriores, este não reforçaria a ideia de que Melisandre (e Mance por um tempo) está recebendo mensagens camufladas enquanto está em Castelo Negro?

Carta de Lysa

Outra indicação de que tais 'cartas codificadas' não são incomuns é que uma das primeiras cartas que vimos nos livros era uma: a que Catelyn recebe de Lysa.
Seus olhos moveram-se sobre as palavras. A princípio pareceu não encontrar nenhum sentido. Mas depois se recordou.
Lysa não deixou nada ao acaso. Quando éramos meninas, tínhamos uma língua privada.
(AGOT, Catelyn II)
* * \*
Deve ser apontado que isso também faz sentido de uma perspectiva puramente lógica. Como já argui veementemente que Stannis, Mance e Melisandre conspiraram juntos, faria sentido que todas as partes precisassem ser capazes de se comunicar de uma forma que protegesse a referida conspiração.
Nesse ponto, tal tipo de carta constitui a opção mais adequada, como mostram as cartas de Walder Frey e Lysa Tully.
Esse tipo de proteção de carta – enterrar uma mensagem secreta em outra mensagem, de modo que não possa ser detectada – é conhecido como esteganografia.
A Dança dos Dragões faz de tudo para educar os leitores de que nem sempre se pode confiar nos meistres com segredos: ouvimos isso de Wyman Manderly e Barbrey Dustin. No entanto, se um rei ou outro oficial escrever suas cartas com mensagens secretas esteganográficas, os verdadeiros detalhes serão ocultados até mesmo dos meistres. Na verdade, foi exatamente isso que observamos na carta de Walder Frey a Tywin Lannister.
Meu objetivo final neste ensaio é convencê-lo de que a Carta Rosa é uma mensagem esteganográfica de Mance Rayder para Melisandre. A forma como foi escrita esconde seus segredos de qualquer meistre (ou Jon Snow) que tente interpretá-la.
A principal desvantagem de tentar decifrar qualquer mensagem esteganográfica é esta:
Por que eles não encontraram nada? Talvez eles não tenham procurado o suficiente. Mas há um dilema aqui, o dilema que capacita a esteganografia. Você nunca sabe se há uma mensagem oculta. Você pode pesquisar e pesquisar, e quando não encontrar nada, você pode apenas concluir “talvez eu não procurei com atenção”, mas talvez não haja nada para encontrar.
ESTRANHOS HORIZONTES, ESTEGANOGRAFIA: COMO ENVIAR UMA MENSAGEM SECRETA
Isso significa que a única maneira real de provar a você que Mance escreveu a Carta Rosa é se eu conseguir encontrar uma tradução irresistivelmente convincente de qualquer conteúdo secreto que ela possa ter.
E mesmo assim você pode argumentar que não é verdade. Embora eu espere que você não diga isso quando terminar este ensaio.

Querida Melisandre

Além de todos os pontos acima, Melisandre consegue tornar tudo ainda mais explícito. Antes da chegada da Carta Rosa, Melisandre diz:
Todas as suas perguntas serão respondidas. Olhe para os céus, Lorde Snow. E, quandotiver suas respostas, envie para mim. O inverno está quase sobre nós. Sou sua única esperança.
(ADWD, Jon XIII)
Isso parece enfaticamente dizer a Jon que ela quer vê-lo depois que a carta chegar.
Observe como ela está lá quando Jon decide ler a carta em voz alta no Salão dos Escudos. Eu sei que isso parece um detalhe trivial, mas considere que ela não apareceu antes do início da reunião e que ela desapareceu quase imediatamente após Jon terminar.
Isso está relacionado à principal preocupação que a vemos expressar em sua conversa com Jon antes da chegada da carta: abandonar a caminhada para resgatar os que estavam em Durolar.
Mas por que?
Este é um ponto que revelarei mais tarde no Manifesto. Por enquanto, deve bastar saber que Melisandre queria ver ou ouvir o conteúdo dessa carta.

VERNÁCULO SELVAGEM

Nas próximas duas seções, demonstrarei por que a Carta Rosa foi escrita por Mance. Esta primeira seção consiste em detalhes o que vemos no texto, a linguagem usada e assim por diante.
Em particular, existem frases que são bastante específicas para Mance (ou que excluem Ramsay), e também detalhes que são específicos para a conspiração Mance-Melisandre.
Se minuciosas listas de evidências o aborrecem, pule para a próxima seção.

“Falso Rei”

Esta frase é especificamente o que Melisandre usa para se referir a Mance Rayder, ela o chama de falso rei duas vezes. Quase não aparece em nenhum outro lugar em A Dança dos Dragões , a exceção sendo uma instância onde Wyman Manderly declara Stannis um falso rei.

“Corvos Negros”

Os selvagens são as únicas pessoas que usam os termos corvo ou corvo negro em um sentido depreciativo.
A única exceção a isso é Jon Snow (o que é interessante), quando ele está tentando convencer o povo livre.

“Princesa Selvagem” e “Pequeno Príncipe”

O termo princesa selvagem abunda na Muralha, uma invenção dos irmãos negros que então se espalhou entre os homens da rainha.
O pequeno príncipe foi especificamente apresentado na Muralha, primeiro por Melisandre e depois por Goiva:
Melisandre tocou o rubi em seu pescoço. – Goiva está amamentando o filho de Dalla, além do seu próprio. Parece cruel separar nosso pequeno príncipe de seu irmão de leite, senhor.
(ADWD, Jon I)
Faça o mesmo, senhor. – Goiva não parecia ter nenhuma pressa em subir na carroça. – Faça o mesmo pelo outro. Encontre uma ama de leite para ele, como disse que faria. Prometeu-me isso. O menino... o menino de Dalla... o principezinho, quero dizer... encontre uma boa mulher pra ele, pra que ele cresça grande e forte.
(ADWD, Jon II)
Embora uma pessoa possa pensar que Melisandre está sugerindo de maneira sutil que sabe sobre a troca do bebê, isso não fica claro. O trecho sobre Goiva certamente deixa isso explícito.
O verdadeiro ponto aqui é que a terminologia aqui só foi vista antes na Muralha. Além disso, uma vez que nem Val nem o filho de Mance são verdadeiramente da realeza, não faz muito sentido que Mance ou qualquer uma das esposas de lança digam que são, mesmo que sob tortura.

Para que todo o Norte possa ver

O autor afirma que tem Mance Rayder em uma jaula para que todo o Norte possa ver.
Mance disse algo muito semelhante a Jon anteriormente:
Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)

INCLINAÇÃO PARA A SAGACIDADE

Além dos vários atributos já citados que favorecem Mance como autor, há um que se sobressai a todos:

Disfarçado de Camisa de Chocalho

Observe:
Vou patrulhar para você, bastardo – Camisa de Chocalho declarou. – Darei conselhos sábios, ou cantarei canções bonitas, o que preferir. Até lutarei por você. Só não me peça para usar esse seu manto.
(ADWD, Jon IV)
É muito difícil negar que esta não seria uma grande alusão ao próprio Mance em quase todos os detalhes. É tão certeiro que estou surpreso de que Melisandre ou Stannis não o tenham repreendido ou o mandado calar a boca.
Stannis queimou o homem errado.
Não. – O selvagem sorriu para ele com a boca cheia de dentes marrons e quebrados. – Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.
(ADWD, Jon VI)
Esta é uma maneira inteligente de sugerir que Stannis queimou o Camisa de Chocalho verdadeiro no lugar de Mance, apenas porque o mundo precisava ver Mance morrer, não porque os crimes de Mance justificassem a execução.
Eu poderia visitar você tão facilmente, meu senhor. Aqueles guardas em sua porta são uma piada de mau gosto. Um homem que escalou a Muralha meia centena de vezes pode subir em uma janela com bastante facilidade. Mas o que de bom viria de sua morte? Os corvos apenas escolheriam alguém pior.
(ADWD, Melisandre)
Como observei em outro ponto do texto, muito provavelmente se esperava que Mance subisse aos aposentos de Jon e lesse suas cartas, se assim fosse necessário para descobrir o local do casamento. Portanto, esta passagem parece ser uma dica engraçada de que ele pode ter estado nos aposentos de Jon, sem nunca tê-lo matado.

Disfarçado de Abel

O apelido de Mance por si só é uma pista inteligente, mas ele dá um passo além em muitos aspectos ao se passar por Abel.
Perto do palanque, Abel arranhava seu alaúde e cantava Belas donzelas do verão. Ele se chama de bardo. Na verdade, é mais um cafetão.
(ADWD, O Príncipe de Winterfell)
Aparentemente, muito pouco se sabe sobre a música. No entanto, um exame cuidadoso de um capítulo em A Tormenta de Espadas revela o primeiro verso da música (pelo menos na minha opinião):
– Vou à Vila Gaivota ver a bela donzela, ei-ou, ei-ou...
Co’a ponta da espada roubarei um beijo dela, ei-ou, ei-ou.
Será o meu amor, descansando sob a tela, ei-ou, ei-ou.
(ASOS, Arya II)
Uma escolha de música inteligente considerando sua inspiração em Bael, o lendário ladrão de filhas que se escondeu nas criptas Stark.
O mesmo poderia ser dito sobre a deturpação de “A Mulher do Dornês” quando ele mudou a letra para ser sobre a “filha de um nortenho”.
Além disso, há ocasiões em que ele toca uma música “triste e suave”, que já demonstrei ser um sinal para as esposas de lança.

UMA TRADUÇÃO LINHA-A-LINHA

Essa é a parte essencial do texto. Vou percorrer toda a Carta Rosa e explicar o que ela realmente diz. Lembre-se de que você deve ter chegado a este ponto no Manifesto tendo lido os textos anteriores, o que significaria que você já assumiu as seguintes premissas (ou pelo menos suspendeu sua descrença sobre elas):
Há apenas uma nova suposição que eu gostaria de fazer, uma bem sensata:
Mance saber esse único detalhe fornece uma pista impressionante para decifrar a Carta Rosa.
Agora vamos lá...

Primeiro parágrafo

Seu falso rei está morto, bastardo.
Isso significa que Stannis fingiu sua morte.
Ele e toda sua tropa foram esmagados em sete dias de batalha.
Isso diz mais ou menos a mesma coisa. Eu acredito que diz ainda mais, mas vou guardar para mais tarde.
Estou com a espada mágica dele.
Como parte da simulação de sua morte, a Luminífera de Stannis será levada para "Ramsay". Isso permite que os Boltons concluam que Stannis está morto, apesar haver uma quantidade limitada de outras evidências sobre isso.
Conte isso para a puta vermelha.
Literalmente, isso está instruindo Jon a contar a Melisandre. É muito interessante que Melisandre tenha implorado a Jon para 'envia-a para mim' depois de ler a carta, e o autor da carta está sugerindo exatamente a mesma coisa.
Coletivamente, o primeiro parágrafo parece um resumo dos principais detalhes: está dizendo que Stannis fingiu sua morte, provavelmente ganhou a batalha, mas que os Boltons estão convencidos da própria vitória. É muita informação de inteligência transmitida em um único parágrafo.
A linha sobre a espada é o que eu acredito ser um sinal a Melisandre para que começasse quaisquer próximos passos que ela tenha em mente (que serão discutidos posteriormente neste Manifesto).

Segundo parágrafo

Os amigos do seu falso rei estão mortos.
Isso significa que os aliados de Stannis também estão fingindo morte. Muito provavelmente, isso significa as tropas daqueles que viajam com Stannis. Por exemplo, Mors Papa-Corvos e seu bando de meninos verdes.
Suas cabeças estão sobre as muralhas de Winterfell.
Usar 'sobre' no sentido de estar perto de algo, isso significa que Mors está nas redondezas de Winterfell.
Venha vê-los, bastardo.
Esta é uma das várias provocações da carta, embora implique que Jon deveria viajar para Winterfell.
Seu falso rei mentiu, e você também. Você disse ao mundo que queimou o Rei-para-lá-da-Muralha.
[na versão brasileira, a frase começa com “Seu falso rei morreu, e o mesmo acontecerá com você”, uma tradução errada do texto original]
Este é o início do anúncio de que Mance Rayder está vivo. A parte em que o autor diz 'Você disse ao mundo' é muito semelhante ao que Mance disse a Jon: “Ele queimou o homem que tinha que queimar, para todo mundo ver. Fazemos o que temos que fazer, Snow. Até mesmo reis.” (ADWD, Jon VI)
Em vez disso, você o enviou para Winterfell, para roubar minha noiva.
Isso informa Jon e Melisandre que Mance terminou em Winterfell. Isso é importante porque, se você se lembra, Mance partiu originalmente para Vila Acidentada. Esta linha, portanto, confirma para onde Mance foi. Também revela que o autor conhecia a missão de Mance.
No todo, o parágrafo parece sugerir que Jon ou alguém precisa se juntar a Mors do lado de fora de Winterfell.
Este parágrafo declara ainda que Jon quebrou seus votos ajudando Stannis e Mance na tentativa de roubar Arya Stark. Isso é interessante porque Jon de fato não queria fazer isso, ele apenas queria resgatar Arya na estrada, presumindo que ela já tivesse escapado. O fato de a carta declarar esses detalhes mostra um esforço calculado para minar a honra e a legitimidade de Jon.

Terceiro parágrafo

Terei minha noiva de volta.
Isso nos diz claramente que “Arya” foi resgatada.
Se quer Mance Rayder de volta, venha buscá-lo. Eu o tenho em uma jaula, para que todo o Norte possa ver, a prova de suas mentiras.
Isso requer uma perspicaz (porém, simples) interpretação da falsa execução do próprio Mance.
Se assumirmos que minha teoria no Confronto nas Criptas está correta, duas observações podem ser feitas:
O acréscimo de ' prova de suas mentiras ' indica que Ramsay não está sob a magia de disfarce e, portanto, caso ele seja encontrado, isso arruinaria o truque.
Tudo isso somado, a implicação da frase dupla:
A jaula é fria, mas fiz um manto quente para ele, com as peles das seis putas que o seguiram até Winterfell.
Esta é uma referência à maneira como Melisandre disse que as seduções [glamors] funcionam: vestindo-se a sombra de outra pessoa como capa. Também parece uma possível alusão a usar a pele de outra pessoa, de acordo com o conto de Bael, o Bardo.
Na íntegra, o terceiro parágrafo parece deixar uma mensagem de que Mance conseguiu se disfarçar de Ramsay, que Ramsay está vivo como um prisioneiro nas criptas e que ninguém parece saber disso. Também pode significar que nenhuma das esposas de lança traiu seu segredo.

Quarto parágrafo

Ao contrário dos parágrafos anteriores, acredito que o quarto parágrafo é direcionado diretamente a Jon Snow. Melisandre pode saber o segredo por trás de seu conteúdo, mas este parágrafo foi elaborado para ter um efeito específico sobre Lorde Snow.
Quero minha noiva de volta. Quero a rainha do falso rei. Quero a filha deles e a bruxa vermelha. Quero sua princesa selvagem. Quero seu pequeno príncipe, o bebê selvagem. Quero meu Fedor.
Essas frases apresentam uma lista de demandas, muitas das quais Jon não tem capacidade de cumprir. Ele não tem permissão para enviar Selyse, Shireen, Melisandre, Val ou o filho de Mance para Winterfell.
Além disso, ele não tem ideia de quem é Fedor.
E independentemente da identidade de Ramsay (o real ou o disfarçado), ambos saberiam que Jon não tem ideia de quem é Fedor.
Esses pedidos colocaram Jon em uma posição tênue. A carta declara abertamente que Jon violou seus juramentos à Patrulha da Noite, participou de uma mentira quando colaborou para resgatar Arya usando Mance, o que também beneficiou a causa de Stannis.
Mande-os para mim, bastardo, e não incomodarei você e seus corvos negros. Fique com eles, e eu arrancarei seu coração bastardo e o comerei.
Esta ameaça sugere fortemente que Jon precisa cooperar ou ele será atacado. Considerando que os Boltons são aliados dos Lannisters, é razoável concluir que os Boltons também usariam a oportunidade para destruir as forças de Stannis em Castelo Negro e fazer muitos reféns.
A carta deixa claro: o envolvimento de Jon com Mance e Stannis resultou em uma ameaça à Muralha, à Patrulha da Noite e à família de Stannis e ao assento de poder.
Jon é então forçado a um dilema:
Em ambos os casos, ele está ferrado e proscrito como um violador de juramentos.
Então, por que Mance enviaria uma linguagem tão provocativa para Jon e Melisandre?
A resposta deriva de vários fatos, alguns dos quais serão discutidos posteriormente no Manifesto. Mas a resposta simples é esta:
O que posso dizer neste momento é que Mance, Melisandre e Stannis sabem que Jon estava disposto a violar seus votos quando era necessário servir à Patrulha da Noite (e por extensão aos sete reinos).
Forçando Jon a se tornar um violador de juramentos, Melisandre e Stannis são capazes de usá-lo de outras maneiras, particularmente de maneiras que não envolvem sua permanência na Patrulha.
Com que propósito Stannis e Melisandre usariam Jon Snow, o violador de juramentos?
Infelizmente para Jon, ele mesmo forneceu a Stannis o motivo para 'roubá-lo' da Patrulha da Noite.
Explicar melhor isso é um dos pontos principais do Volume III do Manifesto.

CONCLUSÕES

A carta como um todo parece ser coerente com as teorias que descrevi até agora, particularmente com o resultado do ‘confronto nas criptas’.
Como discuto nos apêndices, também é coerente com algumas interpretações reveladoras das visões de Melisandre.
Obviamente Melisandre acreditava que a Carta Rosa responderia às perguntas de Jon sobre Stannis, Arya e Mance, e a carta o fez. Ela pensou que isso o obrigaria a confiar nela.
Embora a Carta Rosa tenha respondido suas perguntas, ele ignorou tanto a carta quanto Melisandre quando se recusou a procurá-la e agiu por conta própria. Acredito que isso se deva em grande parte ao fato de ele não perceber que havia segredos no texto; ele entendeu a carta pelo significado literal.
Existem algumas grandes questões que permanecem abertas:
Além disso, parece que Melisandre queria um ou ambos das seguintes coisas:

IMPLICAÇÕES

As perguntas e conclusões que podemos fazer parecem sugerir que chegamos a um beco sem saída. De fato, se continuarmos a tentar entender as coisas pelo ângulo de Mance Rayder, será.
Se dermos um passo para trás e começarmos a investigar algumas das outras pistas, preocupações e mistérios em A Dança dos Dragões, surgem novas ideias que nos levam de volta a Mance e Stannis.
Para aguçar seu apetite, aqui estão as questões importantes, antes de avançarmos para o próximo volume do Manifesto:
Essas e outras perguntas são respondidas no próximo volume do Manifesto, ‘O Reino irá Tremer’.
E, finalmente, para terminar com algum floreio, aqui está uma passagem de A Dança dos Dragões:
O Donzela Tímida movia-se pela neblina como um homem cego tateando seu caminho em um salão desconhecido.
(ADWD, Tyrion V)
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2020.09.19 14:53 TezCalipoca A ignorância é uma bênção

A ignorância é uma bênção. Não sei se alguém já cunhou essa frase antes, mas cada vez mais consigo perceber o quão verossímil ela é.
Não me refiro a ignorância bruta, à forma humana agressiva e violenta, de tratar das coisas sem conhecimento. A ignorância de não saber o que aconteceu com o computador e tentar consertar através de golpes na máquina. A ignorância de um homem que é incapaz de compreender a liberdade e a independência de uma mulher e com isso, parte para agressões, como maneira de justificar a posição superior que supõe estar.
Falo de uma ignorância intelectual. De uma falta de interesse sobre o mundo. Até mesmo de uma falta de ambição. Uma despreocupação com o futuro, com o que se passa em Brasília, com qualquer outra coisa que não seja o agora. Grande parte da população brasileira (quiçá latino-americana) se encontra nesse âmbito da ignorância.
Essas pessoas não possuem grandes metas de vida. Normalmente, no caso masculino, a grande preocupação, o grande sonho, é possuir um carro. Não precisa ser um carro completo, não tem problema pagar 72 prestações de R$500,00. O importante é ter um carro para chamar de seu, que possa usar nos fins de semana, ou quando quiser “dar uma banda”, como se diz por esses rincões gauchescos.
Até mesmo o carro pode ser algo simples. Afinal, o Gol caixa de 1992 é estiloso. Esses homens, que denomino aqui como ignorantes (e veja bem, não me cancele antes de entender o significado e a razão pela qual uso dessa nomenclatura!) almejam, simplesmente, um carro. Trabalham suas oito horas por dia em fábricas, lojas, mecânicas, eventualmente escritórios, com seu salário em torno de R$1.700,00 por mês. Não precisam de mais do que isso. É o suficiente para pagar as prestações do financiamento, os boletos de água, luz, internet e da TV a cabo que não usa. Até consegue fazer sobrar um dinheiro para sair beber uma cerveja com os amigos no fim de semana, ou ir em uma “baladinha pegá as mina”. Ou para tornar esse texto mais próximo da minha realidade geográfica, “pra pegá muié”.
Qual é a meta desses homens, após conseguir seu carro? Investir em uma educação, para poder ter um emprego melhor e que lhe seja mais aprazível? Preparar-se para viajar para lugares diferentes do mundo? Abrir um empreendimento? Não. O homem ignorante não tem ambição, não tem a capacidade de planejar. Para ele, alcançado o seu sonho de ter um carro com 24 anos de idade, é hora de seguir com a vida.
Muitos passam mais alguns anos usando o salário para fazer investimentos. Mas não em ações, negócios ou educação. Investimento no carro. Rodas, som, estofamento de couro, qualquer coisa é suficiente para que o homem ignorante queira usar seu suado dinheiro para fazer seu Kadett 1988 ficar mais atraente, mais potente, mais bonito. Outros homens, porém, não sentem tanta atração assim pelo seu carro. Que fazem então com seu salário? Usam com sua namorada.
A namorada. A mulher. Todo homem ignorante quer ter uma companheira. Não significa que ele seja fiel a ela, ou que ele a ame de verdade. O mesmo talvez seja verdade para com a mulher. O homem ignorante quer uma mulher porque para ele, somente assim ele poderá ter uma família. Mas que tipo de mulher iria se interessar por esse tipo de homem?
A resposta é muito simples. A mulher ignorante. Assim como sua contraparte masculina, ela também não tem ambição, não tem metas, não tem planos. Findo o Ensino Médio, com sua gloriosa festa de formatura, momento mais alto de sua vida, onde está embebida do carinho (nem sempre verdadeiro) de suas amigas. Onde recebe elogios pelo simples fato de respirar. Onde sente que alcançou uma conquista deveras relevante – e que talvez realmente o seja, se considerarmos o contexto da mulher ignorante.
Após esse apogeu da sua juventude, a mulher ignorante segue o mesmo caminho do homem ignorante. Algum trabalho simples, com pouco esforço intelectual, em lojas, supermercados, eventualmente como secretárias ou recepcionistas. Ninguém quer lhe oferecer uma função melhor. Ela não quer uma função melhor.
Qual o sonho dessa mulher ignorante? Ao contrário do homem, não é algo que se materializa em um carro. É algo maior: uma família. Em cidades interioranas, a forte presença de ideários machistas ainda faz as mulheres sonharem em ter um casal de filhos e um marido, em um casamento onde dificilmente haverá amor. Mais justo dizer que há uma obrigação nesse casório. Não querem ter suas vidas, seus sonhos, seus projetos. Querem apenas um lar para cuidar.
É nesse momento que os dois ignorantes se encontram e assim, dão início a sua longeva vida como casal. Talvez se conheçam em uma festa genérica. Talvez se conheçam nas redes sociais, com uma conversa genérica. Talvez sejam apresentados por amigos em comum, também genéricos. Independente de tudo, os ignorantes se encontram e começam sua vida ignorante de maneira conjunta.
Aos poucos os filhos nascem. Normalmente os ignorantes querem um casal de crianças, para que o guri seja educado pelo pai e a guria pela mãe. Assim como seus progenitores, esses pequenos também serão ignorantes, também herdarão essa falta de ambição, de visão, de planejamento.
Mas não vamos nos adiantar. Antes, vamos analisar o casal ignorante. Muitas vezes as amarras machistas se mantem nesses casais, onde a mulher assume o papel de dona-de-casa, como isso função natural feminina. Mas existem casos – muito mais movidos pela necessidade material – onde ambos trabalham. De qualquer forma, a rotina da família é sempre a mesma. As crianças estudam, pai e mãe trabalham. Às vezes há a visita de familiares, primos e tios igualmente ignorantes. As férias, no máximo, consistem em viajar para uma praia. E durante todo o tempo, a família ignorante vai para a mesma praia e faz a mesma coisa. Sentam-se na areia olhando para o nada, bebendo cerveja e mexendo no celular. As crianças, como lhes é próprio da infância, aproveitam para brincar no mar. A imaginação faz com que qualquer grão de areia possa ser único e divertido à sua maneira.
Mas as crianças viram adolescentes. Adolescentes ignorantes. Não há um interesse em estudar, a maior preocupação são as fofocas dos amigos (e dos inimigos) e dar uns beijos, eventualmente. Pai e mãe não fazem essa cobrança dos estudos. Afinal, única coisa que importa é passar de ano. Para que exatamente, não se sabe, mas é importante.
Durante toda essa existência familiar, esse homem, essa mulher e essas crianças ignorantes não almejam nada que esteja fora do alcance. Talvez não saibam da possibilidade disso. São facilmente maleáveis pelos fluxos constantes da sociedade, em suas vertentes sociais e políticas. O pai não entende nada de economia, mas sempre dá sua opinião infundamentada sobre alguma coisa. Normalmente leva em conta o que alguém lhe disse em uma mesa de bar. A mãe, se quer se preocupa com esses assuntos. À mulher ignorante lhe interessa apenas a fofoca, a intriga, os assuntos mundanos próximos da sua realidade. O arroz está caro? Que pena, mas sabia que a tia da Neusa, que era casada com o Robson, agora se casou pela terceira vez, dessa vez com um paranaense?
E os adolescentes ignorantes? São esponjas de ondas políticas e sociais, nem sempre com boas intenções. Quantos por aí sequer abriram um livro na vida? Não possuem nenhum senso de cultura a não ser aquilo que a massa consome. Tom Jobim? Legião Urbana? Djavan? O que lhes interessa é o MC alguma coisa, a dupla sertaneja de nomes genéricos, no máximo alguma cantora pop de renome internacional, como uma Anitta.
Ainda assim, essas pessoas são felizes. A maior preocupação é o entretenimento. O homem ignorante só quer sair nos fins de semana com seus amigos beber cerveja, comer carne e assistir ao jogo de futebol. Mesmo depois de casado, sua maior preocupação continua sendo o futebol e uma eventual bebedeira com seus amigos. A mulher ignorante, mais limitada ainda, só se preocupa com a vida dos outros. Nada lhe deixa mais feliz do que se reunir com suas amigas para conversar sobre a vida das vizinhas. Não há satisfação maior na vida.
E aqui venho novamente dizer que a ignorância é uma bênção. Por quê?, talvez você me pergunte. Afinal, após toda essa crítica a esse lifestyle dos ignorantes, como posso afirmar que isso é uma bênção?
Certa manhã, estava eu, estudando, como tenho feito nos últimos meses. Após estudar o que havia planejado, decido ouvir um pouco de música. Minha criação não foi a mesma de uma pessoa ignorante. Desde criança, minha mãe sempre me incentivou a estudar. Quando eu tinha cinco anos, ela me comprou uma Revista Recreio. A partir daí, desenvolvi um grande interesse pela leitura, pelo conhecimento. Paleontologia, arqueologia, história, até mesmo a criação geológica do planeta, tudo isso me fascinava e me instigava a ir atrás de explicações, de respostas.
Mas estou divagando. Voltemos à música. Meu gosto musical, não sei como foi desenvolvido, mas é um tanto, digamos exótico. Sou um grande aficionado por estilos musicais que não são muito ouvidos pelos rincões do Rio Grande do Sul, onde vivi minha adolescência e meus primeiros anos como adulto. Tango, salsa, jazz, blues, bossa nova, só para mencionar alguns. É claro, não quero dizer que sou um erudito, até porque também gosto de ouvir estilos musicais mais populares.
O ponto que quero tratar aqui, é que nessa manhã, após os estudos, decido ouvir um tango, enquanto me arrumava para sair. A elegância e a qualidade musical me deixaram estupefato de maneira única e logo comecei a refletir sobre meu futuro e como adoraria, em alguns anos, visitar novamente Buenos Aires.
Logo que penso nisso, vejo o que tenho feito da minha vida. Quantas preocupações, ânsias, tormentos não tenho passado por conta do futuro? Em pensar se terei sucesso no que almejo? Não pretendo compartilhar meus sonhos, mas com certeza é algo muito mais grandioso (é claro que é relativo, mas me refiro no sentido de esforço) do que um simples carro.
Pensar em quanto eu e tantos outros, que estão fora dessa categoria de ignorantes, se preocupam com essas questões, me deixou reflexivo. Basta ver a quantidade de pessoas ansiosas no Brasil. Ansiosas por esses mesmos temores: será que terei sucesso? Será que conquistarei o que almejo? Será que vai dar tudo certo? Preocupações essas que os ignorantes não possuem. Afinal, a cerveja da sexta-feira é garantida.
É claro, os ignorantes ainda se preocupam em quem sabe perder o emprego. Mas normalmente, seus trabalhos não requerem muito esforço. Os ignorantes só querem receber o salário, sem se preocupar em buscar uma posição melhor, uma renda melhor.
Com isso concluo que a ignorância é uma bênção. A ignorância lhe permite ter uma vida feliz. Uma vida simples, sem variar muito, mas sem dúvida feliz. Uma vida protegida das hostilidades do mundo, uma vida abençoada, pela ignorância. Através desse véu que ilude e que engana, os ignorantes são satisfeitos.¹
¹É claro que existem inúmeras questões sociais em torno do que compõe os ignorantes. Educação fraca, ausência de ações sociais, pobreza, enfim. Mas o propósito desse devaneio, não é questionar esses problemas, ou sequer apontar as consequências dessa ignorância intelectual. É refletir sobre como a vida é simples para aqueles sem conhecimento. Se você considera como boa, ou ruim, depende de você.
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2020.09.13 01:03 Rough_Wishbone_6024 Encerrando Ciclos


Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final. Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver. Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos - não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.
Foi despedido do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?
Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu. Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó. Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seu marido ou sua esposa, seus amigos, seus filhos, sua irmã, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.
Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem conosco. O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora. Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem. Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração - e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.
Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se. Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos. Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.
Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do “momento ideal”. Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará.
Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade. Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante. Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida. Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é.
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2020.09.10 23:51 Helamaa 😳👉🏻👈🏻

a carência tá imoral e eu tô procurando uma namoradinha, se vcs conhecerem alguma mina que tenha esses requisitos, me avisem redpillada channer, dogoleira, wgtow, ancap, , jogadora de poker, bv, virgem, sem amigos, crente, fã da UDR,magrela, footlet,escuta Chico Buarque, weeabo, hikkimori, otaku, gameri, hetero,federal,trader de bitcoin,hacker, defacer, cubista, penspinner, recordista de memorização de baralhos, timida, mãe de pet, hidratada, não consumidora de açucar, saudável, youtuber, netolover, pooper, cambista, shitposter, anarquista, materialista, roquista, travesquista, mono talon vlogger, blogueira, e-girl, intolerante a lactose, intolerante a gluten, grinder e hipnóloga, fiel, niilista existencialista, metaleira, headbanguer, pelo no suvaco, patriota, masoquista, ballbuster, jogadora de minecraft, buceta fedida, que não tenha medo de chuta minhas bolas pelo amor de deus eu nao consigo encontrar uma menina pra chutar minhas bolas por favor deus eu imploro nao agusnto mais isso nao eh um meme porque voces tem medo de me chutar no saco. Raça: nórdica Altura: 170cm+ Pele: 1 ou 2 (Fitzpatrick) Olhos: 7+ (Martin) Cabelos: qualquer cor, mas apenas lisos ou ondulados (FIA) Nariz: reto ou virado para cima Crânio: dolico ou mesocefálico Óculos: não Aparelhos: não Queixo furado: não Covinhas: não Orelha presa: não Orelha de abano: não Franja em V: não Pelos no corpo: muito pouco Tatuagem: não Graduação: apenas cursos voltados à pesquisa Faculdade: apenas bem conceituadas Habilidades matemáticas: sim Idiomas: fluência em inglês e mais outro idioma Álcool, cigarro, drogas: não, nenhum Personalidade: introversão Cultura: europeia ocidental RELIGIÃO: Cristã Ortodoxa Gostar de escutar rogério skylab:
Para ser sincero, você precisa ter um QI muito alto para entender Rogério Skylab Para ser sincero, você precisa ter um QI muito alto para entender Rogério Skylab. O humor é extremamente sutil e, sem uma compreensão sólida de filosofia moderna, a maioria das piadas vai passar despercebida pelo telespectador médio. Há também a visão niilista de Rogério, que está habilmente tecida em sua caracterização - sua filosofia pessoal se baseia fortemente na literatura de Nododaya Volya, por exemplo. Os fãs entendem essas coisas; eles têm a capacidade intelectual para realmente apreciar a profundidade dessas piadas, para perceber que elas não são apenas engraçadas - elas dizem algo profundo sobre a VIDA. Como conseqüência, as pessoas que não gostam de Rogério Skylab são verdadeiros idiotas - é claro que eles não apreciariam, por exemplo, o humor no bordão existencial de Rogério "Chico Xavier é viado e Roberto Carlos tem perna de pau", que é uma referência criptíca para o épico Pais e Filhos do russo Turgenev. Estou sorrindo agora mesmo imaginando um desses coitados simplistas coçando a cabeça em confusão enquanto as músicas se desenrolam na tela de seu computador. Que tolos… como eu tenho pena deles. E sim, a propósito, eu tenho uma tatuagem do Rogério Skylab. E não, você não pode vê-la. É só para os olhos das damas. E mesmo elas, precisam demonstrar de antemão que possuem um QI com diferença absoluta de no máximo 5 pontos do meu (de preferência para baixo).
Rotina, Habitos e interesses: Nofap + Banho Gelado + comer carne crua + comer virado pra parede + biohack + dormir no chão + Jordan Peterson + mewing + HBD + PUA + jelq + dormir 5 horas por dia + café gelado sem açúcar + hipismo + compilação mitadas Enéas + alho cru + podcast do Joe Rogan + redpill + Brain Force + Jejum + meditação iasd + músicas para concentração, foco e inteligência + teste de QI da internet + grupos de linhagem viking do facebook + ficar longe do poste de internet 4G + youtube do varg vikernes + essência de morango da turma da mônica no narguilé + jogar vape na cara de todo mundo que tentar entrar no bloco da faculdade + 5 segundos de calistenia no deserto do atacama + darkcel + óculos do aécio na foto de perfil + ler quotes do nietzsche no brainy quote + criar galinha no quarto sem os pais saberem + Alho cru + uma colher de azeite quando acorda e outra antes de dormir + jejum de 24hrs a cada 72hrs + assistir VT no premiere logo que chega do estádio + canal Ultras 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Astúrias perguntar quando custa a bolacha Bauducco que aparece no site + Mandar entregar pizza na Rua dos Tamoios casa n°18 com portão vermelho + cosplay de russo no Omegle pedindo pra mostrarem a bunda + Dormir imaginando uma linha pra fazer viagem astral + recitar Homero pra mendigo + tomar antibiótico no café da manhã + Meditar imaginando o raio de luz violeta que representa a energia transmutadora + Workshop Reiki do Canal Luz da Serra MULHERES TERRAPLANISTAS RALEM.
Primeiro de tudo! Vai tomar no cu, MULHERES terraplanistas! Junto com todas que me contrariaram nos últimos meses falando "dur hur você não sabe nada de paleontologia, vai assistir seus desenhos filipinos e não encha o saco". TODOS OS DINOSSAUROS TEM PENAS! LERAM DIREITO? TODOS OS DINOSSAUROS TEM PENAS! A farsa ficou tão óbvia, que eles não tem mais como esconder que TODOS OS DINOSSAUROS TEM PENAS! Alguns mais penas, outros menos penas, MAS TODOS TEM. E aproveitando no mesmo vídeo, NÃO TEVE METEORO PORRA NENHUMA! Provavelmente as mudanças climáticas naturais, junto com a separação gradual dos continentes, é que extinguiu a mega-flora e a mega-fauna. E se teve algum meteoro, apenas acelerou o processo em uma região muito especifica. Agora só falta as ((especialistas)) e a (((Academia))) admitir que dinossauros nunca existiram e que foi tudo um erro grotesco de interpretação de pessoas que não sabiam que caralhos eram aqueles esqueletos. São apenas aves e mamíferos ancestrais de milhões de anos atrás. E antes que eu me esqueça, vai todo mundo que me contrariou tomar no cu!
GOSTAR DE MIM POR QUEM EU SOU E NAO PELA MINHA APARENCIA
Sério, de verdade, ser uma pessoa bonita não é fácil em nossa sociedade atual; não é só os olhares de desejo das mulheres e dos homens que me incomoda, e sim, o fato de ser só isso para as pessoas. Sou muito mais que apenas um cara bonito. Tenho qualidades além dessas, e saber que as pessoas não ligam para elas, pois estão entorpecidas de anseio pela minha formosura, me entristece muito.
Não suporto mais ser bonito. Tudo que eu queria era poder nascer de novo num corpo de uma pessoa feia, pois sério, vocês não sabem como me dói saber que por culpa de algo que nasceu em mim (a incrível beleza), serei rotulado eternamente por isso.
Eu trabalho, estudo, procuro, conheço, aprendo! Sou um ser-humano como qualquer outro e não só mais um rostinho bonito.
Pergunta antes de eu poder te namorar: Você é ocultista?
Essa é a pergunta de um milhão de dólares que raramente vejo sendo feita.
Se você ainda não for, pra se tornar minha namorada precisará ser e aqui está como fazer isso
É fato que a maior parte da literatura especializada ocidental acredita em Deus e Cristo, somente olhando-o por uma lente diferente. Não há um ritual que lhe aproxime de Deus, as coisas raramente são tão simples. Entretanto, com estudo e meditação o caminho começa a ficar mais claro.
Entenda que não sou nenhum senhor da verdade, e o que te falo hoje posso descobrir ser mentira amanhã. Saiba também que um dos maiores problemas desse meio é a falta de um início claro, sendo as obras tidas como introdutórias porcarias completas. Dito isso, lhe respondo o seguinte:
  1. O caminho mais completo para se aproximar do que você quer começa com noções do pensamento Helênico. Entenda que boa parte da visão de mundo cristã vem da antiguidade clássica, principalmente as noções de harmonia e belo. Não te peço para ler tudo o que já foi jogado ao chão pelos gregos, mas saiba um pouco das origens das coisas. Tenha uma ideia básica dos quatro humores gregos, e que essa é uma das origens para atribuirmos personalidades aos elementos da natureza. Entenda um pouco dos seus deuses e Cosmos, porque eles serão utilizados no futuro de forma metafórica em textos. Saiba que quando aparecer um hermafrodita em um texto especializado não há conexão com desvios modernos, mas com um simbolismo mais antigo (Salvo engano, sua origem é Platônica. Mais especificamente, O Banquete, durante os discursos sobre amor).
  2. Entenda que boa parte da origem da magia ocidental vem da confluência da cultura grega com a egípcia, incluindo a alquimia. A tábua esmeralda é um texto obrigatório. Leia um pouco sobre o Axioma de Maria, A judia. Aprenda um pouco da simbologia alquímica, porque será importante para você no futuro. É dentro da alquimia que irão discursar sem final sobre a trindade (pelo menos os da corrente de Paracelso). Não se pretenda nenhum mestre dos espagíricos, porque os químicos farão isso melhor do que você. Entenda que não havia essa separação absoluta entre o material e o espiritual, então os dois conhecimentos andaram juntos ao decorrer da história. Entenda também que haviam escritores voltados especificamente para a alquimia espiritual, enquanto outros à química.
  3. Estude a Cabala. Eu entendo que para alguns seja difícil dar atenção à Cabala Judaica com o surto conspiracionista chanístico sobre a índole de todo um povo, mas querendo ou não o judaísmo é o Pai da fé cristã, sendo Jesus judeu. Entenda que a árvore da vida é um estudo sobre Deus e suas emanações, e dela virá uma boa parte de seu conhecimento.
  4. Leia as coisas atuais sobre o assunto. Dê atenção aos escritores herméticos, principalmente.
Ocultismo é um saco, pelo menos se você for estudar seriamente. Você pode perder a vida se tiver um projeto ambicioso como se aproximar de Deus.
Você também pode pular algumas etapas no que te falei. Sobre a parte do pensamento grego, saiba que boa parte é "dispensável". Dito isso, recomento que entenda um pouco sobre o funcionamento do Cosmos de Ptolomeu. Entenda também alguns dos símbolos planetários, porque seu entendimento irá lhe ajudar no futuro.
Pra me namorar também tem que gostar dos animes:
Akame ga Kill! Akarui Sekai Keikaku Ana Satsujin Asu no Yoichi! Azumanga Daioh Balance Policy Black Cat BlazBlue: Remix Heart Chichi ga Loli na Mono de Choujigen Game Neptune: The Animation - Dengeki Comic Anthology Come Come Vanilla! Criminale! Dog Style Domina no Do! Eden no Ori Evangelion Fullmetal Alchemist K-on! Naruto Shingeki no Kyojin Yu-gi-oh
Sobre assistir Yu-gi-oh; quando eu era adolescente, gostava (na época que passou na TV Globinho e era moda), mas hoje em dia não gosto mais; então não assistiria de novo.
Quanto às minhas lembranças marcantes de Yu-gi-oh:
Em 2003, Yu-gi-oh era moda e todo mundo na escola da quinta e da sexta série jogava com cartinhas piratas, já o pessoal da sétima e da oitava não se interessava. A propósito, em 2003 tiveram duas grandes modas de brinquedos baseados em animes, cartinhas de Yu-gi-oh e Beyblade. Outro brinquedo que todo mundo da quinta e da sexta série levava pra escola em 2003 depois que passou a moda de Yu-gi-oh e começou a moda da Beyblade era a Beyblade.
Outra lembrança marcante que tenho de Yu-gi-oh é que em 2003 na escola o pessoal criava suas próprias cartinhas, fazendo desenhos e estatísticas.
Fujimura-kun Mates Gantz Gou-Dere Bishoujo Nagihara Sora♥️ Higurashi no Naku Koro ni Kai: Matsuribayashi-hen Hitsugi no Chaika Ichigo 100% Ichinensei ni Nacchattara In Bura!: Bishoujo Kyuuketsuki no Hazukashii Himitsu Jigokuren: Love in the Hell Jinzou Shoujo JoJo no Kimyou na Bouken Part 4: Diamond wa Kudakenai JoJo no Kimyou na Bouken Part 5: Ougon no Kaze JoJo no Kimyou na Bouken Part 6: Stone Ocean JoJo no Kimyou na Bouken Part 7: Steel Ball Run Kaibutsu Oujo Lucky☆Star Mahou no Iroha! Mahou Tsukai Kurohime Monster Hunter Orage Mujaki no Rakuen Needless Zero Nyotai-ka Onihime VS Oretama Perowan!: Hayakushinasai! Goshujinsama♪ Re:Marina Rosario to Vampire Saitama Chainsaw Shoujo Sankarea School Rumble Shingetsutan Tsukihime Shocking Pink! Shurabara! Sora no Otoshimono Sora no Otoshimono Pico Akame ga Kill! Ana Satsujin Asu no Yoichi! Azumanga Daioh Balance Policy Black Cat BlazBlue: Remix Heart Chichi ga Loli na Mono de Choujigen Game Neptune: The Animation - Dengeki Comic Anthology Come Come Vanilla! Dorohedoro Nekopara Pet Toaru Kagaku no Railgun Magia Record: Mahou Shoujo Madoka☆Magica Gaiden Rikei ga Koi ni Ochita no de Shoumei shitemita.Rikei ga Koi ni Ochita no de Shoumei shitemita. Isekai Quartet 2Isekai Quartet 2 Ishuzoku Reviewers Somali to Mori no Kamisama Eizouken ni wa Te wo Dasu na!Eizouken ni wa Te wo Dasu na! Itai no wa Iya nano de Bougyoryoku ni Kyokufuri Shitai to Omoimasu.Itai no wa Iya nano de Bougyoryoku ni Kyokufuri Shitai to Omoimasu. Jibaku Shounen Hanako-kun Haikyuu!!: To the TopHaikyuu!!: To the Top Darwin's GameDarwin's Game Kyokou SuiriKyokou Suiri Plunderer
PRE REQUISITO: GOSTAR DE FILMES DE FAROESTE.
IMPORTANTE: Se você gosta de filmes de super heroi, pare de ler e va se foder.
Se você é assim, fique longe de mim.
NÃO QUERO AS MULHERES QUE: As que falam palavrões As que fumam As que usam drogas As que postam foto com bebida Que bebem (menos 🍷, isso é coisa de dama) As que vão para balada, festa, rave etc As que postam foto com decote ou sensuais
Há uma coisa que eu quero que você entenda sobre nós os homens.
Quando você colocar uma foto sua nua no facebook, fazendo uma pose gostosa, mostrando os seios ou como vemos em várias fotos mostrando o bumbum ou deitada sedutoramente em sua cama, a única coisa que você faz é que as pessoas tenham desejo sexual por você, claro em A maioria dos casos por parte de homens.
Eu sei que você vai ficar tão emocionada com os 500 likes, 120 comentários e as inúmeras mensagens privadas! Você vai querer postar cada vez mais fotos para se sentir cada vez mais no topo.
Mas há algo importante que você precisa saber:
Na verdade nenhum desses caras que gostam, comentam ou enviam mensagens privadas te ama. Tudo o que eles querem é usá-la e depois atirá-la para o lixo, para ser honesto nenhum deles a levaria para sua casa para ser sua esposa, acredite em mim, você para eles não é mais que uma menina de programa em busca de popularidade barata No Facebook.
Os homens ricos os que tem o que você procura "dinheiro" ou os pobres admiram as mulheres que se vestem com decência e se respeitam. Uma vestimenta decente que não revela muito o seu corpo, leva-os a amar e a respeitar-te, isto a simples vista nos diz que és uma mulher virtuosa, alguém a quem se pode levar para casa para ser esposa e mãe.
Isto em muitos casos diz-lhes que você foi criada com princípios morais e lhes dá detalhes do seu bom histórico familiar.
Eles não se preocupam muito com a maquiagem excessiva, uma mulher digna de propor casamento sempre se distingue do monte, não importa como.
Valoriza seu corpo, lembre-se que para encontrar diamantes é preciso cavar, respeita, e um verdadeiro homem vai te respeitar de um modo ou de outro.
Mas você terá muito respeito: Mulher, não mostre seu corpo no facebook, você não sabe que tipo de pessoas, venha suas coisas, você é uma mulher bela, não precisa de fotos, nem mostrar tanto, você pode conquistar com sua simpatia, com seu educación con seu sonrrisa,
As que já ficaram com amigos seus, ou que ficam com mais de 3 em um único ano As que não trabalham ou estudam (ou que estão em um curso irrelevante de humanas) As que não sabem o básico de uma casa, como lavar, passar roupa, cozinhar, trocar fralda, etc As interesseiras As que estão pedindo presentes sempre As que já estão comprometidas As não gostam de crianças ou dizem que não querem ter filhos (pessoas que não querem ter filhos não são confiáveis) As que tem piercing de bufalo
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2020.09.04 18:33 DanteStonecross Senta que la vem história

Eu to a algum tempo lendo e comentando coisas nesse /, e eu sempre quis dizer varias coisas aqui, porque de algum jeito eu me sinto confortável de ver essas coisas e todos vocês, mesmo discordando com algumas pessoas aqui e ali ta tudo bem, discordar é normal, faz a gente mais humano.
Mas eu queria muito contar uma história aqui hoje, é uma jornada importante pra mim, e eu espero que vocês gostem de me ver aprendendo uma coisa muito complicada. Nessa história, todos os nomes serão fictícios, e será um resumo muito resumido, então a grande maioria dos fatos não está aqui, mas o que isso tudo me ensinou, você vai poder ver com certeza.
Eu sempre fui um Romântico, e quando eu digo Romântico, eu falo da escola literária, eu não uso aquele português difícil, mas eu enxergo o mundo de uma maneira similar, eu vivo os momentos com as pessoas com intensidade, com muito sentimento, e os momentos seguintes a esses vem a melancolia.
A primeira vez que eu me apaixonei quando tinha 11 anos, o mundo se tornou diferente pra mim, era como se de repente todo o resto fosse preto e branco, e apenas aquela garota fosse colorida(eu tenho essa história contada em um texto, que é o ponto inicial da minha depressão, escrito exatamente como aquela criança enxergava o mundo, se ao final alguém se interessar eu mando sem problemas).
E, perto se fazer 14, em 2013, eu conheci uma garota muito mais do que bonita, ela era simplesmente divina aos meus olhos, ela era tão incrível, ela tinha absolutamente tudo que eu gostava. Eu conheci a Ágata dando aulas de matemática(o que mais um nerd faz?) e algo me chamou muita atenção: mesmo com 13 anos eu já tinha dado muitas aulas pra muitas pessoas e todo mundo tem um limite, todo mundo desiste(pede uma pausa) depois de X questões, mas ela não, mesmo sem entender muitas coisas ela persistia até o fim tentando entender tudo, até o horario dela ir embora ela continuou la, com o caderno e a caneta fazendo de tudo pra conseguir entender.
Bons meses depois Ágata se tornou minha melhor amiga(embora no início ela respondia minhas mensagens a cada 3 semanas, sem exagero!), e mais um tempo depois e muitos conflitos com a família dela, a gente começo a namorar.
Eu ainda não posso explicar o que era a sensação de namorar com ela, ela era literalmente o que todo garoto sempre sonhou: baixinha, cabelo cacheado, um rosto muito agradável, um sorriso lindíssimo, peitos e bunda enormes(ENORMES), cantava feito um anjo, era popular, divertida, extrovertida, dedicada, esforçada... É uma lista de qualidades que, na época, transbordava.
De 2014 até 2019, nós tivemos 3 anos de relacionamento e 5 anos de amizade, e eu aprendi muito mesmo em todos esses anos. O motivo do término do relacionamento(numa versão em resumo do resumo do resumo) foi, principalmente, possessão. Eu tenho um pai que é extremamente possessivo e eu levei 14 anos pra sair das garras deles(ou seja, ainda era recente quando eu conheci ela), e 1 ano depois do namoro ela começou a querer cada vez mais a minha atenção, onde eu não sentia mais liberdade pra fazer coisas que eu queria, porque eu tinha que ficar 3 horas falando no telefone com ela(e eu nem gosto de falar no telefone).
Não me entendam mal, eu não estou dizendo que fui perfeito, que não tive defeitos ou que só eu que estava passando por problemas, acabou porque precisava acabar. Inclusive se você, Ágata, por algum motivo descobriu o reddit e se reconhecer nesse post, saiba que mesmo não mais falando com você e não conseguindo mais olhar na sua cara(história pra outro dia), você pra sempre terá minha gratidão e meu respeito, nós vivemos muitas coisas juntos e, se hoje eu sou um homem, foi você que o moldou, muito obrigado.
Quando isso terminou, eu comecei a conversar mais com uma outra garota que eu conhecia, estudava na mesma escola que a gente, e conforme eu a conheci, ela começou a conquistar cada vez mais espaço no meu coração.
Carol era uma mulher interessante de várias maneiras, ela era extremamente extrovertida, cantava muito bem, tinha muitas histórias pra contar, era uma das pessoas que mais tinham ficado com gente na escola, e principalmente, ela tinha acabado de ganhar uma filinha. O jeito que a Carol olhava pra filha dela me fazia querer estar por perto, não porque ela parecia uma mãe incrível, mas porque havia uma dualidade dentro dela: aquela criança foi concebida de um estupro, onde foi muito difícil aceitar conceber a criança, quando ela nasceu era completamente visível que ela não sabia o que fazer, ela amava mais do que tudo aquela criança, ao mesmo tempo que ela via o homem que fez isso quando olhava pra ela(graças a deus, isso mudou bem rápido).
O tempo passou e eu e Carol começamos a nos dar muito bem, e em meados de 2019 a gente se beijou pela primeira vez, essa foi oficialmente a segunda pessoa que eu beijei na vida e cara, que coisa mais estranha, eu não sabia nem como descrever o que tinha sido aquilo de tão estranho... Até que ela me beijou uma segunda vez, e ai oficialmente, aquele era o melhor beijo do mundo.
Eu e Carol ficamos mais algumas vezes, e a gente se dava muito bem em tudo, até na cama era muuuuito diferente do que era com a minha ex, e a gente fazia tantas coisas juntos, viamos animes, conversavamos sobre varias pessoas, saíamos pra comprar roupas...
Cada dia que passava o meu sentimento só aumentava, e quanto mais ele aumentava, mais coisas que eu achava incríveis aconteciam, como a gente ver as coisas abraçadinhos, ficar de mãos dadas, varias dessas coisas de casal.
O meu erro? Carol desde o inicio falou "Não se apaixona por mim, eu não me apaixono por ninguém". Eu segui essas instruções o quanto foi possível, mas cara, talvez fosse loucura minha, mas parecia muito que ela também estava apaixonada, não com palavras porque toda vez que eu mencionava ela mudava a expressão e o jeito por um tempinho, mas as atitudes dela, os nossos momentos...
Depois de um tempo, no inicio desse ano, eu tentei cortar a Carol da minha vida torcendo pra que resolvesse meu problema, e deu certo por 1 mês até que ela me mandou mensagem perguntando quanto tempo isso levaria. Eu dei o meu melhor e coloquei todos os meus sentimentos em um texto, cada palavra continha tudo que eu sentia por ela, e ela também fez um texto de volta pra mim, e eu pude sentir o que ela sentia também, ela queria ser só minha amiga, e nada mais.
Nós ficamos mais 3 ou 4 meses sem nos falar até que, por intermédio de uma amiga em comum, a gente voltou a se falar e, desde então eu vi Carol mais umas 3 ou 4 vezes, mas é tudo muito estranho, a gente troca mensagens uma vez por semana e olhe la, eu nem acredito que um dia a nossa amizade volte, quanto mais a gente ficar ou coisas do tipo.
Mesmo com tudo isso, ela sempre viveu no meu coração.
Porem aqui vem a lição, meus amigos.
Há semanas atrás, eu consegui contato com uma garota que a gente não se via a muitos, muitos anos. Sabe aquela história de primeiro amor a gente nunca esquece? Esse foi meu segundo, e o que eu verdadeiramente nunca esqueci, eu sempre vou me lembrar do meu primeiro dia de aula numa escola completamente nova, e no fim do dia eu ainda todo perdido uma garota me puxa, me olha nos olhos e a primeira coisa que ela diz pra mim é: "Você namoraria comigo?". A resposta pra essa pergunta era não, obviamente, foi muito aleatório, mas eu estava tão nervoso que saiu "sim", ela deu um sorrisinho e voltou ao que tava fazendo. Desde aquele dia, Livia se aproximou cada vez mais de mim, e ela tentou me conquistar todos os dias, e acreditem em 2012/13 eu não era naada fácil.
E quando eu consegui falar com ela novamente, alguma coisa dentro de mim estalou, a gente voltou a conversar e era como se nada tivesse mudado, a gente conseguia desenvolver do mesmo jeito que a gente sempre fez, nem parecia que tinham 7 anos sem contato. A gente se viu algumas vezes(sim, eu sei que a gente ta de quarentena, todas as medidas de seguranças foram tomadas pra gente conseguir) e, cara, eu tinha me esquecido o que é olhar pra alguém que te olha como se você fosse uma obra prima, aquele olhar de quando éramos crianças não mudou nem um pouquinho, ela ainda olha pra mim como se eu fosse a pessoa mais legal do mundo.
Eu, com todos os meus defeitos, com todas as minha chatisses e meu jeito ""inteligente"" de ser, onde a lista de qualidades é exatamente igual a lista de defeitos, ela me vê como se fosse alguém muito mais do que incrível.
E eu olho pra ela assim também, e quando eu a olho, eu quero que ela sinta a pessoa incrível que eu vejo, uma pessoa que passou por inúmeros problemas pelo mundo afora e ainda passa, alguém que realmente foi a raiz do meu gosto pelas mulheres, que me ensinou que atitude é a melhor caracteristica possível em alguém, e que eu quero alguém com isso na minha vida, alguém que tenha coragem de me puxar pelo braço e dizer que me quer, alguém que queira os meus toques, alguém que querias os meus carinhos, as minhas massagens, os meus abraços, as minhas implicações, assistir animes ou séries comigo, beber comigo, aprender e viver todo tipo de experiências e situações. É isso que eu quero com ela também!
Esse é um pedacinho da minha odisseia, eu pedi a Deus, ao universo, a seja la o que for que estiver ai fora por nós, pra que 2020 seja um ano de apredizados e conquistas, 2020 foi o ano mais difícil da minha vida, onde por conta de um treinamento pra competição, da pandemia(home office) e tambem por causa de ter a Carol na minha cabeça, eu passei pela pior fase da minha vida, mas eu consegui correr atrás de ajuda a tempo(onde eu devo a minha vida a minha hipnoterapeuta, que mulher excepcional) e, no final dessa jornada, eu cresci muito e me tornei bem mais forte.
Muito obrigado, eu deixo aqui os meus agradecimentos a todas essas garotas, que me mostraram quem eu quero junto a mim e quem eu quero ser, a minha mãe que é a melhor mãe do mundo e, mesmo a gente se desentendendo as vezes, eu não resistiria sem ela, a minha hipnoterapeuta que consegue a façanha de me colocar em transe(hipnose ericsoniana é a melhor, sem dúvidas!) e que me ensinou muuuito mais lições do que eu teria aprendido em 20 anos da minha vida.
E principalmente, muito obrigado a mim mesmo, por ter aguentado até aqui, por nunca ter parado de ir pra frente mesmo pensando todos os dias em desistir, em jogar tudo pro ar, pensando até em coisas muuito, mas muuuuito mais escuras nos dias mais dificeis, mesmo assim nós estamos aqui, prontos para a proxima jornada, onde a gente vai sofrer, mas a gente vai aprender algo a respeito disso no final.
Se você chegou até aqui, meu caro amigo, eu só queria te contar a história de como eu descobrir o que, pra mim, é o amor. Amor é o que eu sinto quando olho pra alguém que também me devora com o olhar e as atitudes, amor não é toda a intensidade, todo o fogo, toda a loucura, não! Pode ser um pouco disso, mas principalmente, amor é reciprocidade, é você não ter que se esforçar em mudar 1001 coisas só pra agradar a pessoa, quem você ama e quem te ama de verdade gosta de você por ser quem você é, e é isso que eu quero pra minha vida, amar e ser amado!
Eu não sei se eu e Livia vamos ficar juntos, a gente deve descobrir mais a frente, mas eu sei que eu quero isso, e se o destino(ou o universo, ou deus...) não permitir que a gente fique junto, tudo bem, eu sei agora o que procurar, e que vai existir mais alguém que olhe pra mim do jeito que eu olho pra ela.
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2020.09.02 01:07 Lootlance Minha mãe me escutou falando sozinho

Texto bem informal mesmo, ainda mais porque aconteceu faz menos de uma hora e estou bastante afetado.
Então, meus pais geralmente chegam em casa à noite devido ao horário de trabalho e, como atualmente faço apenas faculdade, passo a maior parte do dia estudando. Assim, mesmo depois das aulas de EAD, vejo assuntos variados por conta própria e quase sempre faço uma reflexão em meus pensamentos. Hoje, porém, eu acabei cometendo um "erro".
Encerrada a última aula do dia, eu fiquei assistindo e pensando a respeito de coisas como religião e moral, egoísmo, se somos ou não substituíveis e se certas drogas deveriam ou não ser legalizadas. Esses tópicos todos foram o foco dos debates que vi/participei recentemente e muita coisa não tem saído da minha cabeça. Portanto, o fluxo de ideias é muito frequente e, de vez em quando, não percebo o que está acontecendo ao meu redor. Fico preso no meu interior, basicamente.
No entanto, qual o problema? Tudo até aqui parece bem normal. É... acontece que eu falo sozinho durante o banho. Geralmente, mantenho todos os temas complicados em notas mentais e apenas canto ou simulo situações de comédia com minha voz. Todavia, como estava apenas eu em casa, acabei por relaxar demais e, sem nem perceber, nada deixava de sair pela minha boca. Não parava de falar.
Nesse cenário, falei sobre como já havia pensado em suicídio e a respeito da minha depressão no passado, sobre como os meus pais são aqueles que se preocupam comigo de fato e que se eles falecessem eu provavelmente já teria me finalizado, mesmo que sem um motivo real, simplesmente por não ter apego a minha identidade. Além disso, apresentei pontos que sustentavam a ideia das pessoas serem, em geral, substituíveis. Também, que a perda de alguém pode ter um efeito imediato aparente grande, mas que após pouco tempo isso tudo se torna insignificante à realidade do círculo no qual tal morto se envolvia. Enfim, tentei mostrar minha percepção da vida como um conceito passageiro e da memória como, na imensidão das coisas, inútil. Não concordo com tudo o que falei, claro, mas quando tem água caindo em você o pessimismo sobe.
Em seguida, — ou será que foi antes? — falei sobre religião, em especial cristianismo. Pensei em problemas básicos, como hipocrisia e falta de amor ao próximo por parte dos "seguidores" em diversas situações, mas não fui muito a fundo. Já na parte das drogas, porém, discorri um bocado. Apontei dados, disse sobre o econômico e o social, expressei o mal que faz ao organismo e ao psicológico, disse quais que eu achava ok liberar. Parece uma conversa séria, não? Mas pense que aqui eu estou tentando torná-la o mais normal possível.
Na realidade, eu estava com um discurso niilista, ao envolver morte, inexistência e indiferença em quase 90% das minhas falas, vide "Pouco me importa o que a pessoa faz. Se ela quiser se matar, vai lá. Eu quero me matar. Mas se ela acha a liberdade dela superior a de qualquer outro, então tem mais é que se acabar mesmo. É a escolha dela e ninguém deveria ligar pra isso, até porque não significava nada fora dela". Esse, por sinal, ainda é um dos pedaços que eu consigo compartilhar, por ser "de boa". Só peço que ignorem a parte polêmica, mesmo que pensem de forma extremamente oposta à ela, por favor. O que eu vim aqui pra falar é outra coisa.
De repente, eu saí desse meu transe. Pareceu uma eternidade, mas deve ter durado uns 8 minutos no máximo (eu espero). Fechei o chuveiro, peguei a toalha e me arrumei. Quando abri a porta, vi minha mãe passando:
— Faz quanto tempo que você chegou!? — perguntei.
— Bastante. Você não para de falar. E alto.
— Falar... — Parei por um momento devido ao choque, mas decidi continuar — sobre o quê? Eu disse o quê?
— Cocaína e morte. — Ela estava agindo com tanta naturalidade que eu literalmente comecei a tremer de nervosismo.
— E-Eu... estava falando em voz alta!? Eu....não parei em algum momento?
— E você para de falar?
Assim que ouvi essas palavras, senti como se alguém tivesse acabado de congelar uma panela e batido com ela em minhas costas múltiplas vezes. Em outras palavras, estou ferrado. Para minha surpresa, porém, ela só evitou minhas perguntas, falou que eu realmente tenho que me desestressar e riu um pouco, embora de modo bem desconfortável. "Está cansada por causa do trabalho," imaginei. (Mentira. Isso daí eu só pensei depois. Na hora, eu literalmente só estava chorando por dentro).
Porém, ainda tive esperanças. O problema era ela ouvir sobre o suicídio, já que eu exagerei no teor dessa parte. Nunca falei pra eles por 7 anos, afinal, pois preferi que fosse assim, por inúmeros motivos pessoais. Desse modo, ainda tremendo, saí dali e fui preparar o jantar. Assim que abri meus olhos, para minha felicidade, já estava tudo pronto. Demorei uns dois segundos pra captar a mensagem.
Ela chegou bem antes do esperado. Minha mãe escutou absolutamente tudo o que eu disse.
Talvez eu esteja exagerando na minha reação, mas nunca imaginei que ela iria descobrir as coisas dessa forma. Jamais falei nada antes e sempre reprimo esse lado triste meu.
Agora, estou sentado. Meus dedos estão tão trêmulos que levei 1h30 só pra escrever o que está aqui.
Será que eu ainda consigo dizer que isso tudo é culpa do isolamento social que está me deixando louco?
R: Aisjwnsbdhjaoalqosjqpslndsksjsjssokdmdosp
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2020.08.27 20:00 Lebosca SER GAMER... (SOMOS 3 MILHÕES)

Ser gamer, ser um jogador, vocês já se questionaram o que é ser um gamer? Ou melhor, vocês já se questionaram o que os games já te ensinaram pra você levar pra sua vida? Ou você nunca parou pra pensar nisso? Afinal são horas e horas que dedicamos à eles, muitas horas dos nossos dias, das nossas vidas, se vocês forem bons observadores, vão notar que eles tem muita coisa para nos ensinar, nos inspirar. "Zangado, o que os games ensinaram pra você? O que é SER um gamer?" Eu digo a vocês: Os games me ensinaram que quando você encontra inimigos pelo caminho, significa que você está indo na direção certa, se você quer realmente um final feliz, você tem que lutar muito pra conseguir. Por mais que você esteja cansado, estressado, cheio de problemas, você precisa parar, e ouvir, pois sábio, é aquele que ouve mais, e fala menos, pois aprende o que se escuta, e transmite no olhar esses ensinamentos. Não existe sexo frágil. Os games me ensinaram que podemos errar várias vezes, e os problemas vão se acumular, mas se tivermos paciência e não desistirmos, os acertos os fazem desaparecer como mágica. Tenha orgulho das coisas que você fizer, das coisas que você construir, mesmo que as pessoas digam "urgh, não ficou tão bonito", aparência não eh tudo. Os jogos me ensinaram que a guerra... A guerra nunca muda. Que cada escolha gera uma consequência, não só para você, mas para o mundo e as pessoas a sua volta. Que vilões geralmente são vilões por uma razão, e que aos olhos de alguns esses vilões estão certos, e eles são os verdadeiros heróis. Os jogos me ensinaram que a dor é terrível, mas ela nos guia para evoluirmos e nos tornarmos cada vez mais fortes. Que morrer é realmente triste mas se for pelos motivos certos e principalmente se for para proteger pessoas que você ama, tudo bem. Todo mundo precisa de amor... mesmo que o amor... ha... seja uma dor. Que a traição só existe porque vem das pessoas que menos esperamos. Os jogos me ensinaram até a definição... de insanidade. Que você não precisa ser do mesmo sangue, raça ou espécie pra esse alguém ser considerado família. Não faça uma promessa a uma mulher se você não vai conseguir cumprir. Rivalidade não significa inimizade, se você ama alguém você só quer ver aquela pessoa feliz, mesmo que ela fique com todo o crédito por algo que você ajudou. O obstáculo pode ser gigantesco, parecer impossível, a gente pode tentar e falhar várias vezes, mas com a tentativa vem o aprendizado, e com o aprendizado vem a melhoria, com a melhoria vem a superação, e aquele bicho papão não vai existir mais. Que a jornada em muitos casos vale muito mais do que a recompensa final. Tem gente que acha que videogames isolam as pessoas, as deixam antissociais. Em 2009 eu era só um moleque com um Xbox 360, com trossentas histórias pra contar, que compartilhava com apenas meia dúzia de amigos, quando eu entrei pra internet eu era só um, e hoje... hoje nós somos 3 milhões. 3 milhões falando de games, de TODOS os games, e você vem me dizer que vídeo-game não une as pessoas? Vídeo-game une as pessoas, ensina, entretém, desestressa e oferece alegria temporária a muitas pessoas que não conseguem ter a mesma coisa fora do mundo virtual, pois o mundo em si só os empurra pra baixo. Vídeo-games não são responsáveis por assassinatos, não são responsáveis por notas baixas na escola e não são perda de tempo. Se você pensa assim, você tá errado. Ser gamer é optar por viver muitas vidas, ao invés de uma só, ser gamer é abraçar seus momentos sozinho ou sozinha, ou até mesmo esbanjar o seu lado competitivo. Eu sou gamer, sempre fui, sempre vou ser, e você? Senta aí, fica confortável, aperta start vai, um grande abraço a todos vocês, jovens, tudo de melhor sempre, muito obrigado por tudo... ha... somos três milhões.
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2020.08.23 10:34 Sempsei Viver sem Sentir

Eu realmente entendo as pessoas, entendo essa necessidade constante e finita de sentir, crer e ter sentido. É por isso as pessoas acreditam em Deuses, sempre foi assim, desde os tempos das cavernas até chegar no tempo do vazio. E se você discordar que hoje - sempre foi - mas hoje, a sociedade se encontra em um limbo de vazio nunca antes visto. Só de pensar em como o mundo flui atualmente, já vemos o seu vazio. Mas, voltando ao assunto principal, o sentir e ter sentido é algo natural do humano, todos (quase), temos a necessidade de sentir e ter sentido, seja ela natural, ou induzida desde o primórdio de nossa existência. Pensar que toda a cartela de crenças é passada pelo ambiente que crescemos, seja em casa, escola ou cultura. Mas, falar disso é algo que realmente me deixa pensativo, a forma como as pessoas vivem suas vidas crendo e implorando por sentido é mais vazia do que aquele que não vê sentido em nada.
Mas, na real, eu não ligo para sentido, e nem para o vazio da existência, eu só penso em viver minha vida conforme meus princípios, conforme minha vontade, uma vida baseada na Força Ativa e vontade de potência. É por esse motivo e outros, que não costumo julgar atos, nem mesmos aqueles que as massas consideram ultrajantes e cruéis. Para mim, qualquer pessoa tem o direito de fazer aquilo que ela bem-quiser, caso for algo que a "Lei dos Humanos e sua Moral" considere ultrajante, essa pessoa terá que pagar no "Sistema Humano". E não, não estou escrevendo em aspas como forma de separar de algum sistema ou lei religioso. Na verdade, eu até questione esses "Leis, Moral e Sistema que criamos", até porque sua existência é a prova que os fracos venceram, a prova que a Força Reativa vendeu a Ativa (Filosofia de Nit só para esclarecer).
Não que eu esteja falando que a vida em sociedade teria que ser sem leis, pelo contrário, em sociedade, devemos infelizmente, conjuntamente, fazer de tudo para viver em sociedade hahaha. Mas, que isso é algo desagradável, sem dúvidas que é. Se você está com dificuldade para ver o ponto, repare em um único e simples exemplo: "Tocar musica alta em apartamento". Já sabe o que acontece, a lei e moral humana, detona toda a sua vontade de potência. Por isso não julgo atos considerados ultrajantes, apenas vivo minha vida, até porque julgar não muda nada, mas atos sim. Mas, agora eu quero falar de alguns filmes que retratam coisas específicas da sociedade, para você ver um vazio em determinadas coisas. Lista: " O Abutre, Rede de Ódio (Netflix), Taxi Driver e Clube da Luta", esqueci de alguns agora, mas dois desses já está de bom tamanho. O Abutre e Rede de Ódio eu recomendo demais para assistirem.
Vamos ao que eu realmente estava querendo dizer agora, o "Viver sem Sentir". Imagine viver uma vida inteira, sem sentir nada, sem ter sentido em nada, te faz questionar o que é viver, certo? Bom, é ai que entra um "Paradoxo", podemos dizer assim, as pessoas desde os primórdios da humanidade e seu pensar, buscaram sentido e sentir em tudo, assim que fomos forjados, então quando se renega isso, você está vivendo agora, ou deixou de viver? Vivem sem Sentir, é o que as massas não querem, viver sem amor, sem um sentido maior, mas isso é realmente real e necessário? As pessoas passaram a vida aprendendo que o "normal" é cresces, estudar, trabalhar, casar e ter uma família. Mas, por que? Por que não podemos viver somente? Por que é considerado estranho? Vazio? Para mim, todas essas alegações são frutos de uma mente alienada em princípios antigos e dogmas que criamos. Você pode fazer o que quiser, nada pode se sobressair sua vontade. Mas, claro, isso de "Viver sem Sentir" que as massas querem passar longe, é uma bolha que ninguém realmente sabe como é. Até porque quem vive nela não liga e acha as massas tolas. Mas, é algo lindo de se pensar.
Viver uma vida livre, chega até dar medo né? Mas, é por isso que as pessoas não gostam, porque ela é escassa de sentido! As pessoas gostam de sentido! Seja lá qual ele for. Mas, todos devemos admitir, vivemos uma vida e círculos de relações vazios, não conhecemos nem nós, quanto dirá os outros.
VIVA A VIDA CONFORME A SUA VONTADE, SEM DOGMAS, SEM LEIS E ATÉ SEM SENTIDO, A VIDA PARA DE PESAR E COMEÇAR A SER VIDA!
OBS: Texto está sem revisão e algumas pontuações podem estar faltando, avisar para não me julgar.
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